A porta está aberta.
A porta está aberta. Mas de que adianta se eu me matei tanto por esse amor e, ainda assim, você precisou se afastar? Você não tem culpa. Eu sei. Talvez a vida tenha colocado coisas demais sobre os seus ombros, e o seu futuro tenha encontrado um caminho onde eu já não caibo. Tudo bem. Todos nós temos uma vida que continua, mesmo quando alguém fica para trás. A porta está sempre aberta. Mas é tão difícil passar por ela quando tudo o que existe do outro lado parece ser a confirmação de que você foi embora. Meu coração também está aberto, mas não por esperança. Está aberto pelas cicatrizes. Por aquelas que eu pensei ter fechado, mas que ainda sangram quando alguém toca no lugar errado. Eu carrego minhas coisas. Meus medos. Minhas neuroses. Essa maneira maldita de transformar qualquer ausência em culpa. Você foi o meu ar. E agora, com os seus problemas, com os meus, com tudo aquilo que não conseguimos resolver, o que antes me fazia respirar parece uma corda apertada contra o meu pescoço. E eu me pergunto: Por que eu fiz isso? Por que eu estrago tudo? Por que, quando alguém se aproxima, eu já começo a imaginar o momento em que essa pessoa vai embora? Eu sou um problema. É isso que repito até a frase parecer verdade. Sou como o Amumu: tão desesperado por um abraço que até o toque parece perigoso. Como se alguém pudesse me encontrar e, ao tentar me segurar, acabasse se desfazendo em minhas mãos. Eu não sei se consigo ter amigos sem esperar que eles me abandonem. Não sei se consigo sentir felicidade sem procurar nela o momento exato em que vai acabar. Talvez sejamos dependentes um do outro. Talvez seja apenas o medo. Medo de ficar. Medo de partir. Medo de descobrir que a porta sempre esteve aberta e que, mesmo assim, nenhum de nós conseguiu ir embora. A porta está aberta. E eu continuo aqui. Com o coração aberto, as cicatrizes abertas, e tudo aquilo que eu não consegui dizer fechado dentro de mim.
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