Professor
• Mestre, me escute Antes deles ouvirem Ao que veio, reanimei Tratei, curei como pude Tentei, eu cuidei. Se a paciência é virtude, Mestre, como pôde? Como foi possível esquecer? Como deixei de ver O que urde? Como então não ceder Ao que vem e se funde? Ao que se crava, se lança Se trava no peito De que jeito? Mestre, você não se ilude Sabe de cor todo feito Sabe que de pó e cinza Traz, feito esse vento Valseado, imperfeito. Me ouve bem Pois tracei de preto Todo saber e desejo Sendo estranho a mim Eu amo e renego. E me aponte teu dedo Bem ao centro dos olhos Rasgue, por assim, o osso E junte todas as graças Com todos os defeitos. Eu ainda amo Algo que não lembro Feito feição que se ofusca E indignado digo que me importo Sem lembrar mais do teu jeito. Mestre, professor Meu maestro, ouvidor Teu decreto se queimou no tempo Teu provérbio é agraciado Ainda que mal lembrado. Não é Passado.
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