S A M U E L @Elv

Que ame

# Que lei bruta Crescente quanto a idade Dita pelo Divino Que, quanto mais inflado, Mais complicado o sentido Que ame Que ame o teu O perto alheio E que ame como se ama Que se ame Minha criança dizia: "É óbvio, tudo já é assim Adultos são complicados Nós mal conhecemos e já amamos Dificuldade? Não vejo" Que lógica tenebrosa Em uma palavra já por todos comida Cuspida, puxada e retorcida Mal vivida, ainda que lembrada Desconhecida Que ame E do que de fato é feito isso? Onde encontro uma posse dessa? Parece uma borda infinita De um limite desconhecido Se vejo dentro um abismo infindo Se tu és o semelhante que dizem E já sendo tal coisa etérea Para ser algo de tão de outro mundo e de outra matéria Se digo que o possuo Talvez seja então um órgão autônomo Que não precisa de pensamento Para digerir o bater em ritmo Apenas se vai e sente E a si? Se gosta? Se curte? Se ama? O desconhecido é mais conhecido É bem melhor tratado E desejado Parece órbita Que, quanto mais distante, Mais é por si mesma nobre Mais épica e inebriante Por que não ordinária? Eu caí num erro básico E fascinei-me pelas fadas De cuja púrpura me encantou E percebi: amar e cuidar Multiplicam-se no permanecer E o que é abusivo adoece De congestões e finos tratos Parece que todo relacionar-se é arte E um joguete de faces Pois pintamos nos outros Os nossos próprios traços E digo que medito E, se passo a me embriagar, Percebo que, quanto mais entendo, Mais o amar se torna refinado Mais belo e sensibilizado . Mais longínquo . . Menos amado . . . E por isso . [um tormento.] ●

Comentários · 1

  1. Anna Gabrielly

    Achei incrível como o poema transforma o amor em algo quase cósmico e desconhecido. Quanto mais o eu lírico tenta definir o que sente, mais a palavra parece pequena para conter a imensidão do sentimento.

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    1. S A M U E L

      Teu comentário é uma ditosa doçura! Mais encantador do que ter o poema lido e saber que ele foi interpretado tão bem. Agradeço.