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G. di Lettieri

@Gabrien_de_Pieri · desde 2026

"O mais próximo que podemos chegar da perfeição, é reconhecer que não somos perfeitos."

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Drama

Professor

Está bem, está bem... Tu és o professor... Tu estavas certo, e eu errado também, Admito, com dor... Mas precisava ser tu o carrasco De minha integridade...? Precisavas fazer chasco De minha inocência, sem humildade? Precisavas me enganar? Precisavas mesmo me humilhar!? Que querias de mim ganhar, Que querias me provar!? Di-me d'uma vez, homem! Se posso chamá-lo assim... Pois tuas atitudes compõem Apenas um perverso ser ruim! Que é do teu coração? Partiu a leilão!? Quanto por ele pagarão? – Eu não daria um tostão! – Mas quem sou para fazer frente Com alguém incoerente? Hipócrita, indecente, Mentiroso e doente!? Eu não te desejo mal, – E não preciso desejar – Porque, agindo como agora, tal qual, Tua própria ruína estás a cavar; Aprendi minha lição, Mesmo que tenha vindo sem pudor; A ti, me resta dizer, de coração: Obrigado, professor!

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Vida

Pombos

Que desgraçado animal Foi o Autor criar... Só causa mal, Com seu maldito contaminar! Ora, que dizeis!? Vedes pois a criação! Não era perfeita antes de "vocês" Amaldiçoarem a bendição!? O que dizeis da pobre ave, Dizeis de vós mesmos; Vossa conduta é grave, Em todos conhecidos termos! Vamos pois a tribunal, O tribunal dos tribunais: Vosso coração é mal, Mais pesado que a ave – muito mais! Isto? Não é bom, E ruim, é o pior: Desprezasteis o dom, O bom, o melhor! Os certos são errados Porque o mundo assim quis, Por puro capricho – Uma vontade infeliz! – Não, como se da isso!? Concebesteis e não preocupeis!? Fazei-vos omissos Sobre vontades de reis!? Decerto, não é certo! Olhar e nada fazer, Estar por perto, Ver e ouvir, mas não crer! Pensais que sabeis? Não, não e NÃO!!! É incrível o que percebeis... Mas num sentido vão! Ides aos templos Procurando salvação, Quando sabeis há tempos Que não mereceis sequer perdão! Vos contamineis sem perceber, Tragando da cura mais amarga, Culpando, sem saber, Os inocentes de praga; Tudo isto? Culpa nossa. Ponto final. Seco. Ferida grossa, Dolorosa e mortal. O remédio é o arrependimento, Sagrado é o crescer; A salvação é o chamamento, Salvação do perecer; Morta a vida Sem qualquer emoção, Privada da ferida, Mas também da salvação; Sedes uma pomba, pois, Nívea e inocente, Para não amargurar depois Das chamas da ausência quente; Sedes pois uma rola, Pequena, carinhosa, Infantil, mas nada tola, Toda esperançosa; Generosidade e empatia, Exercer com alegria, Ser fiel companhia A toda alma fria, vazia; Pensar Antes de agir, Sempre pesar O que pode polir, ou puir; Dito isso, pombos, Aqui estamos, Em meio aos escombros Que nos mesmos criamos... Afinal, no fundo não passamos De simples pombos, Sobrevivendo do paraíso Que nós mesmos arrasamos... Gabriel Pires dos Santos, IX de Outubro de 2026.

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Efêmero

Elegia XXVI ou... E Se...?

Se eu ao menos me esforçasse, Se de fato o quisesse, Certamente conseguiria Muitas coisas alcançar; Talvez até despertasse O que a alma não esquece Em simples anos¹; talvez um dia Queira dele² relembrar! Se minha mente fosse simples, comum, Não teria o azar De a mim sempre assombrar Tanto com dúvidas quanto desconhecimento; Mas eu seria apenas mais um Que nunca da vida foi duvidar, Dos problemas, sempre caçoar... Nunca enfrentar desalento! Se "minh'alma" não fosse triste³, Poeta eu não seria, Seria mais um desocupado Pelo mundo, sempre errando, Com uma mente que insiste Em continuar na vil ignorância, Sem viver preocupado Com o que o amanhã está me esperando! E se eu não fosse eu...? E se a verdade não existir...? E se tudo for uma lavagem? Que será de nós, sendo assim!? O meu coração, o coração meu, Sempre triste, a carpir, Relembrando de minha passagem⁴ E dos terrores que à noite vêm a mim! Rio de Janeiro, XIV de setembro do ano de MMXXV. ‐-----------------------‐-----------------------‐-----------------------‐-------- NOTAS ¹ Simplesmente com o tempo; ² "Dele" refere-se ao esforço; ³ Alusão direta a "Minh'alma é triste" – C. de Abreu; ⁴ Passagem do tempo.

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Seriedade

Atestado de Vergonha

Ai, que vergonha Tenho agora... Ai, que emoção tristonha, Em mim mora... Tudo pelo atestado Que sorrateiro veio Me ter transtornado, Por se fazer meu receio... "Não é vergonha"? Vós sois loucos!? Tendes pois a emoção enfadonha, Que mata aos poucos... "Chance"? De que!? De se humilhar!? Me pergunto porque A isso fui me prestar... Doloroso açoite, Aquele imposto Para retirar-nos a noite De bom sono e gosto... Pesa o encosto, Avisando à fraca voz: "Pague o imposto Que deves a nós!" Sistema cruel, Amuralhado Do inferno ao céu, Nosso céu revirado... Perdeu o sentido... Vergonha alheia... Agora nos é tido Como ferida feia... Quem se faz arrojado, Presa ao caçador De penas do pássaro fulminado Por penas sem amor; Depena a alma, Penoso sofrimento, Esculpido sem calma, Só repressão e confinamento. XVII de Julho do ano de MMXXVI.

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Drama

Elegia XXIII ou Reflexão Reversa

Eu sou honesto? E me pergunto: De mim tenho apenas resto... Ou, de fato seria tudo...? Medo, insegurança... Imaturidade, desesperança... Afinal, que me assombra...? Meu passado não é apenas sombra. É uma crescente perdição... Que me lota de confusão, Que me fatiga o coração, Ai, minha paixão! Que é tão saliente... Mas tão estridente... Qu'inda assim, é tão envolvente... Quiçá de mim se ausente... Toda essa tristeza... Talvez, sobre a janela, Posta, sem certeza, Jaz sobre essa vela Que inflama meu coração Me enchendo da tua maldição; Agora me darás a mão, Pedindo perdão!? Terás de a mim vir, Antes de dormir, Para ter paz novamente. Tuas ideias frequentes, Deixaram a mim, Nos escombros, no resto, Mais Dúvidas e certezas; enfim, Sou honesto. ‐-----------------------‐-----------------------‐----------------------‐--------- Sou honesto. Mas dúvidas, certezas... Enfim, Nos escombros, no resto, Deixaram a mim Tuas ideias frequentes. Para ter paz novamente, Antes de dormir, Terás de a mim vir Pedindo perdão!? Agora me darás a mão, Me enchendo da tua maldição Que inflama meu coração? Jaz sobre essa vela Posta, sem certeza, Sobre a janela, Toda essa tristeza – Quiçá de mim se ausente... – Qu'inda assim é tão envolvente... Mas tão estridente... Que é tão saliente... Ai, minha paixão! Que me fatiga o coração, Que me lota de confusão, É uma crescente perdição... Meu passado não é apenas sombra. Afinal, que me assombra...? Imaturidade, desesperança... Medo, insegurança... Ou, de fato, seria tudo? De mim, tenho apenas o resto... E me pergunto: Eu sou honesto? Rio de Janeiro, XIV de setembro de MMXXVI.

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Sinceridade

Elegia XXII ou Exaustão

Mundo cruel E sem consolo; Olho para o céu E só consigo me sentir tolo... Fatigado, Incapaz, Cansado Da ausência de paz... Tudo parece Um penar sem fim Que aparece Apenas a mim... Olhando ao redor, Apenas dor; Sei de cor Os sofrimentos sem cor Que sempre se fazem Em nossas tristes vidas, E sempre se prazem De nossas feridas... Pareceis resolutos Em vossa caminhada... Histórias de adultos Em feliz chegada Carregareis? Sereis pois minha lembrança, Autoritários reis Diminuindo minha esperança Que já pouca é? Que afinal, quereis? Toda minha fé Por fim tomeis... Se nasci Para ser o inútil Que sempre cresci Sendo, Que assim seja! Se pois o deseja... De meu coração a igreja Que já nada mais almeja, Findada em escombros, Com infinito peso nos ombros, Mente em assombros Que se fazem hediondos... Sedes pois meu castigo, Ausência de abrigo, Mortal inimigo, Que sempre por detrás sigo! Mundo cruel, Maldoso, infiel, Fazendo do céu Um infinito e negro véu! Flor primaveril, Pelo céu anil, De minha alma és o funil De meu auxílio gentil! Auxílio, De minha alma, De meu exílio, Transgressor de calma... Imponente arpão De meu coração, Capturado sem emoção: Castigo sem razão! Do começo ao fim, Do fim ao começo, De ti a mim, De mim ao tropeço Inevitável, Autoridade inexorável, Matando a inefável Doçura amável... Tamanha tristeza, Nesse mundo de avareza, Dotado da magreza De beleza... Versos... Infinitos universos... Diversos... Cansáveis de tão complexos... Me recuso a assinar esta, muito menos destina-la, Rio de Janeiro, um dia de inverno em Julho.

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Arte

Tristeza (à melodia do Etude in E Op. 10 No. 3 de Frédéric Chopin)

O qu'eu mais temia Se realizou... Toda alegria Por fim me deixou, E és o porquê... Certo dia Fez-se em mim O sonhado, Adorável E feliz amor... Qu'antes enchia Meu coração... Terna melodia, De consolação, O meu viver... Mas quiseste me deixar, Pra nunca mais em mim soar, E para o implôro em mim ficar... Imploro a ti, Compaixão de ti, Volte a me compor... A ser meu ardor... Doce amor... ‐-----------------------‐-----------------------‐-----------------------‐-------- Foste minha vida, E minha paixão... Minha querida E tão suave canção, Mediadora... Quando voltarei A ter-te Eu não sei... Não depende De mim este querer... Choram, sem calma As cachoeiras De minha alma Cheias de tristezas, Por não mais te ter Mas, talvez, em algum dia Eu volte a ouvir tu'harmonia, E, por fim, eu ouça esta canção Toda de ti, Que um dia quis partir Meu ausente amor... Constante pavor... E eterna dor. Rio de Janeiro, I de Agosto de 2026.

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Milagre

Romance XXII ou Na Morada

Tu não sabes que desejo, Visão mais agraciada; Como o mais bonito arpejo É estar na morada Que fosse minha, apenas, Mas fez-se empecilho maior: Me vieste com mil penas, Numa nação 'inda pior; Que é pior do que viver De eterno exílio, Sem ao menos poder Contar com algum auxílio? Que é pior do que sofrer Sabendo que é em vão, Sabendo que vai morrer Com um vazio no coração? Na morada queria estar, Desfrutar de alegria, Mas já vi a vida passar Sem realizar esta fantasia... E não me venhas pensar Que isso se dá por omissão, Quando na verdade têm lugar Por falta de opção... A história se repetira, E repetirá outra vez, Pregando a mesma mentira – Ainda pior, talvez... – O duplo sentido Que tem a minha vida Não fôra jamais omitido Nessa inútil corrida; De migalha em migalha, De vil grão em vil grão, Tornamos à mesma falha, Sem tomar correção; Trabalhar o dia todo, todo dia, Na honesta Terra Adorada, Na espera da alegria E da eterna namorada. Rio de Janeiro, I de Setembro de 2026.

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Fábula

Romance XXI ou Dama da Noite

Toda noite, Exalava aquela Irresistível fragrância, Na esperança, na ânsia De ter uma bela Surpresa da sorte; Todos admiravam: "Que perfume emana!" Porém, ninguém ia ter Com a exausta a entristecer, Com a pobre dama Que ignoravam! Aproximou-se o morcego, Exclamando, a admirar: "Que magnífico odor Tem esta flor!" Pondo-se a procurar A autora de seu conchego; Finalmente a achou, Chegando-se, incrédulo: "Como conseguem ignorar Este esplendoroso olhar!?" A dama, inda mais incrédula, Não se conteve, e chorou; "Por que choras," – Ele perguntou, – "Tão bela madama!?" Respondeu a dama: "Tu me procurou Por longas horas! Mereço isto tudo!?" – Desacreditada continuou – E o morcego, No maior dessossego: "Ninguém te amou, Em todo este mundo?" Confirmou, com dor E renovada esperança; "Não te aflijas mais, Pois quero-te demais!" A flor tornou-se criança, Desfrutou de pueril amor; Toda noite ela esperava, Toda noite a ela ele retornava, Toda noite eles encontravam No outro o que procuravam: Um ao outro acompanhava, E, demasiadamente, amava; Certa noite, foi-se ele Como dantes, procurar Pela sua fiel companheira, Amiga leal primeira, Mas esta pôs-se a chorar Novamente em presença dele, Pois a hora era chegada, O último aroma ela emanou, Num rápido último olhar, Ela ao outro foi deixar, Como tudo começou: Companhia desejada. Rio de Janeiro, XXX de agosto de 2026.

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Sinceridade

Carta – Segunda Parte

Oh, onde parareis!? Por que não pensais um pouco – apenas um pouco! – como eu, ainda que reconheça, humildemente, ser tão desconhecedor da realidade que nos cerca quanto vós!? Por que ao menos não pareis e refletis o mínimo possível sobre este tão desvairado rumo que toma a humanidade, quero eu dizer? De uma coisa bem sei, pouco melhor que vós encontro-me – digo-vos em ausência de egoísmo, não atribuís isto a mim, por Deus! – por sustentar mínima consciência – existente, ainda que diminuta. Distância eu desejo manter de vós e vossas péssimas ações, mas não mais consigo esconder tamanha insatisfação que há muito compõe minh'alma... Eterna confusão há de coexistir comigo, me privando de toda e qualquer expressão de paz que se poderia fazer em mim? Di-me, oh, Senhor! Que nesta estrada não mais posso seguir sem sentido – não mais, não! Nada é-me claro, o mundo sufoca-me em mim mesmo até a lividez completa única e somente por este meu pensar tão crítico! Que queres Tu, Deus, de mim, minha pessoa, nesta Terra tão inóspita e devastadora!? Não mais sei que dizer, to juro... Por isto, creio ser sábia decisão calar a pena por longo tempo, depois das vistas correntes palavras – que dela jorraram tão naturalmente quanto a inevitável chegada fúnebre. Despeço-me, inda mais confuso do que quando comecei a redigir esta. E'-me claro que certamente de nada adiantou-me. Que assim seja: apenas o progresso nos conduza de aqui em diante, muito embora eu o duvide – senão completamente, quase. Talvez cordialmente, G.d.L Rio de Janeiro, IV de Agosto do ano de 2026.

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