Curei seus prantos, imbuídos de sentimentos confusos e distantes,
Reneguei a força do ego apenas para te dar afago.
Sentia palpitar uma emoção que dilacerava o peito,
Deixando obliterada a aldrava do meu coração.
Sentia o lávido ardume de teu corpo,
Queimando igniamente em mim.
Sentia teus beijos chorosos em minha face
E apetecia-me transviar na volúpia de tua boca.
Sem deixar tão evidente o desejo,
Posturo-me em um personagem
Talvez meu próprio alter ego,
Mantendo oculto aquilo que o coração não consegue reter.
Mas, quando te encontro distante,
Te sinto vilipendiar o meu constante e infeliz coração.
Por fim, na penumbra,
Oferecer-te-ei o afago machucado de um amigo...
Tal qual a canela
Que impregnou de perfume o cinzel que a feriu.
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Sonho com o dia em que estes anos-luz
serão apenas histórias pra contar.
Mas me assusta o fato de que,
embora eu leve quatro anos pra te alcançar,
de onde venho já se passaram trinta.
É a crueldade física do amor distante:
ficar dividido entre dois universos.
O brilho da tua estrela matutina
me dá uma ânsia de voar alto
e te abraçar, anjo celeste.
Mas a flechada do tempo dói tanto
quanto a flecha do Cupido,
ao unir dois corações tão distantes.
Me ajuda a procurar nas constelações
o atalho mais rápido pra te ter em meus braços...
Vejo a Via Láctea se tornar Via Lacrimalis,
pois são as lágrimas que enfeitam
essa longa estrada dos céus.
Eu espero que do meu âmago a gravidade seja esmagada pelo desejo e faça uma ponte para unir essa distância assombrosa, e que a ficção científica vire uma ciência prática para unir nossos corações distantes; mas se minhas pernas não aguentarem o próximo passo, minhas últimas lágrimas serão de felicidade, pois soube que, vendo seu brilhar distante, de alguma forma também fiz parte de seu passado.
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"Desvio de verbo"
A situassão ta feia
Ta bem disagradavil
Num si podi mai fala oque pensa
E nem pensa diferenti podi mai
Cade aqueli tempu que tudo era facil?
Na verdadi era mai difisil!
A educasão era tão distanti
Mas num pudia desisti né?
Aquele que aprendeu a le, le mali
tem muito assentu e palavra difísil
Mai quem ta lá na sala no geladinho
Num sabe o calor que faz aqui fora
Num sabe não!
Se pergunta pra vossa incompetência o juiz Eli fala difisil di intende, cum palavra xique só finju intende, o deputado que eu fez pergunta, foi o único que mi abraso, essi anu votu nele porque mim deu um sacolão, perguntei di ondi veio a verba Ele disse da educação!!
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Dourada será a manhã,
pois nela o sol brilha,
iluminado pelo seu sorriso.
Espero que o dia chegue logo,
pois agora caminho na noite.
E é de noite que me guio por reflexos na lua
e sigo por uma estrada deserta,
sem ter um mapa, que é para não me perder.
O vento que vem manso
traz para mim seu cheiro leve
de ervas do anoitecer,
deixando meu coração em êxtase.
Segunda-feira estava tudo bem:
você sorria e o sol lambia seu cabelo castanho.
Mas na terça você já desapareceu,
deixando pegadas na areia que sigo desde então.
Onde foi parar a dama da noite
que não floriu hoje aqui,
deixando-me nessa busca por seu amor?
Caio de joelhos no escuro.
Todos os insetos e bichos ao redor
aproveitam para se alimentar do meu sofrimento;
ficam calados ao me verem dobrado.
Mas quando me levanto,
eles cantam e gritam mais alto do que já se ouviu.
Não posso desistir no meio do caminho.
A lua já ia se escondendo para dormir
quando vejo, em minha frente,
uma única pétala caída sobre a areia fria,
fresca, como se o orvalho
tivesse acabado de chorar por nós.
E é aí que não paro para chorar.
Aperto o passo e sinto o sobressalto das sombras
dobrando a esquina do vento.
E a noite, finalmente cheirando a recomeço...
É ali que enfim posso descansar
e descobrir a curva final da praia,
onde suas pegadas paravam para me esperar.
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O coitado morreu e hoje debruçam-se sobre seu caixão os únicos que o amavam de verdade. Partiu tão cedo deixando saudades no peito de todos que amou. As lágrimas vivas de sua viúva rolavam até cair sobre seu corpo desfalecido, e ela dizia que aquele sofrimento que ela o viu sentir a fez desacreditar de seus dogmas. Mas ela fala tão alto que alguém que não chorava pelo morto escutou, e veio dizer que eram os planos do ser dogmático e que ela não deveria chorar ou se importar com isso, pois tudo tinha um porquê. E foi por isso que...
Ela então o atinge com um tapa não com sua mão, mas com sua boca ao dizer que importa sim, pois o viu sofrer, e que todos ao seu redor vão continuar a sofrer sua ausência. A conclusão dela era de que ser algum em sua magnitude faria isso a seres tão frágeis. Completou dizendo que é tão de praxe que pessoas que seguem seus dogmas de forma tão ortodoxa se importem menos com as pessoas, pois, para quem sofre, uma recompensa no final o conforta...
O dogmático se calou,
com o peso da verdade cravado na pele.
Não havia oração que tapasse a ferida,
nem promessa que apagasse a ausência.
A viúva deu as costas ao consolo,
voltou a chorar o seu morto
e, na vastidão daquele silêncio,
encontrou a única santidade que resta:
a humanidade de sentir a dor até o fim.
E eu, ouvindo isso, achei tão desnecessariamente necessário...
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Para sua voz, ó glorioso Trovão, que enviaste a quem necessitava seu mais belo cantor, seria ele capaz, com seu canto único, de curar todos aqueles que sofrem de dor?
Agora sim, agora é a hora em que o canto que mandaste o pássaro cantar faz brotar a flor da esperança que há muito fenecera... Japim.
A soberba tomou o poder de suas asas, a realeza se torna escrava de seu próprio cantar...
Japim, condenado foste a imitar, a perder teu canto e a cantar os versos lindos de outras canções.
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Escreverei para você frases bonitas de amor,
apenas lamentarei quando essas frases tornarem-se triviais,
apenas espero que nesse momento cada frase de amor possa apenas transmitir o sentimento do profundo "te amo".
Como a caneta corre no papel sem um destino próprio que ela escolherá,
também corro eu em seus braços em um futuro que já não sei...
Espero na inocência que palavras singelas possam te mostrar:
escrever lanterna em um poema não é o suficiente pra iluminar o caminho.
Fecho os olhos pois sei que nesse momento quem guia é o coração.
Sentir o beijo, o calor e a libido,
cozir em seu corpo meu sentimento,
por isso digo que é difícil em letras traduzir sentimentos.
Poemas são águas que cobrem pedras,
que albergam nosso desejo,
e fazem findar em rios profundos o prazer do beijo.
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Eu não daria um dia da minha vida por nada.
A vida é tão linda no céu azul de cada dia,
Cada desabrochar de flores azuis nos jardins
Nos mostra a beleza que a primavera tem para nos dar.
Mas se um dia... Mas nesse dia, em que eu cumprir minha missão efêmera de vida ,
Que eu me vá em outubro,
Pois é o mês mais lindo no hemisfério sul e do Norte,
Pois há um charme em saber que, em um mundo onde já é outono, também é primavera.
E, enfim, espero que demore longos e longos dias,
E que cada verso de poesia não seja breve como os 31 dias de outubro.
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Ela me devorou; não com a violência da antropofagia, mas com uma entrega febril que me desfazia por dentro. Nosso suor se misturava ao orvalho da noite; o cheiro de terra molhada e flor de vitória-régia parecia brotar da pele dela. A cada toque, a selva se fechava ao nosso redor, quente e sufocante, fazendo-me esquecer de onde vim e de quem eu era. O tempo simplesmente parou. Ela parecia ler minha mente: sorria com dentes claros na penumbra, sussurrando que aquilo era só o começo que deixaria uma marca minha nela e um presente dela em mim.
Meu peito queimava e o coração batia num compasso estranho: quase humano, quase bicho. No céu, a lua parecia uma ferida estática. Nenhum vento movia as folhas; ouvia-se apenas o eco trêmulo do uirapuru e o coaxar distante de uma rã, ditando o ritmo do nosso transe. Aninhado em seus braços quentes, deixei-me afundar num sono sem fundo.
Quando despertei, a noite ainda era escura. Chorei em silêncio, sentindo o vazio da mata ao meu redor... até que notei algo absurdamente pesado e gelado sobre meu peito: uma rã esculpida em pedra.
Peguei-me pensando se havia enlouquecido. Voltei ao local várias vezes, porém nunca mais vi aquela mulher. Hoje sei que o muiraquitã, presente da guerreira amazona, é a proteção divina esculpida com todo o seu amor místico. E quando coloco o amuleto sobre o peito, ainda consigo ouvir o canto do uirapuru e compreender que o amor de uma amazona não se prende ao tempo: ele se torna eterno.
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(Ostracismo Moral II)
Todos que saíram limpos da primeira leitura
já entendem o caminho a seguir
e tratam o ostracismo não como fuga, mas como ideologia.
A nova ideologia agora é aquela de "O Cavaleiro da Triste Figura" —
não como súdito de Cervantes,
pois ele é o rei coroado dos ignorantes:
o trono medíocre ao qual a maioria se curva.
"Há quem invente um reino imaginário
que repete tudo o que a história já contou
e brada ser novidade;
arrogante que ignora a própria ignorância,
pois nada é mais decrépito do que a falsa novidade."
O poeta não se cala diante da imundície dos reinos
porque recusa a cumplicidade do silêncio.
A beleza é cega sem o contraste,
e a arte só se consolida na ruína.
Não há beleza no ouro reluzente
sem a podridão da terra de onde ele se sente;
pois só entende o valor da alvorada
quem já morreu na noite devastada...
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