Nos dias que não me encontro
Hoje eu acordei… querendo fugir do mundo. Não por covardia, mas por cansaço profundo. Há dias em que até o sol me parece um fardo, e a claridade… uma espécie de castigo. A mente fala alto — e tudo que eu quero é silêncio comigo. Sinto-me um vulto andando pelas ruínas de um tempo que não volta mais. Carrego lembranças como pesos, e culpas — ah, essas, são meus animais. Elas me mordem por dentro, quando tento dormir, e me sussurram que fugir é o verbo mais sincero do existir. Hoje eu acordei sem cor, meio cinza, meio nada. Entre o abismo e a estrada, preferi ficar sentado olhando o vento ir. Mas a mente — essa feiticeira — começa a conversar comigo, me chama de volta pra dentro, diz: “Ei… fugir não é o mesmo que sumir.” E eu penso... talvez ela tenha razão. Talvez fugir seja um jeito poético de respirar, de me perder pra me achar, de morrer um pouco pra então sentir o coração pulsar. Eu olho pro teto e vejo signos antigos: sombras, símbolos, ecos de mim mesmo. Sou um templo em ruínas, mas ainda há incenso queimando lá dentro. E a voz da mente continua: — “Tu não precisa ir embora do mundo, só precisa se esconder dentro de ti por um segundo.” Genê-poeta
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