Eu tatuaria teu nome em minha pele se isso me despertasse a sensação de te ter ao meu lado
Pois parece que você tem o manual de instruções para consertar aquilo que sempre esteve quebrado
Eu fui no final do arco-íris tentando um tesouro encontrar
Mas nada encontrei, então novamente me vejo a procurar
E nessa procura incerta em busca de uma única certeza
O vento sussurrou em meus ouvidos com certa leveza
Que eu deveria ter calma e até compreender
Que nessa vida um nasce para rir e outro para sofrer
Mas no fundo isso me deixa tão preocupado
Parece tão certo, mas ao mesmo tempo tão errado
Pois quando estou contigo começo a sorrir de modo bobo
E só me sinto triste e vazio quando não te tenho ao meu lado
Então por favor, me encontre num desses encontros desencontrados
Para que deixemos parte de nós no outro e voltemos para casa despedaçados
Mas estranhamente nos sentindo vivos e até completados
Mas eu sei que dificilmente voltaremos a nos reencontrar
Não lhe encontrei no fim do arco-íris e talvez não lhe encontre em qualquer lugar
Por isso não tatuo a minha pele e sim a minha alma
Pois por mais que eu não lhe tenha, só de lembrar que um dia lhe tive
Faz com que eu seja inundado por uma tempestade de calma
Por isso ando por aí, perdido, querendo ser encontrado
Olhando para as estrelas e lembrando de ti, garota dos cabelos arco-íris, meu céu estrelado.
Breno Cesar
14.01.2022
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Olha moça, se tu soubesses
Como minha mente divaga
Quando está completamente vaga
Como te imagina e te deseja
Como me faz lhe ver completamente nua
Saberias que nosso primeiro caso
Não ocorrerá por completo acaso
Pois espero há muito por este momento
E quem diria que o prazer
Sobrepõe até o sentimento
Pois quando te vejo
Esquadrinho tua pele
E me perco em fervores
Antes que o coração acelere.
Olha moça, se tu soubesses
Não perderíamos um minuto sequer
Nos entregaríamos em um lugar qualquer
Iriamos transar na sala, no quarto, na rua
Iriamos correr o perigo
Transado na sacada a luz da lua
Tu irias sentir sua pele tocada por meus lábios
E eu iria sentir o gosto do prazer e do pecado
O sabor que por mim é tão desejado.
Olha moça, se tu soubesses
Conhecerias meu lado que não és capaz de ver
Estaria algemada, vendada
Estaria sendo tocada
Estaria sentindo um pouco de prazer
O meio termo que difere
A dor, o prazer e o desejo
E no final, ganharias até um beijo
Pois sou um completo romântico
Até lhe escrevo poemas.
Olha moça, se tu soubesses
Não estarias ouvindo este poema
Estaria me convidando para tua casa
Para solucionarmos este problema.
Breno Cesar
24.12.2021
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Eu sempre pensei demais
Desde quando eu era pequeno
Sabe na infância, sempre surgia um novo "por quê?"
E por mais que eu não encontrasse todas as respostas
Acabava silenciando algumas dessas dúvidas
Uma brincadeira, a boa e velha leitura
A escola, bons amigos e até a família
Faziam com que eu me desligasse delas, mas...
Tudo foi ficando pior
Tudo foi ficando mais intenso
E parece que as dúvidas de criança
Aquelas que não foram respondidas, sabe?
São repassadas em milésimos de segundo
A madrugada, na qual eu deveria estar dormindo, virou plateia
E assiste com um saquinho de pipoca em mãos o espetáculo
O silêncio da noite começa a me sufocar, vai me apertando pouco a pouco
Escuto o maldito relógio de bolso soando alto
Os segundos, os minutos, as horas, um simples som,
Ecoando em meu quarto, me faz perder o controle
Eu levanto, eu quero correr, eu quero me desligar de tudo
Mas não há um maldito interruptor para desligar tudo isso.
A dúvida permanece
Ela me destrói
E sigo fingindo como se não o fizesse
Queria ter algo para chamar de meu
Queria ser alguém para chamar de eu
Pois sou um conglomerado de mudanças
Nunca realizadas, obras nunca concluídas
Poesias que nunca foram lidas
Queria ter alguém, para ser sincero eu queria ter a ti
Do meu lado, pois tu me traz uma paz a todo esse caos
E acho que você sequer é capaz de perceber isto
Queria que você soubesse que sua presença me fortalece
Queria gritar para que você e o mundo para que soubessem disso
Mas eu só queria, pois, a dúvida
Bem, ela me disse para escrever um poema
E esquecer tudo isso
E no fim
Eu nem sei se você vai escuta-lo.
Breno Cesar
22.12.2021
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Sento-me de maneira desconcertada na poltrona suja
Contemplo a sala vazia ao meu redor
E me pego numa reflexão,
Parece que quando tudo está em silêncio
Tudo fica pior.
Olho para um lado, depois para o outro
Buscando respostas encontrar
Mas nada encontro, nada escuto
Nada parece querer me falar
Vivo numa constante que é instável
Um pensamento único e diria até que inevitável.
Vivo um momento de calmaria, um momento de paz
Mas... Será que isso realmente existe?
Já não sei mais
Olho para os lados tentando entender por que isso acontece
E toda a paz e calmaria desaparece
Os pensamentos me sufocam
E roubam o ar que entra por minha garganta
Isso tudo me assusta, me espanta
E saio em fuga, sem destino ou direção.
Ando por ruas e vielas
Passo por multidões
Como se eu não estivesse entre elas
Um vulto, um fantasma
Invisível aos olhos dos demais
Atolados com seus problemas pessoais
Mas não passo despercebido
De relance sou avistado
E percebo que estou sendo assaltado
Olho para o bandido e lhe peço sem jeito
Ladrão amigo,
Acabe com o que me tira os sonhos e o ar
Mate a dúvida em mim e me dê um tiro no peito.
Breno Cesar
09.12.2021
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Amanheceu, abri a janela, estava nublado
Entrei naquela rede social que achei ter desativado
Mas já que estava ali, decidi ver algumas publicações
Fotos e fotos, curtidas e curtidas e zero emoções
Era tudo monótono, tudo igual, um ato até vazio
Mas olha só como tudo muda, senti na pele um arrepio.
Em meio às publicações que eu contemplava
Vi a de alguém que uma novidade postava
Minha ex nos informava
Que naquele dia se casava
Lembrei-me das juras que um dia chegamos a fazer
Dos sonhos que outrora chegamos a ter
Parecia ter sido tão recente
Curti a publicação, um curtida deprimente.
Eu tenho que ser sincero, eu nunca nego a verdade
Parte de mim se encontra em êxtase, torço por sua felicidade
Mas parte de mim se encontra numa complexa reflexão
Já fiz inúmeras juras de amor, mas nunca tive esse tipo de notificação
Mas é até bom que eu não tenha tido
Eu não posso dizer que vivi aquilo que não tenha vivido
Como nas redes sociais, sempre fui muito superficial
Um prato perfeito, bonito por fora, mas o otário ideal
Com uma pontada de acidez e ingredientes de difícil aceitação
O prato perfeito para uma boa, uma boa indigestão.
Agora seguro em minhas mãos o celular
Olhando para o aplicativo e vendo o nome desinstalar
Mas sabe, no fundo não sei o que fazer
Talvez de todos os atos dos amantes, o que me restou fora escrever
Por isso sou o que sou, um poeta falido
Escrevendo sobre o que um dia sonhou ter vivido
Tendo na sua vida o amor da palavra
Que me faz seguir em frente quando a perna trava
Por isso escrevo, por isso resolvi escrever
Para postar em uma rede social e ver o texto chegar até você
Em meio às publicações que se passam despercebidas
Lá está a minha, recebendo a sua curtida.
Breno Cesar
22.10.2021
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Os tons azuis sumiram
A penumbra tomou o céu
Fagulhas escarlates surgiram,
Pouco a pouco
Contemplei a belíssima cena
E cheguei a me perguntar,
Será que sou louco?
Não obtive respostas,
Mas acompanhei a dança
Fagulhas que bailavam no céu
Como se fossem crianças
Escreviam em meio aos relance
Suas próprias histórias
E lá estava eu,
Preso em minhas memórias.
Memórias que...
Nem sempre me pertencem
As vezes só as vi
As vezes só as ouvi
Mas estão gravadas em mim
Como a da pobre criança
Vítima do erros dos país
Que agiram de forma ruim
Vivem em conflito
E isso as vezes me deixa aflito
Ver a pobre menina,
Tão pequenina
No meio dessa guerra sem fim
Os país separados
Cada um em seu lado da guerra
Juntando força aos seu aliados
Não percebem que em meio
Ao campo minado
Há uma criança!
Implorando por trégua.
Mas essa memória se foi
Voltou a ser guardada
No grande novelo
Que vez ou outra se desenrola
E me trás lembranças
Como as de agora
Recordo-me do campo de girassóis
Um vasto campo de flores amarelas
Um contraste com flores tão belas
No campo havia algo escondido
Invisível para muitos
Um corpo estendido
Para muitos um louco
Para outros um desesperado
Para mim, um gênio
Buscando o seu legado
Pintava o céu com os pinceis
De um poeta
Usava a sutileza, fazia belos quadros
E sorria de maneira discreta
E o que para muitos era loucura
Lhe trazia a mais pura felicidade
E fazia o corpo estendido sem vida
Ser belíssimo em meio a esta
Triste realidade.
Mas até as memórias se afastam
Quando estronda o trovão
Me vi desesperado,
Assustado,
Perdi o chão
O mundo voltou ao normal
E aí surgiu a dúvida ideal
O céu continuava azul marinho
E vi tudo o que vi sozinho
E me surgiu o mais sutil pensamento
Será que olhei o céu
Ou a mim mesmo
Neste mísero momento?
Não há resposta
Mas sinto fagulhas dançarem em mim
E talvez, a três frases atrás
Este poema merecia o seu fim.
Breno Cesar
27.09.2021
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Uso aquilo que recebi,
Um dom ou um presente
Para falar sobre o vi
Passos à minha frente.
As vezes escrevo por nada
As vezes escrevo por tudo
As vezes grito na voz calada
As vezes não falo nada e deixo de ser mudo.
Peças, pedaços, incompletos
Sorrisos, lágrimas, desafetos
Memórias, lembranças, emoções
Problemas, dúvidas, soluções.
A perfeição que não é perfeita
Perdido pelas esquerdas e direitas
Contando com o azar ou com a sorte
Uma bússola emperrada, rumo ao norte.
Um produto danificado desde sua fabricação
Um homem incompleto sem rumo, destino ou direção
Um corvo na sua cabeça, um cisne negro no seu coração
Uma alma sem esperança, um banquete para o cão.
A história novamente se repete
Revivendo o que vivi aos meus sete
Ou será que foi aos dezessete?
Ou no ano de mil quinhentos e trinta e sete?
O tempo não é mais igual
Carrego na alma um vazio descomunal
Carrego em mim um odor de solidão
E por onde passo, levo comigo a destruição.
Não sei se acabo destruindo ao meu redor ou a mim
Talvez destrua um pouco dos dois
Contemplo o vazio tão certo como um mais um é dois.
Um quebra cabeças incompleto
Um poema sem rimas
Uma música sem melodia
Uma noite sem um dia
Nada muda, tudo permanece como é
Um homem abandonado em si e incapaz de ter fé.
Você se foi e se ainda não foi, logo mais escolherá partir
E permanecerei parado sem reação, bem aqui
Um poeta louco, incapaz de ser amado
Pois se inseguranças e medos fossem um reino
Traga-me a coroa deste reinado
Vamos, siga em frente, todos sabemos que isto é melhor
Deixe-me para trás e se livre daquilo que é o pior.
Abro mão das métricas, das rimas e de toda burocracia e escrevo palavras sinceras de uma alma vazia, que não acredita que pode ser amada, que viu sua felicidade ser roubada, amei uma inúmeras vezes, sonhei outras inúmeras, mas em contrapartida só fui capaz de me sentir amado uma única vez. O que me falta é este amor, o que me resta é o vazio que ele deixou.
Será que um dia alguém realmente será capaz de me amar?
...
Breno Cesar
23.09.2021
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Raios solarem invadem minha janela
Tenho a culpa como carcereiro
E minha mente como cela.
Rabisco as paredes tentando contar
Quantos dias faltam? Eu não sei
Sequer sei se a sentença um dia irá acabar.
Então surge um novo dia
Como a comida azeda e fria
E me perco em pensamentos
Dilemas, dúvidas e tormentos.
Mas algo é o pior desta condenação
O maldito sentimento de solidão
Não há policiais e outros criminosos
Se sentir só é dos sentimentos mais perigosos.
Qual crime eu cometi?
Onde falhei? Onde errei?
Como eu cheguei aqui?
Gritos silenciosos na imensidão
A maldita alto condenação
Busco respostas por todo lado
E permaneço aqui, parado.
Meu coração dói, ele aperta
A pior parte é ver a cela aberta
E não ter animo para seguir em frente
Mas deixo para amanhã, amanhã será diferente.
Breno Cesar
15.08.2021
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Yggdrasil minha amada árvore quem diria
Odin aos teus pés morreu em busca de sabedoria
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mas o maldito precisou somente de uma morte
Me surgem inúmeras perguntas perante tal fato
Odin morreu uma vez, então, por que já morri mais que um gato?
Uma, duas, sete, dez, vinte, quem diria
Depois de tantas mortes ainda não detenho sabedoria.
Talvez eu esteja errado e tenha que fugir do nosso normal
Morrer fisicamente e não somente no espiritual
Yggdrasil minha velha amiga, foi bom enquanto durou
Mas hoje, nem ti mesma me ajudou
Por isso lhe ataco ferozmente como a pior orda
Subo em teu caule e passo em teus galhos esta corda
Sinto as fibras apertarem lentamente meu pescoço
Yggdrasil minha amada amiga, obrigado por seu último esforço
Perante a última palavra que estou por este lábio
Percebo que nem esta morte me fez sábio.
Breno Cesar
26.07.2021
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Senti o gosto amargo do fel subir por minha garganta
O maldito tempero que dava toques e sinais para o meu corpo
Eram sinais do que estava vindo ao meu encontro
Senti meu corpo ficar estranho e queimar por dentro
Senti meu estômago se remexer, como se tivesse algo voando nele
Procurei o ar, mas ele faltou em meus pulmões
Tudo isso me desencadeou inúmeras lembranças do meu passado
Refleti, respirei fundo e retomei a consciência
No início até tive medo que fosse amor, mas era indigestão alimentar
Por sorte, meu cupido se perdeu e está bêbado em algum bar de esquina.
Breno Cesar
18.05.2021
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