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Breno Cesar - Corvo

@Breno_Cesar · desde 2020

Meus escritos não me pertencem! São palavras que solto ao vento para que ao relento elas possam encontrar seu verdadeiro lar.

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Céu estrelado

Eu tatuaria teu nome em minha pele se isso me despertasse a sensação de te ter ao meu lado Pois parece que você tem o manual de instruções para consertar aquilo que sempre esteve quebrado Eu fui no final do arco-íris tentando um tesouro encontrar Mas nada encontrei, então novamente me vejo a procurar E nessa procura incerta em busca de uma única certeza O vento sussurrou em meus ouvidos com certa leveza Que eu deveria ter calma e até compreender Que nessa vida um nasce para rir e outro para sofrer Mas no fundo isso me deixa tão preocupado Parece tão certo, mas ao mesmo tempo tão errado Pois quando estou contigo começo a sorrir de modo bobo E só me sinto triste e vazio quando não te tenho ao meu lado Então por favor, me encontre num desses encontros desencontrados Para que deixemos parte de nós no outro e voltemos para casa despedaçados Mas estranhamente nos sentindo vivos e até completados Mas eu sei que dificilmente voltaremos a nos reencontrar Não lhe encontrei no fim do arco-íris e talvez não lhe encontre em qualquer lugar Por isso não tatuo a minha pele e sim a minha alma Pois por mais que eu não lhe tenha, só de lembrar que um dia lhe tive Faz com que eu seja inundado por uma tempestade de calma Por isso ando por aí, perdido, querendo ser encontrado Olhando para as estrelas e lembrando de ti, garota dos cabelos arco-íris, meu céu estrelado. Breno Cesar 14.01.2022

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Olha moça!

Olha moça, se tu soubesses Como minha mente divaga Quando está completamente vaga Como te imagina e te deseja Como me faz lhe ver completamente nua Saberias que nosso primeiro caso Não ocorrerá por completo acaso Pois espero há muito por este momento E quem diria que o prazer Sobrepõe até o sentimento Pois quando te vejo Esquadrinho tua pele E me perco em fervores Antes que o coração acelere. Olha moça, se tu soubesses Não perderíamos um minuto sequer Nos entregaríamos em um lugar qualquer Iriamos transar na sala, no quarto, na rua Iriamos correr o perigo Transado na sacada a luz da lua Tu irias sentir sua pele tocada por meus lábios E eu iria sentir o gosto do prazer e do pecado O sabor que por mim é tão desejado. Olha moça, se tu soubesses Conhecerias meu lado que não és capaz de ver Estaria algemada, vendada Estaria sendo tocada Estaria sentindo um pouco de prazer O meio termo que difere A dor, o prazer e o desejo E no final, ganharias até um beijo Pois sou um completo romântico Até lhe escrevo poemas. Olha moça, se tu soubesses Não estarias ouvindo este poema Estaria me convidando para tua casa Para solucionarmos este problema. Breno Cesar 24.12.2021

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Dia D

Eu sempre pensei demais Desde quando eu era pequeno Sabe na infância, sempre surgia um novo "por quê?" E por mais que eu não encontrasse todas as respostas Acabava silenciando algumas dessas dúvidas Uma brincadeira, a boa e velha leitura A escola, bons amigos e até a família Faziam com que eu me desligasse delas, mas... Tudo foi ficando pior Tudo foi ficando mais intenso E parece que as dúvidas de criança Aquelas que não foram respondidas, sabe? São repassadas em milésimos de segundo A madrugada, na qual eu deveria estar dormindo, virou plateia E assiste com um saquinho de pipoca em mãos o espetáculo O silêncio da noite começa a me sufocar, vai me apertando pouco a pouco Escuto o maldito relógio de bolso soando alto Os segundos, os minutos, as horas, um simples som, Ecoando em meu quarto, me faz perder o controle Eu levanto, eu quero correr, eu quero me desligar de tudo Mas não há um maldito interruptor para desligar tudo isso. A dúvida permanece Ela me destrói E sigo fingindo como se não o fizesse Queria ter algo para chamar de meu Queria ser alguém para chamar de eu Pois sou um conglomerado de mudanças Nunca realizadas, obras nunca concluídas Poesias que nunca foram lidas Queria ter alguém, para ser sincero eu queria ter a ti Do meu lado, pois tu me traz uma paz a todo esse caos E acho que você sequer é capaz de perceber isto Queria que você soubesse que sua presença me fortalece Queria gritar para que você e o mundo para que soubessem disso Mas eu só queria, pois, a dúvida Bem, ela me disse para escrever um poema E esquecer tudo isso E no fim Eu nem sei se você vai escuta-lo. Breno Cesar 22.12.2021

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Ladrão amigo

Sento-me de maneira desconcertada na poltrona suja Contemplo a sala vazia ao meu redor E me pego numa reflexão, Parece que quando tudo está em silêncio Tudo fica pior. Olho para um lado, depois para o outro Buscando respostas encontrar Mas nada encontro, nada escuto Nada parece querer me falar Vivo numa constante que é instável Um pensamento único e diria até que inevitável. Vivo um momento de calmaria, um momento de paz Mas... Será que isso realmente existe? Já não sei mais Olho para os lados tentando entender por que isso acontece E toda a paz e calmaria desaparece Os pensamentos me sufocam E roubam o ar que entra por minha garganta Isso tudo me assusta, me espanta E saio em fuga, sem destino ou direção. Ando por ruas e vielas Passo por multidões Como se eu não estivesse entre elas Um vulto, um fantasma Invisível aos olhos dos demais Atolados com seus problemas pessoais Mas não passo despercebido De relance sou avistado E percebo que estou sendo assaltado Olho para o bandido e lhe peço sem jeito Ladrão amigo, Acabe com o que me tira os sonhos e o ar Mate a dúvida em mim e me dê um tiro no peito. Breno Cesar 09.12.2021

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Rede social

Amanheceu, abri a janela, estava nublado Entrei naquela rede social que achei ter desativado Mas já que estava ali, decidi ver algumas publicações Fotos e fotos, curtidas e curtidas e zero emoções Era tudo monótono, tudo igual, um ato até vazio Mas olha só como tudo muda, senti na pele um arrepio. Em meio às publicações que eu contemplava Vi a de alguém que uma novidade postava Minha ex nos informava Que naquele dia se casava Lembrei-me das juras que um dia chegamos a fazer Dos sonhos que outrora chegamos a ter Parecia ter sido tão recente Curti a publicação, um curtida deprimente. Eu tenho que ser sincero, eu nunca nego a verdade Parte de mim se encontra em êxtase, torço por sua felicidade Mas parte de mim se encontra numa complexa reflexão Já fiz inúmeras juras de amor, mas nunca tive esse tipo de notificação Mas é até bom que eu não tenha tido Eu não posso dizer que vivi aquilo que não tenha vivido Como nas redes sociais, sempre fui muito superficial Um prato perfeito, bonito por fora, mas o otário ideal Com uma pontada de acidez e ingredientes de difícil aceitação O prato perfeito para uma boa, uma boa indigestão. Agora seguro em minhas mãos o celular Olhando para o aplicativo e vendo o nome desinstalar Mas sabe, no fundo não sei o que fazer Talvez de todos os atos dos amantes, o que me restou fora escrever Por isso sou o que sou, um poeta falido Escrevendo sobre o que um dia sonhou ter vivido Tendo na sua vida o amor da palavra Que me faz seguir em frente quando a perna trava Por isso escrevo, por isso resolvi escrever Para postar em uma rede social e ver o texto chegar até você Em meio às publicações que se passam despercebidas Lá está a minha, recebendo a sua curtida. Breno Cesar 22.10.2021

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Viharok

Os tons azuis sumiram A penumbra tomou o céu Fagulhas escarlates surgiram, Pouco a pouco Contemplei a belíssima cena E cheguei a me perguntar, Será que sou louco? Não obtive respostas, Mas acompanhei a dança Fagulhas que bailavam no céu Como se fossem crianças Escreviam em meio aos relance Suas próprias histórias E lá estava eu, Preso em minhas memórias. Memórias que... Nem sempre me pertencem As vezes só as vi As vezes só as ouvi Mas estão gravadas em mim Como a da pobre criança Vítima do erros dos país Que agiram de forma ruim Vivem em conflito E isso as vezes me deixa aflito Ver a pobre menina, Tão pequenina No meio dessa guerra sem fim Os país separados Cada um em seu lado da guerra Juntando força aos seu aliados Não percebem que em meio Ao campo minado Há uma criança! Implorando por trégua. Mas essa memória se foi Voltou a ser guardada No grande novelo Que vez ou outra se desenrola E me trás lembranças Como as de agora Recordo-me do campo de girassóis Um vasto campo de flores amarelas Um contraste com flores tão belas No campo havia algo escondido Invisível para muitos Um corpo estendido Para muitos um louco Para outros um desesperado Para mim, um gênio Buscando o seu legado Pintava o céu com os pinceis De um poeta Usava a sutileza, fazia belos quadros E sorria de maneira discreta E o que para muitos era loucura Lhe trazia a mais pura felicidade E fazia o corpo estendido sem vida Ser belíssimo em meio a esta Triste realidade. Mas até as memórias se afastam Quando estronda o trovão Me vi desesperado, Assustado, Perdi o chão O mundo voltou ao normal E aí surgiu a dúvida ideal O céu continuava azul marinho E vi tudo o que vi sozinho E me surgiu o mais sutil pensamento Será que olhei o céu Ou a mim mesmo Neste mísero momento? Não há resposta Mas sinto fagulhas dançarem em mim E talvez, a três frases atrás Este poema merecia o seu fim. Breno Cesar 27.09.2021

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Stücke

Uso aquilo que recebi, Um dom ou um presente Para falar sobre o vi Passos à minha frente. As vezes escrevo por nada As vezes escrevo por tudo As vezes grito na voz calada As vezes não falo nada e deixo de ser mudo. Peças, pedaços, incompletos Sorrisos, lágrimas, desafetos Memórias, lembranças, emoções Problemas, dúvidas, soluções. A perfeição que não é perfeita Perdido pelas esquerdas e direitas Contando com o azar ou com a sorte Uma bússola emperrada, rumo ao norte. Um produto danificado desde sua fabricação Um homem incompleto sem rumo, destino ou direção Um corvo na sua cabeça, um cisne negro no seu coração Uma alma sem esperança, um banquete para o cão. A história novamente se repete Revivendo o que vivi aos meus sete Ou será que foi aos dezessete? Ou no ano de mil quinhentos e trinta e sete? O tempo não é mais igual Carrego na alma um vazio descomunal Carrego em mim um odor de solidão E por onde passo, levo comigo a destruição. Não sei se acabo destruindo ao meu redor ou a mim Talvez destrua um pouco dos dois Contemplo o vazio tão certo como um mais um é dois. Um quebra cabeças incompleto Um poema sem rimas Uma música sem melodia Uma noite sem um dia Nada muda, tudo permanece como é Um homem abandonado em si e incapaz de ter fé. Você se foi e se ainda não foi, logo mais escolherá partir E permanecerei parado sem reação, bem aqui Um poeta louco, incapaz de ser amado Pois se inseguranças e medos fossem um reino Traga-me a coroa deste reinado Vamos, siga em frente, todos sabemos que isto é melhor Deixe-me para trás e se livre daquilo que é o pior. Abro mão das métricas, das rimas e de toda burocracia e escrevo palavras sinceras de uma alma vazia, que não acredita que pode ser amada, que viu sua felicidade ser roubada, amei uma inúmeras vezes, sonhei outras inúmeras, mas em contrapartida só fui capaz de me sentir amado uma única vez. O que me falta é este amor, o que me resta é o vazio que ele deixou. Será que um dia alguém realmente será capaz de me amar? ... Breno Cesar 23.09.2021

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Culpa

Raios solarem invadem minha janela Tenho a culpa como carcereiro E minha mente como cela. Rabisco as paredes tentando contar Quantos dias faltam? Eu não sei Sequer sei se a sentença um dia irá acabar. Então surge um novo dia Como a comida azeda e fria E me perco em pensamentos Dilemas, dúvidas e tormentos. Mas algo é o pior desta condenação O maldito sentimento de solidão Não há policiais e outros criminosos Se sentir só é dos sentimentos mais perigosos. Qual crime eu cometi? Onde falhei? Onde errei? Como eu cheguei aqui? Gritos silenciosos na imensidão A maldita alto condenação Busco respostas por todo lado E permaneço aqui, parado. Meu coração dói, ele aperta A pior parte é ver a cela aberta E não ter animo para seguir em frente Mas deixo para amanhã, amanhã será diferente. Breno Cesar 15.08.2021

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Yggdrasil

Yggdrasil minha amada árvore quem diria Odin aos teus pés morreu em busca de sabedoria Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte Mas o maldito precisou somente de uma morte Me surgem inúmeras perguntas perante tal fato Odin morreu uma vez, então, por que já morri mais que um gato? Uma, duas, sete, dez, vinte, quem diria Depois de tantas mortes ainda não detenho sabedoria. Talvez eu esteja errado e tenha que fugir do nosso normal Morrer fisicamente e não somente no espiritual Yggdrasil minha velha amiga, foi bom enquanto durou Mas hoje, nem ti mesma me ajudou Por isso lhe ataco ferozmente como a pior orda Subo em teu caule e passo em teus galhos esta corda Sinto as fibras apertarem lentamente meu pescoço Yggdrasil minha amada amiga, obrigado por seu último esforço Perante a última palavra que estou por este lábio Percebo que nem esta morte me fez sábio. Breno Cesar 26.07.2021

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Fenômeno borboleta

Senti o gosto amargo do fel subir por minha garganta O maldito tempero que dava toques e sinais para o meu corpo Eram sinais do que estava vindo ao meu encontro Senti meu corpo ficar estranho e queimar por dentro Senti meu estômago se remexer, como se tivesse algo voando nele Procurei o ar, mas ele faltou em meus pulmões Tudo isso me desencadeou inúmeras lembranças do meu passado Refleti, respirei fundo e retomei a consciência No início até tive medo que fosse amor, mas era indigestão alimentar Por sorte, meu cupido se perdeu e está bêbado em algum bar de esquina. Breno Cesar 18.05.2021

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