Tarantino.
Tarantino Os chineses me fizeram romancista, um incurável condenado ao amor, sem cura, sem remédio, sem sequer o direito de descobrir onde termina o carinho e começa a dor. Eu sei amar. Talvez até demais. Sei transformar um olhar em eternidade, um abraço em morada, um nome em oração e uma ausência em uma saudade que nunca aprende a morrer. Eu sei escrever sobre amor como quem conhece todos os seus caminhos, mas, quando tento caminhar por eles, sempre acabo sozinho. Todo amor que chega parece trazer uma despedida escondida. Toda promessa de para sempre parece ter sido escrita com tinta de adeus. E talvez a decepção seja a única mulher que realmente me ama, porque ela nunca foi embora. Ela segurou minha mão quando outras soltaram. Dormiu ao meu lado quando o silêncio tomou conta da cama. Conheceu minhas fraquezas e, mesmo assim, continuou voltando. Que ironia: eu, que sonho em ser amado, tenho como companhia mais fiel aquilo que sempre me destrói. Talvez eu tenha um pouco de Tarantino dentro de mim: transformo tragédias em histórias, feridas em poesia, beijos em memória e despedidas em cenas que repito na cabeça até acreditar que algum dia tiveram um final feliz. Eu faço do amor um filme perfeito, mas nunca consigo atuar nele. Porque de que adianta ser o maior romancista do mundo se, quando chega a minha vez, ninguém fica? De que adianta saber dizer “eu te amo” de mil maneiras, se nenhuma delas foi suficiente para fazer alguém escolher ficar? Talvez esse seja o meu castigo: eu nasci sabendo amar, mas nunca aprendi a ser amado. E talvez seja por isso que escrevo tão bonito sobre o amor. Porque existe uma crueldade que só os românticos entendem: às vezes, quem mais sabe falar sobre amor é justamente quem passou a vida inteira tentando convencer o próprio coração de que um dia alguém ficará.
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