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O poeta.

@ASTRO_POETA · desde 2024

Vivus foris, mortuus intus.

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Amor distante.

Amor Distante. Eu tenho a distância, mas não sei como me aproximar, pois, quando tento ficar perto, você só sabe me afastar. Quando estou ao seu lado, me trata como um qualquer, mas, quando me retiro, posta que sente falta do que quer. Diz que seu namorado está distante, que já não é como antes, mas não conta o que acontece por trás dos olhares disfarçados. Não fala das vezes que tentei, dos meus esforços ignorados, nem das palavras que me feriram quando eu só queria estar ao seu lado. Como posso ser presença se minha presença te incomoda? Como posso te dar amor se o meu amor você ignora? Se ficar perto é ser culpado e partir também é condenação, então me diga, meu amor, onde eu encontro a solução? Nos bastidores, sou alguém que você nunca fez questão de enxergar, um coração cheio de coisas que cansou de explicar. Atiram pedras contra mim, mas ninguém quer saber por quê; só enxergam minhas reações, nunca o que me fez sofrer. E quando finalmente falo da dor que você me causou, viro o vilão da história, como se nunca tivesse amado. Você conta a sua versão, o mundo escolhe acreditar, e eu fico com o peso de tudo aquilo que não pude contar. É fácil me chamar de frio sem conhecer o que me aqueceu, dizer que eu me tornei distante sem lembrar quem me afastou. Você lamenta a minha ausência, mas ignora o que aconteceu: eu não deixei de querer ficar… só me cansei de implorar por um lugar que nunca foi meu. E talvez essa seja a parte mais triste desse amor: não foi a distância entre nós que nos roubou o calor. Foi tentar ser abrigo onde eu também precisava de proteção, foi cuidar de outro coração enquanto sangrava o meu próprio coração. Hoje, se me vê distante, não confunda silêncio com maldade. Às vezes, afastar-se é a última forma de preservar a própria verdade. Porque até quem ama muito chega ao limite da dor, e nem todo silêncio é falta de amor. Às vezes, é só um coração cansado de provar que nunca foi o vilão de uma história em que também foi machucado.

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Romancista incurável.

Romancista incurável Eu não aguento mais. E, se existe mesmo um Pai, por favor, cuida de mim. Se isso é amor, e o amor precisa me causar tanta dor, então arranca isso de mim. Eu não quero mais ser um romancista procurando uma cura para algo que insiste em não morrer. Já tentei de tudo. Já tentei me destruir, já tentei sofrer o bastante para finalmente parar de acreditar no amor. Não funcionou. No fim, eu continuo acreditando. E tudo o que me restou foi chorar depois do fim, depois que ela desapareceu e decidiu não mandar mais nenhuma mensagem. As promessas que um dia pareciam eternas foram desabando uma por uma. Não nos meus ouvidos, mas nos meus olhos. Porque agora eu só consigo enxergar através das lágrimas. Já me mandaram engolir o choro. Como se fosse possível engolir aquilo que a gente não consegue esquecer. Talvez eu seja mesmo como um cachorro velho: não porque não possa aprender um truque novo, mas porque passei tanto tempo esperando pelo mesmo dono que já não sei mais como parar de esperar por ele.

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Tarantino.

Tarantino Os chineses me fizeram romancista, um incurável condenado ao amor, sem cura, sem remédio, sem sequer o direito de descobrir onde termina o carinho e começa a dor. Eu sei amar. Talvez até demais. Sei transformar um olhar em eternidade, um abraço em morada, um nome em oração e uma ausência em uma saudade que nunca aprende a morrer. Eu sei escrever sobre amor como quem conhece todos os seus caminhos, mas, quando tento caminhar por eles, sempre acabo sozinho. Todo amor que chega parece trazer uma despedida escondida. Toda promessa de para sempre parece ter sido escrita com tinta de adeus. E talvez a decepção seja a única mulher que realmente me ama, porque ela nunca foi embora. Ela segurou minha mão quando outras soltaram. Dormiu ao meu lado quando o silêncio tomou conta da cama. Conheceu minhas fraquezas e, mesmo assim, continuou voltando. Que ironia: eu, que sonho em ser amado, tenho como companhia mais fiel aquilo que sempre me destrói. Talvez eu tenha um pouco de Tarantino dentro de mim: transformo tragédias em histórias, feridas em poesia, beijos em memória e despedidas em cenas que repito na cabeça até acreditar que algum dia tiveram um final feliz. Eu faço do amor um filme perfeito, mas nunca consigo atuar nele. Porque de que adianta ser o maior romancista do mundo se, quando chega a minha vez, ninguém fica? De que adianta saber dizer “eu te amo” de mil maneiras, se nenhuma delas foi suficiente para fazer alguém escolher ficar? Talvez esse seja o meu castigo: eu nasci sabendo amar, mas nunca aprendi a ser amado. E talvez seja por isso que escrevo tão bonito sobre o amor. Porque existe uma crueldade que só os românticos entendem: às vezes, quem mais sabe falar sobre amor é justamente quem passou a vida inteira tentando convencer o próprio coração de que um dia alguém ficará.

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A porta está aberta.

A porta está aberta. Mas de que adianta se eu me matei tanto por esse amor e, ainda assim, você precisou se afastar? Você não tem culpa. Eu sei. Talvez a vida tenha colocado coisas demais sobre os seus ombros, e o seu futuro tenha encontrado um caminho onde eu já não caibo. Tudo bem. Todos nós temos uma vida que continua, mesmo quando alguém fica para trás. A porta está sempre aberta. Mas é tão difícil passar por ela quando tudo o que existe do outro lado parece ser a confirmação de que você foi embora. Meu coração também está aberto, mas não por esperança. Está aberto pelas cicatrizes. Por aquelas que eu pensei ter fechado, mas que ainda sangram quando alguém toca no lugar errado. Eu carrego minhas coisas. Meus medos. Minhas neuroses. Essa maneira maldita de transformar qualquer ausência em culpa. Você foi o meu ar. E agora, com os seus problemas, com os meus, com tudo aquilo que não conseguimos resolver, o que antes me fazia respirar parece uma corda apertada contra o meu pescoço. E eu me pergunto: Por que eu fiz isso? Por que eu estrago tudo? Por que, quando alguém se aproxima, eu já começo a imaginar o momento em que essa pessoa vai embora? Eu sou um problema. É isso que repito até a frase parecer verdade. Sou como o Amumu: tão desesperado por um abraço que até o toque parece perigoso. Como se alguém pudesse me encontrar e, ao tentar me segurar, acabasse se desfazendo em minhas mãos. Eu não sei se consigo ter amigos sem esperar que eles me abandonem. Não sei se consigo sentir felicidade sem procurar nela o momento exato em que vai acabar. Talvez sejamos dependentes um do outro. Talvez seja apenas o medo. Medo de ficar. Medo de partir. Medo de descobrir que a porta sempre esteve aberta e que, mesmo assim, nenhum de nós conseguiu ir embora. A porta está aberta. E eu continuo aqui. Com o coração aberto, as cicatrizes abertas, e tudo aquilo que eu não consegui dizer fechado dentro de mim.

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Você quer.

Você quer. Você quer uma diva pop. Eu poderia ser astro do rock. Poderia virar qualquer coisa que coubesse no seu gosto. E eu tentei. Mudei minha voz, meu jeito, minhas vontades. Mas nada do que faço parece merecer você. Eu te ofereço o braço, você nem olha. Eu digo “eu te amo”, e sua resposta parece um favor que você odeia fazer. Você não me coloca na foto. Meu nome não cabe na sua bio. Parece que até existir ao seu lado é constrangedor. E eu fico me perguntando: quanto de mim ainda precisa morrer pra você chamar isso de amor? Eu também sou humano. Também sinto. Também preciso de carinho. Mas você me trata como cachorro. Se eu latir demais, me joga na carrocinha. E o nome dela é "vácuo." Se eu falo, sou chato. Se eu cobro, sou carente. Se eu sinto, sou demais. Engraçado. Você nunca me chama de amor, mas sabe exatamente como me fazer sentir descartável. E talvez um dia eu apareça na televisão. Você vai olhar pra tela, me reconhecer e mudar de canal. Talvez ainda diga: “Esse famoso é chato.” E eu vou rir. Porque você nunca percebeu que aquele homem na televisão era o mesmo cachorro que passou a vida inteira implorando por um lugar aos seus pés.

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Verdade

Esforço.

Esforço Esforçado, eu tento mostrar o quanto eu me esforço. Levo meu corpo ao limite até ele implorar para parar. E eu não paro. Porque talvez ninguém perceba o quanto dói tentar ser bom quando você não nasceu com o dom. Então eu tento. De novo. E de novo. E de novo. Até minhas mãos tremerem, até minhas pernas falharem, até meu corpo se tornar pesado demais para continuar carregando. Como Escanor, que queimou o próprio corpo para proteger quem amava. Como Rock Lee, que não recebeu talento do destino e mesmo assim decidiu lutar contra ele. Chamaram-no de gênio. Mas ninguém viu as mil flexões. As mil repetições. As horas em que ele treinou sozinho. As vezes em que caiu e levantou sem ninguém aplaudir. É fácil admirar alguém quando ele está de pé. Difícil é admirar quando ele está no chão. Porque todos querem ver a vitória. Ninguém quer ver o preço. Todos enxergam a glória, mas quase ninguém olha para trás para ver o sangue, o suor, as lágrimas engolidas e aquele corpo destruído que precisou morrer um pouco todos os dias para chegar até ali. Eu não quero que digam que foi talento. Eu quero que saibam: eu me destruí tentando. E se um dia eu chegar ao topo, não digam que eu tive sorte. Olhem para minhas mãos. Elas vão contar tudo aquilo que vocês nunca viram.

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Tempo.

Tempo. O tempo passa como palavras: rápido demais para sentirmos, lento demais para percebermos o quanto está levando de nós. É como folhas caindo de uma árvore. Uma por uma. Sem pressa. Sem barulho. Até que um dia olhamos para cima e percebemos que já não restou quase nenhuma. É como aquela sensação de um amor jovem, quando tudo parece eterno, quando um olhar parece durar uma vida e um abraço parece capaz de parar o mundo. Mas o tempo muda tudo. Muda rostos, muda sentimentos, muda pessoas e transforma até aquilo que juramos que jamais mudaria. No fim, talvez tudo se resuma a um único ponto: acabar. Uma frase que escutei certa vez dizia: “As estrelas se apagam, os ídolos caem e os craques envelhecem." E quanto mais penso nisso, mais percebo que essas palavras são verdadeiras. Porque o tempo não respeita ninguém. Ele derruba o que parecia eterno, envelhece o que parecia jovem, apaga o que parecia inesquecível e transforma memórias em fotografias de uma vida que já não existe. Como disse Rocky Balboa: “O tempo é invencível.” E talvez seja isso que mais assusta. Não podemos lutar contra ele. Não podemos ameaçá-lo. Não podemos pedir que espere. Só podemos assistir enquanto ele passa. E, enquanto passa, leva um pouco de nós a cada segundo.

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Ela não ama

Ela não ama Ela não ama. Ela nunca me amou, e eu sei o quanto dói ser apenas um rosto perdido no olhar de quem não nos vê. É engraçado... diante dela, eu visto um sorriso, brinco de ser palhaço, como se a tristeza fosse apenas uma maquiagem no rosto. Mas quando o espetáculo termina, as luzes se apagam e eu descubro, mais uma vez, que nem no canto do coração dela existe um lugar para mim. Ela disse que não iria se apaixonar, mas olha só... já existe outro alguém ocupando o espaço que eu nunca consegui alcançar. E eu? Eu fico para trás, como uma carta esquecida dentro de uma gaveta que ninguém mais abre. Eu tentei. Tentei transformar meus dias em motivos para você sorrir, tentei ser abrigo quando o mundo parecia tempestade. Mas, no fim, parecia que minhas palavras eram apenas folhas ao vento: passavam por você sem jamais permanecer. Talvez um dia eu desapareça da sua paisagem. E quando procurar por mim e encontrar apenas silêncio, talvez perceba que algumas presenças só são compreendidas quando viram ausência. E se um dia o seu coração se partir ao lembrar de mim, não será vingança. Será apenas o tempo devolvendo lentamente tudo aquilo que um dia eu deixei nas suas mãos. Eu te amei mais do que você poderia imaginar, mais do que minhas palavras conseguiriam explicar. E talvez essa seja a parte mais triste de tudo: você não quer mais ouvir minha voz, não quer mais meus áudios, não quer mais minhas palavras... Enquanto eu ainda guardo cada silêncio seu como quem guarda os últimos pedaços de uma história que só um de nós queria continuar.

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Sociedade

Esconder.

Esconder Assim como Bunny Iglesias, caminho coberto por marcas que nem o tempo conseguiu apagar. Os sorrisos ao meu redor parecem máscaras de um baile que já terminou, e por isso aprendi a conversar mais com o silêncio do que com as pessoas. Existe um inverno que mora sob o meu elmo de cavaleiro. Minha armadura não nasceu para a guerra; nasceu para impedir que enxerguem as tempestades que carrego. Há dias em que o peso do aço parece maior que o do próprio corpo. Ainda assim, continuo de pé, porque abandonar a espada significaria deixar que o mundo visse as rachaduras. Nos meus olhos existe um oceano preso atrás de uma barragem. Ele conhece o caminho da liberdade, mas teme que, ao transbordar, o chamem de fraqueza em vez de humanidade. Então sigo marchando. Não porque o campo de batalha tenha terminado, mas porque alguns cavaleiros aprendem a esconder suas maiores guerras debaixo da própria armadura.

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Assombrado.

Assombrado Eu vivo assombrado. Isso é um fato. Quando eu era criança, diziam que existiam monstros escondidos no armário e debaixo da cama. Eu olhava para a escuridão e, mesmo com medo, nunca consegui acreditar que eles realmente estivessem ali. O tempo passou. E foi então que descobri que meu verdadeiro medo nunca foram os monstros. Meu medo sempre foram os fantasmas. Eles não arrastam correntes, não fazem barulho na madrugada e não vivem nas sombras. Eles têm olhos, sorrisos e promessas. Às vezes, vestem o rosto de uma garota que diz me amar. Mas, no fim... Ela vai embora. E leva consigo partes de mim que eu nunca consegui recuperar. Desde então, vivo assombrado por lembranças que insistem em bater à minha porta. Fantasmas que aparecem toda vez que tento acreditar em alguém de novo. Às vezes, paro diante do espelho procurando quem eu era antes de tudo isso. Mas o reflexo já não parece meu. Talvez os monstros nunca tenham existido. Talvez os verdadeiros fantasmas sejam aqueles que entram na nossa vida dizendo que vieram para ficar... ...e desaparecem, deixando apenas o vazio. E é por isso que eu vivo assombrado. .

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