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Se eu fosse eu
Neste exato capítulo
Reconheceria o mal que faço
Assumiria minha culpa
Reconheceria minha fraqueza
E tiraria meu orgulho
Se eu fosse eu
Dobraria meus joelhos
Rezaria em prece sem cessar
Pedindo o Espírito que vivifica
Clareza, retidão e precisão
Para os meus dias
Se eu fosse eu
Assumiria que o prazo está chegando
Que o limite por mim estabelecido está próximo
Diria que está bom também onde estou
Colocaria nome a todas as forças que me puxam
E me aprontaria para um tiro certeiro
Se eu fosse eu
Não esconderia o medo
Do fracasso, da dificuldade e do imprevisto
Assumiria todo risco e arriscaria, com coragem
E força, com a fidelidade e a força
Daquele idealista menino
Se eu fosse eu
Agradeceria todo o apoio dado
Reconheceria o mesmo padrão
Que, entre o que queria e o meu querer,
Meu psiquismo sempre foi
Minha força e meu aguilhão
Se eu fosse eu
Entenderia meus porquês
Não passaria pano aos meus erros
Mas daria força aos meus acertos
E reconheceria que o fatal que havia,
Por bem ou por mal, não chegou
Se eu fosse eu
Reconheceria meus 25
Que, para os 26, obtive sortes
Que, dos 18 aos 22, não teria
Se não houvesse arriscado
O “pagar para ver”
Se eu fosse eu
Entenderia que toda mudança é parto
Que mover rodas e engrenagens é esforço
Que trazer algo novo sempre requer
Temperar com tempo, insistência
E um pouco de sorte
Se eu fosse eu
Reconheceria meu chamado à sabedoria
E daria enfoque à busca de algo etéreo
Que me faça passar por belos lugares
Sem nunca se culpar
Por não chegar
Se eu fosse eu
Assumiria minha descontentação
Que não é sanada por cargo ou estado
Do mais rico destino ao miserável
Que nenhum lugar consigo achar
Toda água em meio ao oceano
Se eu fosse eu
Não esconderia as misérias
Nem lutaria contra as fragilidades
Não poria a faca por entre escamas
Não feriria com aço frio racional
Toda quente carne viva
Se eu fosse eu
Diria que não sou tudo
Mas que sou muito e, nesse muito,
Exploro e faço tão pouco
Mas, nesse pouco que assumo,
Te digo um “sinto muito”
Faço um novo: de novo
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.
Eu agachei e sentei
Coloquei os pés em seu lugar
Levei as mãos rosto
Um vento e um sopro
Um calor ao enchergar
Olhei ao que passou
E tentei algo combinar
Assobiei para o tempo
Um pássaro, um farfalhar
E o dia parou
Eu dancei só
Ao som de minha companhia
Sem observador, eu errei
Escorreguei e me recobrei
Sorri, e o tempo mudou
Assustei em forte medo
Minha criança que observa
Aos moldes, corridas e golpes
Com desejos grandiosos
Fiquei pequeno
Pensei falando tudo
Que coube na língua-dente
Dizendo a Deus e a mim mesmo
Em agradecimentos e pedidos
Que jurei que não faria mais
Me empenhei e tentei
Atrás de uma vaidade honesta
Sufoquei em banho o espírito
Insubimisso e árido
Pelos dias martelados
Passou tudo e se foi
Duramente aceitei
E fiz muito no pouco
Sobre a ameaça do novo
Nunca estive no topo
Mas farei meu voo
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•
Misantropia
Incapaz de sentir,
ecoa como forma densa,
mas não habita em mim.
É tão mais fácil levantar o tom
e, em golpe, rapiar a mesa;
mas é de tristeza e afeição
a minha presente decepção.
E meu passo era teu passo,
e sem receio ajoelhou-se.
Jogando peso, osso no rosto,
eu cedi, me quebrou.
Arrastando e recolhendo sangue,
pensando em dias ao fogo,
todos em vácuo vão.
Pra mim, basta.
Acovardo meu amor,
minha identidade e vida,
em troca da segurança dada, que ao meu lado...
Não há ninguém do lado.
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Edit:um transe
...............Eeen...rosco
troco.....traves
É Metrica, rouca
Farsa........Rasga
Raspa e Rala
É......paga
BataPortas
Em.....troca im...porta
Pasta....passa.em....paz
Já que no que vai
Entorta forca
Cai. Cai.mais
No que tem....
Carta casta
Engorda
.....Masca
Por.porém
Parta
Corroa
Entalha
Louca...
Cadeia
...Candelas
Paira
Trouxa.
Encolha
Lampeja
................Voa
Soma...
Espalha...
Em...presta
....Molda
Navalha....
Suprema...
....Omerica
Imediata
Roupa
Máscara...Histérica
Leitura....Oca
Acabe
Repousa.
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Café açucarado
Amendoim doce
Musculatura rija e fria
Corda vibrante invisível
Rosto e espinhas
Céu cinza cheiro velho
Números de tempo
Números de sustento
Número sem energia
Ausente por hoje
Campo e sinfonia
O amor de uma vida
O bicho da travessia
O impedimento marcado
O simples virando complicado
Traquejo desconexo
Arte de falar muito bem
Coeficiente do desuso
A vida qual cachoeira
Dobrando em pancadas de areia
Saque aniversário
Disputa de sanidade
Olhar mirando as frestas
A harmonia do ruído
Correr feliz
Um mundo que desaba
Que desaba comigo
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#
Que lei bruta
Crescente quanto a idade
Dita pelo Divino
Que, quanto mais inflado,
Mais complicado o sentido
Que ame
Que ame o teu
O perto alheio
E que ame como se ama
Que se ame
Minha criança dizia:
"É óbvio, tudo já é assim
Adultos são complicados
Nós mal conhecemos e já amamos
Dificuldade? Não vejo"
Que lógica tenebrosa
Em uma palavra já por todos comida
Cuspida, puxada e retorcida
Mal vivida, ainda que lembrada
Desconhecida
Que ame
E do que de fato é feito isso?
Onde encontro uma posse dessa?
Parece uma borda infinita
De um limite desconhecido
Se vejo dentro um abismo infindo
Se tu és o semelhante que dizem
E já sendo tal coisa etérea
Para ser algo de tão de outro mundo
e de outra matéria
Se digo que o possuo
Talvez seja então um órgão autônomo
Que não precisa de pensamento
Para digerir o bater em ritmo
Apenas se vai e sente
E a si? Se gosta?
Se curte? Se ama?
O desconhecido é mais conhecido
É bem melhor tratado
E desejado
Parece órbita
Que, quanto mais distante,
Mais é por si mesma nobre
Mais épica e inebriante
Por que não ordinária?
Eu caí num erro básico
E fascinei-me pelas fadas
De cuja púrpura me encantou
E percebi: amar e cuidar
Multiplicam-se no permanecer
E o que é abusivo adoece
De congestões e finos tratos
Parece que todo relacionar-se é arte
E um joguete de faces
Pois pintamos nos outros
Os nossos próprios traços
E digo que medito
E, se passo a me embriagar,
Percebo que, quanto mais entendo,
Mais o amar se torna refinado
Mais belo e sensibilizado
.
Mais longínquo
.
.
Menos amado
.
.
.
E por isso
.
[um tormento.]
●
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•
Mestre, me escute
Antes deles ouvirem
Ao que veio, reanimei
Tratei, curei como pude
Tentei, eu cuidei.
Se a paciência é virtude,
Mestre, como pôde?
Como foi possível esquecer?
Como deixei de ver
O que urde?
Como então não ceder
Ao que vem e se funde?
Ao que se crava, se lança
Se trava no peito
De que jeito?
Mestre, você não se ilude
Sabe de cor todo feito
Sabe que de pó e cinza
Traz, feito esse vento
Valseado, imperfeito.
Me ouve bem
Pois tracei de preto
Todo saber e desejo
Sendo estranho a mim
Eu amo e renego.
E me aponte teu dedo
Bem ao centro dos olhos
Rasgue, por assim, o osso
E junte todas as graças
Com todos os defeitos.
Eu ainda amo
Algo que não lembro
Feito feição que se ofusca
E indignado digo que me importo
Sem lembrar mais do teu jeito.
Mestre, professor
Meu maestro, ouvidor
Teu decreto se queimou no tempo
Teu provérbio é agraciado
Ainda que mal lembrado.
Não é
Passado.
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~•
Coisa boa é a memória
Não vou soltar esse ponto
Há, em contos e prosas,
Um trilhão de portas
Mas assim me é
Do jeito que é, vai ser
Lentamente, páginas virar
Até a cortina das retinas ceder
A sensibilidade acatada
Em bruto forno a ecoar
Queria muitos “querias”
Não aprendi a ficar
Saiba só de outro jeito
Andar sem tanto espeto
Seguir sem ignição
Ou breves doses de intento
Faria da água meu lazer
Sem a estimulativa pressa
Não interpretaria calma como cansaço
Nem como paz resignada
Por favor, venha entender
Que o acúmulo das quedas
Trouxe-me um peso silencioso
Tornei-me rijo demais para andar
Eu esqueci de parar
Toquei um ritmo intenso e forte
Quando a cura sempre veio
No silêncio e na quietude
Apaixonei-me outra vez
Num alto declive nauseante
Faz, pois, assim entender:
Soltei a mão do balão distante
Trouxe o que pude trazer
O estado humano quebrado
E talvez um pouco de entardecer
Num ditoso significado
Assim vai ser
Tutano e osso sugados
Voltarei os olhos ao que vier
Pois, mesmo sem querer, assim vai ser
Entregue ao acaso.
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---•
Castanho claro,
Lírios ao centro,
Margarida jovem, frágil,
Tom de revestimento.
Vitalidade forte,
O encontro ao alcance,
Atenção e busca,
Ainda distantes.
Curiosa, é claro,
O medo encoberto,
Moça de dilemas e sorte
Em tal jardim secreto.
Existe sede de ser amada
E sede de ser descoberta.
No tempo de ser olhada,
Não se vê bela.
Um bruto mundo feito a ti,
Tudo é tão mais do que se é.
A moeda é a atenção,
Tomou para si outra vida
Regou o próprio jardim,
O decorou de rosas.
Não esperou nem aguardou
Que alguém lhe trouxesse flores.
Forte desejo de ser cultivada,
Foi jovem, foi menina,
Guiada pelo primeiro
Que te roubou, querida.
Uma caixinha de palha
De cacos e feridas.
Custa a certa cura
Do próprio amor.
És pedaço meu,
Minha cria,
Singela melancolia,
Teu torto olhar.
Minha dor.
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~●
Pairou a névoa
Um manto gélido
Céu sílico pétreo
Um espelho negro
Belo e quebrado
Deitando sobre a terra
Caminhando aos olhos
Pude perder de vista
Na próxima virada
Na distante esquina
Eu me cativei
Por um frio gélido
Por uma cor escura
Densa e profunda
Que me fez orbitar
Eu quis pintar tudo
De uma cor preta
E não me satisfiz
Até tudo ficar
Solidamente escuro
Fui tomado, fui caçado
E capturado, e eu quis
Mesmo um dia amado claro
Amei escuro
E me escondi
Tão paixão se emudece
E beira o contorno da letra
Sutilmente se percebe
Uma energia viva e pacífica
De uma espiral penumbra
Adoço e assim tempero
Pois dar lugar é fatal
Pois sou muito, muito pouco
E te afundo e absorvo
Teu jeito, teu rosto
Eu acho que amo o fundo do poço
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