Está bem, está bem...
Tu és o professor...
Tu estavas certo, e eu errado também,
Admito, com dor...
Mas precisava ser tu o carrasco
De minha integridade...?
Precisavas fazer chasco
De minha inocência, sem humildade?
Precisavas me enganar?
Precisavas mesmo me humilhar!?
Que querias de mim ganhar,
Que querias me provar!?
Di-me d'uma vez, homem!
Se posso chamá-lo assim...
Pois tuas atitudes compõem
Apenas um perverso ser ruim!
Que é do teu coração?
Partiu a leilão!?
Quanto por ele pagarão?
– Eu não daria um tostão! –
Mas quem sou para fazer frente
Com alguém incoerente?
Hipócrita, indecente,
Mentiroso e doente!?
Eu não te desejo mal,
– E não preciso desejar –
Porque, agindo como agora, tal qual,
Tua própria ruína estás a cavar;
Aprendi minha lição,
Mesmo que tenha vindo sem pudor;
A ti, me resta dizer, de coração:
Obrigado, professor!
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Que desgraçado animal
Foi o Autor criar...
Só causa mal,
Com seu maldito contaminar!
Ora, que dizeis!?
Vedes pois a criação!
Não era perfeita antes de "vocês"
Amaldiçoarem a bendição!?
O que dizeis da pobre ave,
Dizeis de vós mesmos;
Vossa conduta é grave,
Em todos conhecidos termos!
Vamos pois a tribunal,
O tribunal dos tribunais:
Vosso coração é mal,
Mais pesado que a ave – muito mais!
Isto? Não é bom,
E ruim, é o pior:
Desprezasteis o dom,
O bom, o melhor!
Os certos são errados
Porque o mundo assim quis,
Por puro capricho
– Uma vontade infeliz! –
Não, como se da isso!?
Concebesteis e não preocupeis!?
Fazei-vos omissos
Sobre vontades de reis!?
Decerto, não é certo!
Olhar e nada fazer,
Estar por perto,
Ver e ouvir, mas não crer!
Pensais que sabeis?
Não, não e NÃO!!!
É incrível o que percebeis...
Mas num sentido vão!
Ides aos templos
Procurando salvação,
Quando sabeis há tempos
Que não mereceis sequer perdão!
Vos contamineis sem perceber,
Tragando da cura mais amarga,
Culpando, sem saber,
Os inocentes de praga;
Tudo isto? Culpa nossa.
Ponto final.
Seco. Ferida grossa,
Dolorosa e mortal.
O remédio é o arrependimento,
Sagrado é o crescer;
A salvação é o chamamento,
Salvação do perecer;
Morta a vida
Sem qualquer emoção,
Privada da ferida,
Mas também da salvação;
Sedes uma pomba, pois,
Nívea e inocente,
Para não amargurar depois
Das chamas da ausência quente;
Sedes pois uma rola,
Pequena, carinhosa,
Infantil, mas nada tola,
Toda esperançosa;
Generosidade e empatia,
Exercer com alegria,
Ser fiel companhia
A toda alma fria, vazia;
Pensar
Antes de agir,
Sempre pesar
O que pode polir, ou puir;
Dito isso, pombos,
Aqui estamos,
Em meio aos escombros
Que nos mesmos criamos...
Afinal, no fundo não passamos
De simples pombos,
Sobrevivendo do paraíso
Que nós mesmos arrasamos...
Gabriel Pires dos Santos,
IX de Outubro de 2026.
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Se eu ao menos me esforçasse,
Se de fato o quisesse,
Certamente conseguiria
Muitas coisas alcançar;
Talvez até despertasse
O que a alma não esquece
Em simples anos¹; talvez um dia
Queira dele² relembrar!
Se minha mente fosse simples, comum,
Não teria o azar
De a mim sempre assombrar
Tanto com dúvidas quanto desconhecimento;
Mas eu seria apenas mais um
Que nunca da vida foi duvidar,
Dos problemas, sempre caçoar...
Nunca enfrentar desalento!
Se "minh'alma" não fosse triste³,
Poeta eu não seria,
Seria mais um desocupado
Pelo mundo, sempre errando,
Com uma mente que insiste
Em continuar na vil ignorância,
Sem viver preocupado
Com o que o amanhã está me esperando!
E se eu não fosse eu...?
E se a verdade não existir...?
E se tudo for uma lavagem?
Que será de nós, sendo assim!?
O meu coração, o coração meu,
Sempre triste, a carpir,
Relembrando de minha passagem⁴
E dos terrores que à noite vêm a mim!
Rio de Janeiro, XIV de setembro do ano de MMXXV.
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NOTAS
¹ Simplesmente com o tempo;
² "Dele" refere-se ao esforço;
³ Alusão direta a "Minh'alma é triste" – C. de Abreu;
⁴ Passagem do tempo.
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Ai, que vergonha
Tenho agora...
Ai, que emoção tristonha,
Em mim mora...
Tudo pelo atestado
Que sorrateiro veio
Me ter transtornado,
Por se fazer meu receio...
"Não é vergonha"?
Vós sois loucos!?
Tendes pois a emoção enfadonha,
Que mata aos poucos...
"Chance"? De que!?
De se humilhar!?
Me pergunto porque
A isso fui me prestar...
Doloroso açoite,
Aquele imposto
Para retirar-nos a noite
De bom sono e gosto...
Pesa o encosto,
Avisando à fraca voz:
"Pague o imposto
Que deves a nós!"
Sistema cruel,
Amuralhado
Do inferno ao céu,
Nosso céu revirado...
Perdeu o sentido...
Vergonha alheia...
Agora nos é tido
Como ferida feia...
Quem se faz arrojado,
Presa ao caçador
De penas do pássaro fulminado
Por penas sem amor;
Depena a alma,
Penoso sofrimento,
Esculpido sem calma,
Só repressão e confinamento.
XVII de Julho do ano de MMXXVI.
Continuar lendo
Eu sou honesto?
E me pergunto:
De mim tenho apenas resto...
Ou, de fato seria tudo...?
Medo, insegurança...
Imaturidade, desesperança...
Afinal, que me assombra...?
Meu passado não é apenas sombra.
É uma crescente perdição...
Que me lota de confusão,
Que me fatiga o coração,
Ai, minha paixão!
Que é tão saliente...
Mas tão estridente...
Qu'inda assim, é tão envolvente...
Quiçá de mim se ausente...
Toda essa tristeza...
Talvez, sobre a janela,
Posta, sem certeza,
Jaz sobre essa vela
Que inflama meu coração
Me enchendo da tua maldição;
Agora me darás a mão,
Pedindo perdão!?
Terás de a mim vir,
Antes de dormir,
Para ter paz novamente.
Tuas ideias frequentes,
Deixaram a mim,
Nos escombros, no resto,
Mais Dúvidas e certezas; enfim,
Sou honesto.
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Sou honesto.
Mas dúvidas, certezas... Enfim,
Nos escombros, no resto,
Deixaram a mim
Tuas ideias frequentes.
Para ter paz novamente,
Antes de dormir,
Terás de a mim vir
Pedindo perdão!?
Agora me darás a mão,
Me enchendo da tua maldição
Que inflama meu coração?
Jaz sobre essa vela
Posta, sem certeza,
Sobre a janela,
Toda essa tristeza
– Quiçá de mim se ausente... –
Qu'inda assim é tão envolvente...
Mas tão estridente...
Que é tão saliente...
Ai, minha paixão!
Que me fatiga o coração,
Que me lota de confusão,
É uma crescente perdição...
Meu passado não é apenas sombra.
Afinal, que me assombra...?
Imaturidade, desesperança...
Medo, insegurança...
Ou, de fato, seria tudo?
De mim, tenho apenas o resto...
E me pergunto:
Eu sou honesto?
Rio de Janeiro, XIV de setembro de MMXXVI.
Continuar lendo
Mundo cruel
E sem consolo;
Olho para o céu
E só consigo me sentir tolo...
Fatigado,
Incapaz,
Cansado
Da ausência de paz...
Tudo parece
Um penar sem fim
Que aparece
Apenas a mim...
Olhando ao redor,
Apenas dor;
Sei de cor
Os sofrimentos sem cor
Que sempre se fazem
Em nossas tristes vidas,
E sempre se prazem
De nossas feridas...
Pareceis resolutos
Em vossa caminhada...
Histórias de adultos
Em feliz chegada
Carregareis?
Sereis pois minha lembrança,
Autoritários reis
Diminuindo minha esperança
Que já pouca é?
Que afinal, quereis?
Toda minha fé
Por fim tomeis...
Se nasci
Para ser o inútil
Que sempre cresci
Sendo,
Que assim seja!
Se pois o deseja...
De meu coração a igreja
Que já nada mais almeja,
Findada em escombros,
Com infinito peso nos ombros,
Mente em assombros
Que se fazem hediondos...
Sedes pois meu castigo,
Ausência de abrigo,
Mortal inimigo,
Que sempre por detrás sigo!
Mundo cruel,
Maldoso, infiel,
Fazendo do céu
Um infinito e negro véu!
Flor primaveril,
Pelo céu anil,
De minha alma és o funil
De meu auxílio gentil!
Auxílio,
De minha alma,
De meu exílio,
Transgressor de calma...
Imponente arpão
De meu coração,
Capturado sem emoção:
Castigo sem razão!
Do começo ao fim,
Do fim ao começo,
De ti a mim,
De mim ao tropeço
Inevitável,
Autoridade inexorável,
Matando a inefável
Doçura amável...
Tamanha tristeza,
Nesse mundo de avareza,
Dotado da magreza
De beleza...
Versos...
Infinitos universos...
Diversos...
Cansáveis de tão complexos...
Me recuso a assinar esta, muito menos destina-la,
Rio de Janeiro, um dia de inverno em Julho.
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O qu'eu mais temia
Se realizou...
Toda alegria
Por fim me deixou,
E és o porquê...
Certo dia
Fez-se em mim
O sonhado,
Adorável
E feliz amor...
Qu'antes enchia
Meu coração...
Terna melodia,
De consolação,
O meu viver...
Mas quiseste me deixar,
Pra nunca mais em mim soar,
E para o implôro em mim ficar...
Imploro a ti,
Compaixão de ti,
Volte a me compor...
A ser meu ardor...
Doce amor...
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Foste minha vida,
E minha paixão...
Minha querida
E tão suave canção,
Mediadora...
Quando voltarei
A ter-te
Eu não sei...
Não depende
De mim este querer...
Choram, sem calma
As cachoeiras
De minha alma
Cheias de tristezas,
Por não mais te ter
Mas, talvez, em algum dia
Eu volte a ouvir tu'harmonia,
E, por fim, eu ouça esta canção
Toda de ti,
Que um dia quis partir
Meu ausente amor...
Constante pavor...
E eterna dor.
Rio de Janeiro, I de Agosto de 2026.
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Tu não sabes que desejo,
Visão mais agraciada;
Como o mais bonito arpejo
É estar na morada
Que fosse minha, apenas,
Mas fez-se empecilho maior:
Me vieste com mil penas,
Numa nação 'inda pior;
Que é pior do que viver
De eterno exílio,
Sem ao menos poder
Contar com algum auxílio?
Que é pior do que sofrer
Sabendo que é em vão,
Sabendo que vai morrer
Com um vazio no coração?
Na morada queria estar,
Desfrutar de alegria,
Mas já vi a vida passar
Sem realizar esta fantasia...
E não me venhas pensar
Que isso se dá por omissão,
Quando na verdade têm lugar
Por falta de opção...
A história se repetira,
E repetirá outra vez,
Pregando a mesma mentira
– Ainda pior, talvez... –
O duplo sentido
Que tem a minha vida
Não fôra jamais omitido
Nessa inútil corrida;
De migalha em migalha,
De vil grão em vil grão,
Tornamos à mesma falha,
Sem tomar correção;
Trabalhar o dia todo, todo dia,
Na honesta Terra Adorada,
Na espera da alegria
E da eterna namorada.
Rio de Janeiro, I de Setembro de 2026.
Continuar lendo
Toda noite,
Exalava aquela
Irresistível fragrância,
Na esperança, na ânsia
De ter uma bela
Surpresa da sorte;
Todos admiravam:
"Que perfume emana!"
Porém, ninguém ia ter
Com a exausta a entristecer,
Com a pobre dama
Que ignoravam!
Aproximou-se o morcego,
Exclamando, a admirar:
"Que magnífico odor
Tem esta flor!"
Pondo-se a procurar
A autora de seu conchego;
Finalmente a achou,
Chegando-se, incrédulo:
"Como conseguem ignorar
Este esplendoroso olhar!?"
A dama, inda mais incrédula,
Não se conteve, e chorou;
"Por que choras,"
– Ele perguntou, –
"Tão bela madama!?"
Respondeu a dama:
"Tu me procurou
Por longas horas!
Mereço isto tudo!?"
– Desacreditada continuou –
E o morcego,
No maior dessossego:
"Ninguém te amou,
Em todo este mundo?"
Confirmou, com dor
E renovada esperança;
"Não te aflijas mais,
Pois quero-te demais!"
A flor tornou-se criança,
Desfrutou de pueril amor;
Toda noite ela esperava,
Toda noite a ela ele retornava,
Toda noite eles encontravam
No outro o que procuravam:
Um ao outro acompanhava,
E, demasiadamente, amava;
Certa noite, foi-se ele
Como dantes, procurar
Pela sua fiel companheira,
Amiga leal primeira,
Mas esta pôs-se a chorar
Novamente em presença dele,
Pois a hora era chegada,
O último aroma ela emanou,
Num rápido último olhar,
Ela ao outro foi deixar,
Como tudo começou:
Companhia desejada.
Rio de Janeiro, XXX de agosto de 2026.
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Oh, onde parareis!? Por que não pensais um pouco – apenas um pouco! – como eu, ainda que reconheça, humildemente, ser tão desconhecedor da realidade que nos cerca quanto vós!? Por que ao menos não pareis e refletis o mínimo possível sobre este tão desvairado rumo que toma a humanidade, quero eu dizer? De uma coisa bem sei, pouco melhor que vós encontro-me – digo-vos em ausência de egoísmo, não atribuís isto a mim, por Deus! – por sustentar mínima consciência – existente, ainda que diminuta.
Distância eu desejo manter de vós e vossas péssimas ações, mas não mais consigo esconder tamanha insatisfação que há muito compõe minh'alma...
Eterna confusão há de coexistir comigo, me privando de toda e qualquer expressão de paz que se poderia fazer em mim? Di-me, oh, Senhor! Que nesta estrada não mais posso seguir sem sentido – não mais, não! Nada é-me claro, o mundo sufoca-me em mim mesmo até a lividez completa única e somente por este meu pensar tão crítico! Que queres Tu, Deus, de mim, minha pessoa, nesta Terra tão inóspita e devastadora!?
Não mais sei que dizer, to juro... Por isto, creio ser sábia decisão calar a pena por longo tempo, depois das vistas correntes palavras – que dela jorraram tão naturalmente quanto a inevitável chegada fúnebre.
Despeço-me, inda mais confuso do que quando comecei a redigir esta. E'-me claro que certamente de nada adiantou-me.
Que assim seja: apenas o progresso nos conduza de aqui em diante, muito embora eu o duvide – senão completamente, quase.
Talvez cordialmente,
G.d.L
Rio de Janeiro, IV de Agosto do ano de 2026.
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