Foto de S A M U E L

S A M U E L

@Elv · desde 2020

versos para quem fica quando tudo pede ruído @umbra.etlucem

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Mas se...

. Se eu fosse eu Neste exato capítulo Reconheceria o mal que faço Assumiria minha culpa Reconheceria minha fraqueza E tiraria meu orgulho Se eu fosse eu Dobraria meus joelhos Rezaria em prece sem cessar Pedindo o Espírito que vivifica Clareza, retidão e precisão Para os meus dias Se eu fosse eu Assumiria que o prazo está chegando Que o limite por mim estabelecido está próximo Diria que está bom também onde estou Colocaria nome a todas as forças que me puxam E me aprontaria para um tiro certeiro Se eu fosse eu Não esconderia o medo Do fracasso, da dificuldade e do imprevisto Assumiria todo risco e arriscaria, com coragem E força, com a fidelidade e a força Daquele idealista menino Se eu fosse eu Agradeceria todo o apoio dado Reconheceria o mesmo padrão Que, entre o que queria e o meu querer, Meu psiquismo sempre foi Minha força e meu aguilhão Se eu fosse eu Entenderia meus porquês Não passaria pano aos meus erros Mas daria força aos meus acertos E reconheceria que o fatal que havia, Por bem ou por mal, não chegou Se eu fosse eu Reconheceria meus 25 Que, para os 26, obtive sortes Que, dos 18 aos 22, não teria Se não houvesse arriscado O “pagar para ver” Se eu fosse eu Entenderia que toda mudança é parto Que mover rodas e engrenagens é esforço Que trazer algo novo sempre requer Temperar com tempo, insistência E um pouco de sorte Se eu fosse eu Reconheceria meu chamado à sabedoria E daria enfoque à busca de algo etéreo Que me faça passar por belos lugares Sem nunca se culpar Por não chegar Se eu fosse eu Assumiria minha descontentação Que não é sanada por cargo ou estado Do mais rico destino ao miserável Que nenhum lugar consigo achar Toda água em meio ao oceano Se eu fosse eu Não esconderia as misérias Nem lutaria contra as fragilidades Não poria a faca por entre escamas Não feriria com aço frio racional Toda quente carne viva Se eu fosse eu Diria que não sou tudo Mas que sou muito e, nesse muito, Exploro e faço tão pouco Mas, nesse pouco que assumo, Te digo um “sinto muito” Faço um novo: de novo

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Uma ideia

. Eu agachei e sentei Coloquei os pés em seu lugar Levei as mãos rosto Um vento e um sopro Um calor ao enchergar Olhei ao que passou E tentei algo combinar Assobiei para o tempo Um pássaro, um farfalhar E o dia parou Eu dancei só Ao som de minha companhia Sem observador, eu errei Escorreguei e me recobrei Sorri, e o tempo mudou Assustei em forte medo Minha criança que observa Aos moldes, corridas e golpes Com desejos grandiosos Fiquei pequeno Pensei falando tudo Que coube na língua-dente Dizendo a Deus e a mim mesmo Em agradecimentos e pedidos Que jurei que não faria mais Me empenhei e tentei Atrás de uma vaidade honesta Sufoquei em banho o espírito Insubimisso e árido Pelos dias martelados Passou tudo e se foi Duramente aceitei E fiz muito no pouco Sobre a ameaça do novo Nunca estive no topo Mas farei meu voo

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Misantropia

• Misantropia Incapaz de sentir, ecoa como forma densa, mas não habita em mim. É tão mais fácil levantar o tom e, em golpe, rapiar a mesa; mas é de tristeza e afeição a minha presente decepção. E meu passo era teu passo, e sem receio ajoelhou-se. Jogando peso, osso no rosto, eu cedi, me quebrou. Arrastando e recolhendo sangue, pensando em dias ao fogo, todos em vácuo vão. Pra mim, basta. Acovardo meu amor, minha identidade e vida, em troca da segurança dada, que ao meu lado... Não há ninguém do lado.

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Som não poema

Edit:um transe ...............Eeen...rosco troco.....traves É Metrica, rouca Farsa........Rasga Raspa e Rala É......paga BataPortas Em.....troca im...porta Pasta....passa.em....paz Já que no que vai Entorta forca Cai. Cai.mais No que tem.... Carta casta Engorda .....Masca Por.porém Parta Corroa Entalha Louca... Cadeia ...Candelas Paira Trouxa. Encolha Lampeja ................Voa Soma... Espalha... Em...presta ....Molda Navalha.... Suprema... ....Omerica Imediata Roupa Máscara...Histérica Leitura....Oca Acabe Repousa.

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Inventário

Café açucarado Amendoim doce Musculatura rija e fria Corda vibrante invisível Rosto e espinhas Céu cinza cheiro velho Números de tempo Números de sustento Número sem energia Ausente por hoje Campo e sinfonia O amor de uma vida O bicho da travessia O impedimento marcado O simples virando complicado Traquejo desconexo Arte de falar muito bem Coeficiente do desuso A vida qual cachoeira Dobrando em pancadas de areia Saque aniversário Disputa de sanidade Olhar mirando as frestas A harmonia do ruído Correr feliz Um mundo que desaba Que desaba comigo

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Que ame

# Que lei bruta Crescente quanto a idade Dita pelo Divino Que, quanto mais inflado, Mais complicado o sentido Que ame Que ame o teu O perto alheio E que ame como se ama Que se ame Minha criança dizia: "É óbvio, tudo já é assim Adultos são complicados Nós mal conhecemos e já amamos Dificuldade? Não vejo" Que lógica tenebrosa Em uma palavra já por todos comida Cuspida, puxada e retorcida Mal vivida, ainda que lembrada Desconhecida Que ame E do que de fato é feito isso? Onde encontro uma posse dessa? Parece uma borda infinita De um limite desconhecido Se vejo dentro um abismo infindo Se tu és o semelhante que dizem E já sendo tal coisa etérea Para ser algo de tão de outro mundo e de outra matéria Se digo que o possuo Talvez seja então um órgão autônomo Que não precisa de pensamento Para digerir o bater em ritmo Apenas se vai e sente E a si? Se gosta? Se curte? Se ama? O desconhecido é mais conhecido É bem melhor tratado E desejado Parece órbita Que, quanto mais distante, Mais é por si mesma nobre Mais épica e inebriante Por que não ordinária? Eu caí num erro básico E fascinei-me pelas fadas De cuja púrpura me encantou E percebi: amar e cuidar Multiplicam-se no permanecer E o que é abusivo adoece De congestões e finos tratos Parece que todo relacionar-se é arte E um joguete de faces Pois pintamos nos outros Os nossos próprios traços E digo que medito E, se passo a me embriagar, Percebo que, quanto mais entendo, Mais o amar se torna refinado Mais belo e sensibilizado . Mais longínquo . . Menos amado . . . E por isso . [um tormento.] ●

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Professor

• Mestre, me escute Antes deles ouvirem Ao que veio, reanimei Tratei, curei como pude Tentei, eu cuidei. Se a paciência é virtude, Mestre, como pôde? Como foi possível esquecer? Como deixei de ver O que urde? Como então não ceder Ao que vem e se funde? Ao que se crava, se lança Se trava no peito De que jeito? Mestre, você não se ilude Sabe de cor todo feito Sabe que de pó e cinza Traz, feito esse vento Valseado, imperfeito. Me ouve bem Pois tracei de preto Todo saber e desejo Sendo estranho a mim Eu amo e renego. E me aponte teu dedo Bem ao centro dos olhos Rasgue, por assim, o osso E junte todas as graças Com todos os defeitos. Eu ainda amo Algo que não lembro Feito feição que se ofusca E indignado digo que me importo Sem lembrar mais do teu jeito. Mestre, professor Meu maestro, ouvidor Teu decreto se queimou no tempo Teu provérbio é agraciado Ainda que mal lembrado. Não é Passado.

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Mesmo sem querer.

~• Coisa boa é a memória Não vou soltar esse ponto Há, em contos e prosas, Um trilhão de portas Mas assim me é Do jeito que é, vai ser Lentamente, páginas virar Até a cortina das retinas ceder A sensibilidade acatada Em bruto forno a ecoar Queria muitos “querias” Não aprendi a ficar Saiba só de outro jeito Andar sem tanto espeto Seguir sem ignição Ou breves doses de intento Faria da água meu lazer Sem a estimulativa pressa Não interpretaria calma como cansaço Nem como paz resignada Por favor, venha entender Que o acúmulo das quedas Trouxe-me um peso silencioso Tornei-me rijo demais para andar Eu esqueci de parar Toquei um ritmo intenso e forte Quando a cura sempre veio No silêncio e na quietude Apaixonei-me outra vez Num alto declive nauseante Faz, pois, assim entender: Soltei a mão do balão distante Trouxe o que pude trazer O estado humano quebrado E talvez um pouco de entardecer Num ditoso significado Assim vai ser Tutano e osso sugados Voltarei os olhos ao que vier Pois, mesmo sem querer, assim vai ser Entregue ao acaso.

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Singela

---• Castanho claro, Lírios ao centro, Margarida jovem, frágil, Tom de revestimento. Vitalidade forte, O encontro ao alcance, Atenção e busca, Ainda distantes. Curiosa, é claro, O medo encoberto, Moça de dilemas e sorte Em tal jardim secreto. Existe sede de ser amada E sede de ser descoberta. No tempo de ser olhada, Não se vê bela. Um bruto mundo feito a ti, Tudo é tão mais do que se é. A moeda é a atenção, Tomou para si outra vida Regou o próprio jardim, O decorou de rosas. Não esperou nem aguardou Que alguém lhe trouxesse flores. Forte desejo de ser cultivada, Foi jovem, foi menina, Guiada pelo primeiro Que te roubou, querida. Uma caixinha de palha De cacos e feridas. Custa a certa cura Do próprio amor. És pedaço meu, Minha cria, Singela melancolia, Teu torto olhar. Minha dor.

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Paixão pela noite

~● Pairou a névoa Um manto gélido Céu sílico pétreo Um espelho negro Belo e quebrado Deitando sobre a terra Caminhando aos olhos Pude perder de vista Na próxima virada Na distante esquina Eu me cativei Por um frio gélido Por uma cor escura Densa e profunda Que me fez orbitar Eu quis pintar tudo De uma cor preta E não me satisfiz Até tudo ficar Solidamente escuro Fui tomado, fui caçado E capturado, e eu quis Mesmo um dia amado claro Amei escuro E me escondi Tão paixão se emudece E beira o contorno da letra Sutilmente se percebe Uma energia viva e pacífica De uma espiral penumbra Adoço e assim tempero Pois dar lugar é fatal Pois sou muito, muito pouco E te afundo e absorvo Teu jeito, teu rosto Eu acho que amo o fundo do poço

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