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Arlindo C. Jr.

@ArlindoCJr · desde 2024

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Poema

Carniça Branca

Desentendido, Observando a janela. O senhor caprichoso Que detalha até o túmulo próprio. Matou a flor, regou o solo, Nasceram retorcidas as árvores. Morte branca, morte branca, Agarrando a própria caveira, Levantando a chama.

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Poema

Sangue; meu peito

Estou preso na exosfera, Rodeado pelas nuvens, Onde não consigo achá-lo. Sou um comerciante de desejos E de carinhos, Preso no meu antiquário Banhado de sangue, Com o rio escarlate até na metade Do meu pescoço. Um rosto dizendo coisas maravilhosas, Preso numa névoa condensada Que prende toda Informação.

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Poema

Barreira do som

Quando ninguém esteve acreditando em você; quando ninguém te deu o orçamento necessário dos motivos; quando você era apenas um pupilo, nascido E caído de um gesto empírico, alguém estendeu a mão acreditando. Um compartilhamento de almas, uma fibra óptica de ideias. Quando estiveres num plano de confusão, lembra-te daquele que pegou em sua mão, que contou em seu ouvido um leve "eu confio". Ressuscite pela noite. Este é meu pupilo, este é meu filho, um ser criado por várias mães e vários pais. O desejo de um fruto nascido proibido que criou leis próprias com as mãos de outros (reis.) [e rainhas.]

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Poema

Prelúdio de um luto

Cálido Está Seu rosto. Eu vejo o Tempo sobre seu posto, idiota. Eu vejo um reflexo negro, feito de desconfiança. Diga que isso É Uma mentira mal contada. A Mente é seu maior inimigo.

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Poema

Hetw

Descem as raízes, Subindo com efervescência As folhas. O sol caminha solto Entre feixes de luz querida E loura. Cada nota tocada em 8/9 Carregando um documento Que estoura. Completo aqui estou eu Decidindo as trilhas De uma terra querida, Caprichada em norte e sul.

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Poema

Processo Natural

Lembre-se, pupilo: A entropia e a organização, A feiura e a benção Presente nos objetos; É uma fortaleza do ser, Partida de suas conexões neurais. Minha amada, não se desespere. A serva guiará nosso feto, Nosso primogênito crescido num Lar de misericórdia. Pegue sua lâmina e o sacrifique No alto da colina No nome Daquele que O concedeu. Derrube tudo, você é humano demais. O linfa correndo quente Nas suas veias, Na roupagem de empregado, Mas agindo como Um animal microscópio Independente, Tal qual seu dono. Estou paralisado, mas belo Demais nessas fibras Que me tecem no espaço. Cada pedaço meu ainda resistirá Após minha morte, Vagando entre cada spin E entrelaçamento quântico, Porque minha meia-vida é Autossuficiente. Não precisamos mais de ti, Pai... Se o teto que nos deu É teu veu, Então nada é tu. O teto se ergue sozinho Pela própria vontade De se erguer. Somos apenas peças E consequências, Essa é a probabilidade

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Poema

Bile

Eu te odeio tanto Que eu colocaria os dedos nos olhos As unhas rasgando Quebrando lá dentro Igual vidro Eviscerando Me sinto doente a cada segundo Sua cara Seu músculo Sua Impermanência Tudo me irrita tanto Que eu arranco a vesícula fora Eu espalho o bile Eu tenho uma diarreia brutal A merda desce pelo meu ânus Molhando minhas pernas Eu sinto nojo de mim mesmo Eu sinto repulsa de cada mol seu Eu mordo meus lábios Eu arranco minha existência Eu destruo a experiência Só vai se foder, por favor Apenas engula todo sua existência Materializada num vômito Que desce por um tubo transplantado

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Notícia 03/09/2026

O poema "perigoso, procurado:prcurndo" Foi transformado em uma música De hip hop experimental Produzida e rimada completamente Por mim Disponível no Bandcamp. Link na descrição do perfil. 🌹

Poema

perigoso, procurado:prcurndo

Destinado captando o rádio a radiação Todo homem que detona, todo feto que morre O solo sofre de toda contaminação Caindo, socando, chorando Procurando no teu semblante Um pingo de compreensão Sei que é difícil aqui no meio do nada Entender uma profissão Trabalhando de casa em casa, Ônibus, caminhada, contradição Sou uma forma de uma forma De uma cópia de uma cópia Caindo o sinal HD Matando, cadê o porquê Sou a desgraça do mundo, sou a doença Dos cantos, o cansaço das mães em prantos Divina paga dívida cara que cai na marra De um pequeno empreendedor que narra Toda e qualquer Extrafarma Vendendo remédios sem receita Aqui na rua esburacada, todo dia é farra Tem que aguentar a barra E não se matar antes de se sentir como uma loja cara Sou uma cola de uma cola De uma resposta Decaindo em completo o chão Formando bolha na mão Sou um vômito fecaloide Morrendo, caindo asteroide A revolução do Android Morrendo em competição Caindo Decompondo Bolha na mão

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Amor

Transmutação

Me deixe ser seu. Uma carne na outra, Interligando os nervos, Fazendo as ligações de jeito perpendicular. Cada veia minha é uma Estrada para seu amor, Cada artéria com o sangue cheio De oxigênio, me faça ser Seu desejo. Cada cicatriz é onde você coagulou, Cada machucado que você tampou. Me transmute em você, e você em mim. Sejamos nós parasitas de nossos corpos, Numa relação de simbiose, de Mutualismo. Conecte os vasos sanguíneos, Os neurônios e divida meus quarks Com cada pedaço seu, Cada molécula orgânica, Cada camada eletrônica, Cada lépton e partícula subatômica. Me faça ser seu. Me faça ser eu, Que é ser você, E para você.

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