Hoje eu acordei…
querendo fugir do mundo.
Não por covardia,
mas por cansaço profundo.
Há dias em que até o sol me parece um fardo,
e a claridade… uma espécie de castigo.
A mente fala alto — e tudo que eu quero
é silêncio comigo.
Sinto-me um vulto andando pelas ruínas
de um tempo que não volta mais.
Carrego lembranças como pesos,
e culpas — ah, essas, são meus animais.
Elas me mordem por dentro,
quando tento dormir,
e me sussurram que fugir
é o verbo mais sincero do existir.
Hoje eu acordei sem cor,
meio cinza, meio nada.
Entre o abismo e a estrada,
preferi ficar sentado olhando o vento ir.
Mas a mente — essa feiticeira —
começa a conversar comigo,
me chama de volta pra dentro,
diz: “Ei… fugir não é o mesmo que sumir.”
E eu penso... talvez ela tenha razão.
Talvez fugir seja um jeito poético de respirar,
de me perder pra me achar,
de morrer um pouco pra então sentir o coração pulsar.
Eu olho pro teto e vejo signos antigos:
sombras, símbolos, ecos de mim mesmo.
Sou um templo em ruínas,
mas ainda há incenso queimando lá dentro.
E a voz da mente continua:
— “Tu não precisa ir embora do mundo,
só precisa se esconder dentro de ti por um segundo.”
Genê-poeta
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Meu silêncio não é escolha —
É sobrevivência
Engulo palavras, antes que se tornem chamas,
engulo lágrimas, antes que ela as use como arma,
Engulo a mim mesmo, dia após dia,
como quem desce ao próprio abismo para não perder a sanidade.
Minhas emoções?
São lobos famintos rondando a lua,
ora prateada, ora vermelha —
Ânimo e desanimo vácuo
escuridão se revezando
num teatro sem aplausos.
Meu pensamento?
É uma torre alta sem portas,
onde eu escrevo nos muros com a própria dor,
esperando que algum verso quebre o feitiço
e me devolva o direito de existir.
Mas enquanto a noite perdurar,
serei o poeta marcado pela sombra,
filho que carrega um mundo que não pediu,
o coração treme, mas ainda pulsa,
porque há poesia até no sofrimento
e liberdade na alma que ainda não fugiu.
Genê-poeta
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"Metamorfose das marés"
Há dias em que o sol grita dentro do peito,
e a alma dança — febril, incandescente —
tudo brilha, tudo arde, tudo é perfeito,
num frenesi que o tempo não sustenta.
Depois, a lua murcha o próprio pranto,
e o corpo pesa em cinzas e neblina,
o pensamento é um espelho quebrado,
onde o rosto da alma se declina.
Sou fogo e água no mesmo instante,
um anjo em queda, um deus delirante,
sopro e vendaval, maré e calmaria.
Dentro de mim, ecos de mil vozes,
umas rindo, outras tão atrozes,
num céu que alterna luz e agonia.
Genê-poeta
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Sou louco ! dizem ... ou será que assim me sinto
Perguntei para as vozes que me responderam
"Na voz da criação do que existe"
No pó da dor germina a semente rara,
que a chuva das perdas faz florescer.
Pois cada fim é começo que ampara,
o que a alma teme, Deus faz renascer.
A rocha dura é mãe da nascente,
o fogo forja a força no aço frio.
E até o vento, cansado e ausente,
traz calma após o vendaval sombrio.
Há mistério na flor que rompe a pedra,
no sol que volta mesmo após o véu.
O Criador, em tudo, deixa a pedra
virar altar entre a terra e o céu.
Genê-poeta
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Além das fronteiras, muito mais além,
Por entre montanhas do pensamento,
Nos vales escuros onde o vento não vem,
Ecoa um trovão — relâmpago e tormento.
Na colina sombria, uma torre fechada,
Abriga uma criança que chora calada.
Cativa da mente, presa na dor,
Carrega o trauma, sem voz e sem cor.
Sem janelas, sem portas, sem saída,
Solitária em meio à cidade vivida,
Nasce um poeta em meio à multidão,
Carregando o mundo dentro do coração.
No cativeiro desde a infância sonha em voar,
Alça-se em vão, sem nunca escapar.
Desce ao abismo mais profundo de si,
Num universo sombrio onde a dor o constrói.
Como fugir de uma prisão sem grades?
Com noites sem sono, dias sem alarde...
Mas a luz divina desce em poesia —
Toalha sagrada nas noites mais frias.
Na raiva que rói, na vida que ensina,
A palavra acalma, serena e ilumina.
Um monge interior, em ciência e calma,
Habita, silente, na alma que salva.
Como escapar da torre sem janelas, sem porta?
Diante do mar em fúria que tudo revolta?
A poesia revela — sutil engenharia:
Voar entre fendas de areia e argamassa fria.
O poeta escapa em sonho e pensamento,
Sobrevoa o mundo, conquista o tempo.
Mesmo quando os sonhos em choque desabam,
A arte o consola, as palavras o embalam.
Solitário, chora — mas também se eleva,
Pois sabe que a poesia é dádiva eterna.
Ainda triste, vê com ironia:
O poeta e a poesia nascem da melancolia...
Dos amores partidos em seu coração.
Poeta: Generino A.O
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Carrego o carma de um amor distorcido,
nasci do ventre de um afeto possessivo.
Minha mãe, rainha de um trono ferido,
amarrou meus passos num laço cativo.
Ela me embala em drama e cobrança,
cada gesto meu vira culpa e sentença.
Dou-lhe o meu tempo, dou-lhe esperança,
mas nunca há paz, só mais indiferença.
Reclama do dia, do sol, da comida,
reclama de tudo, até da minha vida.
Mas sigo firme, com alma vencida,
cuidando de quem nunca me agradecida.
Enquanto o mundo vive o amor lá fora,
eu enterro o meu, dia após hora.
Predestinado a ver o tempo embora,
com um coração que só chora e demora.
E mesmo assim, amo sem medida,
essa mulher amarga, ingrata, sofrida.
Pois mãe é mãe… embora ferida,
ela é o carma de alguém que levo por toda a vida.
Em cada gota descida nos olhos
Do poeta.
Poeta: Generino A.O
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Vive se divide o tédio... música sem melodia
Um pingo de dor, desabafo sem nostagia
Cobertas nos prantos amor ... tortura poesia
Solidão no frio solstício
Um palor reservado as fantasias
Uma rachadura crescente no teto da sala
Provocante suspiros dos gritos mudos
Nos sinais da cotovia.
Diante dor das trêmulas arritimias
Não existe lágrimas em meus olhos
Assisto no espelho todos os dias
Carrego a tristeza nos ombros
Rastejando perante todas as idas
Sobrevivendo na cabeça do sonho
Para sentir que está vivo na vida
No instante que do zero se fez verdade
Meus sonhos se pesaram
Nas proprias vaidades.
Uma pena na balança
Mais pesada na esperança
Que caíram dos meus olhos
Sem bailar e sem dança.
Lamurias vulneráveis
Poeta Generino Abidon
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A direção da vida as vezes
segue direção de grande dor,
Sinto como um lobo correndo
Serei um poeta pecador.
Caminhando a ermo sempre sofrendo
Exalando frio impróprio do amor
Onde tudo mostra um preço
Pura vida que não compreendo
Dentro aquela que não conheço.
Sou poeta vivente que sente
Nascido dentro da própria existência
Trovador da nobreza humilde plebeu.
Dentro fora da própria crença
Último valor da insana demência
Aquele que ainda não sorriu
Quando na sua trajetória venceu.
Na floresta escura, percorre um lobo,
Na direção a grande de lua,
Sigo na direção da própria dor
Como um lobo ferido correndo
Segue se assim um poeta pecador.
Poeta: Generino A.O
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Falta respiração sufoco
No meu próprio lar
Vem dá água em que vivo
A respiração do peixe
Na água vive e sobrevive.
Partindo com a tripulação
Me encontro no navio
matando me nas tarde
de aflição
Será possível que um vento
Desvie meu olhar para alma,
Quebrantando meus pensamentos.
Na própria mente
Dos verso prediletos prisioneiros
De um relógio incoerente ,
Indefinido processo incompleto .
Absinto desproporcional se depor
Um vinho do cálice sem sabor,
Defende se no protocolo da amargura
Liberta minhas letras no amor
Carcereiro da própria brandura
Um poeta acusado de viver,
Vivendo dentro a vida sua.
Poeta: Generino Abidon de Oliveira
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Rosto firme no tempo me fiz
Enfrentando forte tempestade
Com a forca força que me inspira
Mantenho forte minha raiz.
Ora bom ou ruim carrego minha história
Levo a humildade que não ostenta glória
Sentimentos de bondade
Carrego ambos totalidade na memória.
O esforço que de mim sempre procede
Vem com essências fé na vitória
Foco no carinho dedicação e amor
Nos trabalhos profundos e constantes.
Dias vem de lutas e dias de dor
Mas a honra dessa graça são presentes
Do eterno criador.
Pois a força que sempre me inspira
Vem de Jah pai de Jesus nosso salvador.
A FORÇA QUE ME INSPIRA
POETA: Generino A.O
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