Desentendido,
Observando a janela.
O senhor caprichoso
Que detalha até o túmulo próprio.
Matou a flor, regou o solo,
Nasceram retorcidas as árvores.
Morte branca, morte branca,
Agarrando a própria caveira,
Levantando a chama.
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Estou preso na exosfera,
Rodeado pelas nuvens,
Onde não consigo achá-lo.
Sou um comerciante de desejos
E de carinhos,
Preso no meu antiquário
Banhado de sangue,
Com o rio escarlate até na metade
Do meu pescoço.
Um rosto dizendo coisas maravilhosas,
Preso numa névoa condensada
Que prende toda
Informação.
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Quando
ninguém
esteve acreditando
em você; quando
ninguém te deu o orçamento
necessário dos motivos; quando você era apenas um
pupilo,
nascido
E caído
de um gesto
empírico, alguém estendeu a mão
acreditando. Um compartilhamento de almas, uma fibra óptica
de
ideias.
Quando estiveres
num plano de
confusão, lembra-te daquele que pegou
em sua mão, que contou em seu ouvido
um
leve
"eu confio".
Ressuscite pela noite.
Este é meu pupilo, este
é meu filho, um ser criado por várias
mães
e
vários pais.
O desejo de
um fruto nascido proibido que
criou leis próprias com as mãos de outros
(reis.)
[e rainhas.]
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Cálido
Está
Seu rosto.
Eu vejo o
Tempo sobre seu posto, idiota.
Eu vejo um reflexo negro, feito de desconfiança.
Diga que isso
É
Uma mentira mal contada.
A
Mente é seu maior inimigo.
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Descem as raízes,
Subindo com efervescência
As folhas.
O sol caminha solto
Entre feixes de luz querida
E loura.
Cada nota tocada em 8/9
Carregando um documento
Que estoura.
Completo aqui estou eu
Decidindo as trilhas
De uma terra querida,
Caprichada em norte e sul.
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Lembre-se, pupilo:
A entropia e a organização,
A feiura e a benção
Presente nos objetos;
É uma fortaleza do ser,
Partida de suas conexões neurais.
Minha amada, não se desespere.
A serva guiará nosso feto,
Nosso primogênito crescido num
Lar de misericórdia.
Pegue sua lâmina e o sacrifique
No alto da colina
No nome Daquele que
O concedeu.
Derrube tudo, você é humano demais.
O linfa correndo quente
Nas suas veias,
Na roupagem de empregado,
Mas agindo como
Um animal microscópio
Independente,
Tal qual seu dono.
Estou paralisado, mas belo
Demais nessas fibras
Que me tecem no espaço.
Cada pedaço meu ainda resistirá
Após minha morte,
Vagando entre cada spin
E entrelaçamento quântico,
Porque minha meia-vida é
Autossuficiente.
Não precisamos mais de ti, Pai...
Se o teto que nos deu
É teu veu,
Então nada é tu.
O teto se ergue sozinho
Pela própria vontade
De se erguer.
Somos apenas peças
E consequências,
Essa é a probabilidade
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Eu te odeio tanto
Que eu colocaria os dedos nos olhos
As unhas rasgando
Quebrando lá dentro
Igual vidro
Eviscerando
Me sinto doente a cada segundo
Sua cara
Seu músculo
Sua Impermanência
Tudo me irrita tanto
Que eu arranco a vesícula fora
Eu espalho o bile
Eu tenho uma diarreia brutal
A merda desce pelo meu ânus
Molhando minhas pernas
Eu sinto nojo de mim mesmo
Eu sinto repulsa de cada mol seu
Eu mordo meus lábios
Eu arranco minha existência
Eu destruo a experiência
Só vai se foder, por favor
Apenas engula todo sua existência
Materializada num vômito
Que desce por um tubo transplantado
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O poema "perigoso, procurado:prcurndo"
Foi transformado em uma música
De hip hop experimental
Produzida e rimada completamente
Por mim
Disponível no Bandcamp.
Link na descrição do perfil.
🌹
Destinado captando o rádio a radiação
Todo homem que detona, todo feto que morre
O solo sofre de toda contaminação
Caindo, socando, chorando
Procurando no teu semblante
Um pingo de compreensão
Sei que é difícil aqui no meio do nada
Entender uma profissão
Trabalhando de casa em casa,
Ônibus, caminhada, contradição
Sou uma forma de uma forma
De uma cópia de uma cópia
Caindo o sinal HD
Matando, cadê o porquê
Sou a desgraça do mundo, sou a doença
Dos cantos, o cansaço das mães em prantos
Divina paga dívida cara que cai na marra
De um pequeno empreendedor que narra
Toda e qualquer Extrafarma
Vendendo remédios sem receita
Aqui na rua esburacada, todo dia é farra
Tem que aguentar a barra
E não se matar antes de se sentir como uma loja cara
Sou uma cola de uma cola
De uma resposta
Decaindo em completo o chão
Formando bolha na mão
Sou um vômito fecaloide
Morrendo, caindo asteroide
A revolução do Android
Morrendo em competição
Caindo
Decompondo
Bolha na mão
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Me deixe ser seu.
Uma carne na outra,
Interligando os nervos,
Fazendo as ligações de jeito perpendicular.
Cada veia minha é uma
Estrada para seu amor,
Cada artéria com o sangue cheio
De oxigênio, me faça ser
Seu desejo.
Cada cicatriz é onde você coagulou,
Cada machucado que você tampou.
Me transmute em você, e você em mim.
Sejamos nós parasitas de nossos corpos,
Numa relação de simbiose, de
Mutualismo.
Conecte os vasos sanguíneos,
Os neurônios e divida meus quarks
Com cada pedaço seu,
Cada molécula orgânica,
Cada camada eletrônica,
Cada lépton e partícula subatômica.
Me faça ser seu.
Me faça ser eu,
Que é ser você,
E para você.
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