Generino. (Gene_poeta) ) @Generino

Castelo

Além das fronteiras, muito mais além, Por entre montanhas do pensamento, Nos vales escuros onde o vento não vem, Ecoa um trovão — relâmpago e tormento. Na colina sombria, uma torre fechada, Abriga uma criança que chora calada. Cativa da mente, presa na dor, Carrega o trauma, sem voz e sem cor. Sem janelas, sem portas, sem saída, Solitária em meio à cidade vivida, Nasce um poeta em meio à multidão, Carregando o mundo dentro do coração. No cativeiro desde a infância sonha em voar, Alça-se em vão, sem nunca escapar. Desce ao abismo mais profundo de si, Num universo sombrio onde a dor o constrói. Como fugir de uma prisão sem grades? Com noites sem sono, dias sem alarde... Mas a luz divina desce em poesia — Toalha sagrada nas noites mais frias. Na raiva que rói, na vida que ensina, A palavra acalma, serena e ilumina. Um monge interior, em ciência e calma, Habita, silente, na alma que salva. Como escapar da torre sem janelas, sem porta? Diante do mar em fúria que tudo revolta? A poesia revela — sutil engenharia: Voar entre fendas de areia e argamassa fria. O poeta escapa em sonho e pensamento, Sobrevoa o mundo, conquista o tempo. Mesmo quando os sonhos em choque desabam, A arte o consola, as palavras o embalam. Solitário, chora — mas também se eleva, Pois sabe que a poesia é dádiva eterna. Ainda triste, vê com ironia: O poeta e a poesia nascem da melancolia... Dos amores partidos em seu coração. Poeta: Generino A.O

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