Mesmo sem querer.
~• Coisa boa é a memória Não vou soltar esse ponto Há, em contos e prosas, Um trilhão de portas Mas assim me é Do jeito que é, vai ser Lentamente, páginas virar Até a cortina das retinas ceder A sensibilidade acatada Em bruto forno a ecoar Queria muitos “querias” Não aprendi a ficar Saiba só de outro jeito Andar sem tanto espeto Seguir sem ignição Ou breves doses de intento Faria da água meu lazer Sem a estimulativa pressa Não interpretaria calma como cansaço Nem como paz resignada Por favor, venha entender Que o acúmulo das quedas Trouxe-me um peso silencioso Tornei-me rijo demais para andar Eu esqueci de parar Toquei um ritmo intenso e forte Quando a cura sempre veio No silêncio e na quietude Apaixonei-me outra vez Num alto declive nauseante Faz, pois, assim entender: Soltei a mão do balão distante Trouxe o que pude trazer O estado humano quebrado E talvez um pouco de entardecer Num ditoso significado Assim vai ser Tutano e osso sugados Voltarei os olhos ao que vier Pois, mesmo sem querer, assim vai ser Entregue ao acaso.
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