Pombos
Que desgraçado animal Foi o Autor criar... Só causa mal, Com seu maldito contaminar! Ora, que dizeis!? Vedes pois a criação! Não era perfeita antes de "vocês" Amaldiçoarem a bendição!? O que dizeis da pobre ave, Dizeis de vós mesmos; Vossa conduta é grave, Em todos conhecidos termos! Vamos pois a tribunal, O tribunal dos tribunais: Vosso coração é mal, Mais pesado que a ave – muito mais! Isto? Não é bom, E ruim, é o pior: Desprezasteis o dom, O bom, o melhor! Os certos são errados Porque o mundo assim quis, Por puro capricho – Uma vontade infeliz! – Não, como se da isso!? Concebesteis e não preocupeis!? Fazei-vos omissos Sobre vontades de reis!? Decerto, não é certo! Olhar e nada fazer, Estar por perto, Ver e ouvir, mas não crer! Pensais que sabeis? Não, não e NÃO!!! É incrível o que percebeis... Mas num sentido vão! Ides aos templos Procurando salvação, Quando sabeis há tempos Que não mereceis sequer perdão! Vos contamineis sem perceber, Tragando da cura mais amarga, Culpando, sem saber, Os inocentes de praga; Tudo isto? Culpa nossa. Ponto final. Seco. Ferida grossa, Dolorosa e mortal. O remédio é o arrependimento, Sagrado é o crescer; A salvação é o chamamento, Salvação do perecer; Morta a vida Sem qualquer emoção, Privada da ferida, Mas também da salvação; Sedes uma pomba, pois, Nívea e inocente, Para não amargurar depois Das chamas da ausência quente; Sedes pois uma rola, Pequena, carinhosa, Infantil, mas nada tola, Toda esperançosa; Generosidade e empatia, Exercer com alegria, Ser fiel companhia A toda alma fria, vazia; Pensar Antes de agir, Sempre pesar O que pode polir, ou puir; Dito isso, pombos, Aqui estamos, Em meio aos escombros Que nos mesmos criamos... Afinal, no fundo não passamos De simples pombos, Sobrevivendo do paraíso Que nós mesmos arrasamos... Gabriel Pires dos Santos, IX de Outubro de 2026.
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