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The_anônimo

@the_desconhecido · desde 2025

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Poesia

A era do gelo

Às vezes me sinto no filme A Era do Gelo, pois sempre me sinto cercado por paredes, e preciso aprumar mais o pelo, pois o gelo está quase derretendo. Sempre admirei o Dente-de-Sabre, mas hoje, ao meu ver, o mais foda é a preguiça, porque, na vida, nem sempre vai ser sobre o ataque, e sim sobre como resolvemos os obstáculos da vida. De galho em galho, de pedra em pedra, de rio em rio, tenho me conectado com a natureza ultimamente. Com o sol no talo, "quebrando nozes" para repartir entre moradores de rua. Vai por mim, o sorriso deles é surpreendente. Em minha ira, dá vontade de ser um mamute e sair destruindo tudo à frente, mas, na prática, me sinto o Sid. E, se não fazem rir o palhaço, será que é o suficiente? O motivo de estar aqui, das noites que passei sem dormir, porém sonhando acordado. Quando você partir, não quebre as pontes que atravessar. Podem servir para alguém se inspirar e construir além do que a imaginação pode sustentar. |The anônimo.°

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Poesia

Se a saudade tivesse nome

Uma garota morreu de solidão, e antes que a saudade tivesse nome, o velório lotou de pessoas. — Hoje acordei cedo, fumei alguns maços e me olhei no espelho. E antes que a saudade tivesse nome, o dia já havia ido embora quando olhei no ponteiro. Saudade: — Agora é tarde, você não vê? Só pode sentir-me agora. Ele não voltará a aparecer. — Minha rotina? Deixa eu ver... Desempregado de novo? Ultimamente ando sempre explosivo, causando intrigas, dormindo tão pouco. Mas acho que isso não é a saudade. Saudade: — Não tente persistir. Você sabe que não vou embora. Ainda que lute, ainda que tente esquecer, eu vou continuar aqui. Vamos, se culpe. Você pisou na bola. — Quer saber? Se você tivesse um nome, seria amargo, pois sempre que nos encontramos, essa amargura escorre entre seus vislumbres e lembranças. — Se tivesse um gosto, seria azedo, pois sempre escolhe os meus piores arrependimentos, afogando mais ainda o pouco que me sobrou de esperança. Saudade: — E se eu tivesse um rosto, você saberia exatamente quem procurar. — Se tivesse um rosto, talvez eu já tivesse parado de procurar. Saudade: — E se tivesse uma voz? — Seria a voz de quem não posso mais ouvir. Saudade: — E se tivesse um lugar? — Seria qualquer lugar onde você conseguisse me fazer lembrar. Saudade: — Então por que ainda tenta me dar um nome? — Porque talvez, se eu conseguir te chamar por alguma coisa, eu consiga entender por que você sempre volta. Saudade: — Você já sabe por quê. — Então diga. Saudade: — Porque enquanto houver lembrança, eu nunca vou precisar de um nome. |The anônimo.

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Poesia

Comparado ao inexistente

Já pensou que a gente é comparado ao inexistente o tempo todo? Seja pelos próprios pensamentos ou pela mente de outros… que inventam um “eu” perfeito — que nunca existiu. Criam versões minhas que nem eu reconheço, esperam algo que eu nunca prometi, e no fim me medem por algo que não sou… nem nunca fui. Às três da manhã, o tempo desacelera, e o silêncio parece falar mais alto que qualquer voz. É ali que eu me escuto de verdade — quando não sobra ninguém além de nós. Hoje me compararam com um cara que quase não sai do quarto, que vive trancado, no próprio espaço. Mas no fim… é ele que tá ganhando, enquanto eu ainda me perco no mesmo traço. Ele já tem rumo, dinheiro, direção, e eu aqui, às duas da manhã, com um cigarro na mão. Desempregado… tentando entender em qual versão de mim acreditaram Confesso: hoje uma lágrima caiu, mesmo eu fingindo que nada aconteceu. Porque eu escondo até de mim o que, no fundo, nunca morreu. Meu corpo fala, mesmo quando eu nego, mesmo quando eu tento parecer forte. É como se gritasse em silêncio: você ainda sente — só esqueceu de admitir sua própria dor. E quando passo pelas ruas de antes, vejo tudo que deixei escapar, o que eu podia ter sido… e escolhi não continuar. Fico preso em memórias que não voltam, me culpando por escolhas que já foram. Sabendo que não dá pra mudar — mas mesmo assim, meus pensamentos retornam. Cansado durante o dia, vazio por dentro, e à noite eu visto o mesmo disfarce. Um sorriso que engana os outros… e me convence que eu ainda não desmoronei de verdade. Porque no fundo, entre o que eu mostro e o que eu escondo, eu já nem sei qual parte é superficial. Só sei que sigo sendo comparado ao inexistente… e me perdendo pra algo que nunca foi real. |The anônimo.

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Poesia

Somos seres rotulados

Somos seres rotulados Perguntaram ao professor Por que ele ensinava matéria básica no último ano Eu respondi que tinha perguntado E logo vieram risos, deboche, ecoando Mas não posso me abater Meu foco é chegar no alto Somos seres rotulados E não acho errado falar de “nós” como um todo Sentimos tanto por dentro Mas descontamos tudo nos outros “Mas eu não sou assim” (O que está fazendo? Não fale por mim) Disse a pessoa que não pergunta Se o outro está bem, se o dia foi ruim Disse a pessoa que não gosta de ser julgada Mas vive acusando o acusador Quando não é na nossa pele, é mais fácil, né? Mas o outro também sente a dor Somos seres rotulados E mesmo que diga que não Esse mundo está bagunçado Almas vazias, sorrisos falsos Se escondendo atrás da mão Uma tela acesa, um copo cheio E na outra mão o baseado Rindo alto por fora Mas por dentro, sobrecarregado Somos seres rotulados Nos dão nome e etiqueta E se você não entra no jogo Dizem: “não sabe o que é brincadeira” Somos seres rotulados Ontem lembrei de um mano que não está mais do lado Corações param de bater Mas os momentos ficam guardados Escrevo o que sinto em silêncio Mesmo quando não sou escutado Entre vozes e julgamentos Sigo vivendo como um anônimo calado Acho que devo parar por aqui Afinal, já é tarde… e eu ainda tô acordado quando devo dormir Pensando em tudo que ouvi Em tudo que eu fui chamado Passei anos tentando caber Num molde que nunca foi meu lado Aceitando cada palavra Que jogavam como um fardo Escutei tudo calado Mesmo estando machucado Tentando provar meu valor Pra quem nunca tinha olhado Mas hoje… eu parei. Respirei… olhei pra mim… cansado. E pela primeira vez eu percebi… Eu nunca fui aquilo que diziam. Eles só me chamavam assim… Porque também viviam rotulados. •The anônimo

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Poema

Desigualdade de um anônimo

Desigualdade O que você entende sobre desigualdade? Que uns recebem muito, enquanto outros só metade? Que uns necessitam, enquanto outros gastam tudo em boate? Essa, sim, é a nossa realidade. Mas, ao meu ver, não é só isso que define a desigualdade, ela também aparece na violência da cidade, onde o medo faz parte da rotina e a injustiça vira normalidade. Escrevo esse poema com rancor de mim mesmo, pois me frustrei com falsos preceitos. Sempre ouvi sobre o certo e o errado, mas, na prática, tudo parece imperfeito. Ontem, na minha cidade, rolou um assalto, e, naquele momento, me senti em falta. Vi a situação, pensei em fazer algo, mas o medo falou mais alto — e isso me abala. Faço esse apelo a um ser maior, se possível, me dê coragem e determinação, pois ainda luto em prol de um mundo melhor, onde exista segurança de verdade e não uma falsa sensação. Postei nos stories pra ver se ajudava, uns visualizaram e não falaram nada. Outros disseram que eu tava atrapalhando o corre do cara… e assim a verdade foi ignorada. E é aí que entra outra desigualdade: a de consciência e responsabilidade. Não sei vocês, mas vim da periferia, e aqui onde convivo, quem luta por justiça é chamado de “x9” e morre na covardia e brutalidade. Por isso tive que apagar o vídeo, já que tenho muito a perder… Mas por que ainda estou frustrado comigo, mesmo sabendo que nada eu podia fazer? Até quando isso vai acontecer? Vivemos em um país onde corruptos estão no poder, enquanto alguns trabalham, no final do seu turno, sempre tem alguém pra atrasar você. Queria ter feito mais, essa é a verdade… Talvez, se eu fosse mais respeitado, não viveria com tanta insegurança e ansiedade. Hoje me disseram que eu sirvo pra ser polícia, mas não são só ladrões e corruptos que carregam a malícia. Maldito é o ser que confia no outro sem cautela, ultimamente ando atento até com a própria sombra, porque a realidade é cruel e revela que, nesse país, pode até ter de tudo — menos segurança que se mostra. • the anônimo

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Poesia

Primeira vez vivendo

[Primeira vez vivendo] Será que um dia minha razão ecoará mais que minhas atitudes? Será que um dia meu amor será puro — sem luxúria? Os batimentos do meu coração baterão mais forte que minhas virtudes? Ou, devido à tua ausência, meu casaco já não cheira mais a pluma? É minha primeira vez vivendo, então me perdoe pelos erros. Prometo que, na próxima vida, não irei cometê-los. Sonhei tão grande sendo tão pequeno. Derramei lágrimas só por ti e por ninguém menos. A cada dia que passa, sempre me compreendendo, procurando entender o motivo de ser tão ingênuo. Ontem me chamaram de playboy na minha cara. Perguntei se era sério e por que ele achava. Respondeu-me que era o Mizuno e as roupas de marca. Pensei em rebater, mas ignorei o cara. Pra falar a verdade, é muito fácil julgar alguém. Eu sei, porque julguei um homem no sinal por estar mal vestido, enquanto distribuía um papel apresentando o seu restaurante. E, no meu pensamento, tudo processou: que da rua ele era morador. Mas, afinal, no final dessa história eu me dei muito mal: o “morador” era o dono do restaurante. (Pensei: eu sou um animal.) Depois que minha consciência pesou, chamei esse homem pra conversar. Disse que estava arrependido. Ele perguntou o porquê. Respondi que me sentia errado por, na minha mente, ter julgado você. Ele disse que entendia e me deu um aperto de mão. Eu chorei olhando pra ele, e ele entendeu aquela sensação. Por isso eu sei que julgar é muito fácil. E, pra falar a verdade, pensando agora: não quero ter ódio de ninguém só porque desaprova a minha opinião. Deus sempre viu os dias em que eu trabalhava, desde menorzinho, pra ganhar noventa reais. E hoje meu guarda-roupa se encontra cheio com coisas que lutei e conquistei. Então, se hoje sou chamado de “boy”, eu entendi que meu objetivo finalmente alcancei. — The anônimo

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Poesia

O que eu faria se fosse humano

O que eu faria se fosse humano? Falaria, agiria, desprezaria — mas cá estamos Mentiria?, acusaria tudo o que já planejamos Passei a enxergar a vida de outro modo, Modo esse que revela toda a narrativa Pessoas que até ontem eu chamava de amor Hoje são tão distantes, quase desconhecidas Quantas vezes escutei que a vida é fase, Mas nunca me aprofundei pra realmente acreditar Pois mesmo hoje, em meio a tempos ruins, Não sei se essa “FASE” vai passar A vida é como mil palavras, Parece ser tanto, mas ao mesmo tempo insuficiente Já não existe gratidão pelo que temos, Mas sim discordância e ganância Pelo que nunca foi da gente Assim como Groot, aprendi apenas mil palavras “Eu te amei” Sei que todos dizem isso, Mas não foi por beleza, aparência ou carência Contudo, seu jeito, cabelo e sorriso Tornaram insuportável a sua ausência Agradeço ao universo, que me mostrou Como a vida pode, sim, ser bela Ao longo da vida desacreditei do amor, Do destino e de uma vida nova Mas você foi a minha oração mais sincera Por isso hoje danço, me espanto e canto, Com felicidade, pois me tornei meu próprio refúgio E sempre no final da noite, toda vez que me pergunto Como aconteceu e como terminamos, Penso no que eu faria se tivesse outra vida Ou no que eu faria se fosse humano [The anônimo]

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Poesia

Se eu fosse Deus

Se eu fosse Deus, será que tudo seria diferente? Me revelaria, puniria e acolheria quem rouba e mente? Seria paciente, jamais imprudente? Falaria com meus filhos nos dias mais quentes? Me mostraria só pra ter fama e gente, pra que me adorassem até dentro da mente? Talvez criasse um novo universo, pois nesse falta bondade. Ainda que exista exceção, buscaria um mundo de humildade, onde não houvesse distinção, dor ou desigualdade. Onde crianças não morressem nos ventres de suas mães, nem perdessem a esperança quando tudo vira vã ilusão. Mas afinal, qual seria a punição? Um inferno alternativo? Mais leve, mais padrão? Pra ser sincero, eu não teria dó — não sirvo pra ser Deus, a humanidade já teria virado pó. Mataria a morte, alimentaria a fome, curaria a doença, soltaria o homem do medo que corrói, mente e consome. No meu céu haveria toda raça, todo tom, toda vida. Dizem que animais não têm alma… mas discordo, pois já vi neles coração e acolhida, quando familiares não foram abrigo na hora mais sofrida. Hoje postamos indiretas, curtimos algo pra chamar atenção — parece que maturidade virou fingir que superou e está tudo bem, sem emoção. Lembrei que me perguntaram se sou alguém maduro… e sinceramente, fui um 100: um “sem resposta” pra perguntas profundas, um “sem atitude” quando devia, esperando o tal momento certo, um “sem perceber” que o tempo corre depressa, um “sem saber” se meus sentimentos eram honestos ou só medo encoberto. Mas afinal… o que eu faria se fosse Deus? Pergunta simples, mas meu pensamento continua em branco, sem voz. Talvez porque, no fundo, eu saiba que não sou Deus — sou humano, tenho vida, sonhos e planos meus. Então vou caminhar no presente e focar no futuro, pois é isso que me faz gente. E reformulando a primeira frase que nasceu do meu engano: o que eu faria se fosse… humano? [ The anônimo]

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Poesia

Escolhas erradas

(Escolha erradas) Miserável, largado no palco, vícios, escolhas tortas, álcool… Tudo ficou preso no passado, e ele nem sabe se deve ser lembrado. Memórias ruins sempre o travavam, passos certos, mas caminhos que falhavam. O que é um poeta sem o próprio traço? E o narrador sem voz, sem espaço? Pra ele, parecia não sobrar nada — mas por que a vida veio tão pesada? Pensei no tempo e percebi de novo: o mundo não anda sem o toque dos loucos. Gente sem medo de cair ou arriscar, vivendo o agora, prontos pra tentar. Ele pensou mais fundo e quis gritar, implorou pro tempo parar, voltar… Mas o tempo segue mudo, lento, e tudo que era firme virou vento. Acabou — mas aí pôde se levantar. E entendeu que não é sobre quanto pode acertar, mas sim o quanto consegue continuar mesmo quando a vida insiste em bater sem parar. [THE ANÔNIMO]

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Poesia

O eco do silêncio

Você diz que ama meus olhos, mas ultimamente só os faz chorar. Ainda guardo o seu casaco, quem sabe um dia eu vá lhe entregar. Sei que o que a gente viveu foi real, mesmo sem sair como planejávamos, o tempo que estivemos juntos foi especial, mesmo com erros que não esperávamos. Imaturidade houve dos dois lados, mas reconhecer já é outro passo. De abraço em abraço, de toque em toque, espero que em outra vida o destino nos coloque. Nesta ficaram mágoas e tristeza, corações partidos, histórias sem certeza. Imprevistos como implorar pela sexta na terça-feira, fazem a vida parecer brincadeira. Será que você ainda pensa em nós? Eu penso em como tudo podia melhorar. Sei que também se culpa pelo que fez, mas no fim decidiu se afastar. Ou talvez nem ligou, foi só um fardo a menos para carregar "Pessoas confusas perdem pessoas incríveis, e pessoas incríveis aprendem a ser fortes para continuar.” Sei que também errei, por isso venho lhe pedir perdão. Que se danem traumas, tristeza e depressão, o tempo cura, mas fica a lição. Não posso mais olhar para trás. É loucura te deixar ir? Talvez seja paz. Escolhi te soltar para você seguir, mesmo com vontade de nunca partir. Sejamos felizes — loucos já estamos. Olho o mar, as pessoas, o mundo e pergunto: como chegamos aqui, perdidos, distantes, com lembranças que ainda perguntam? Se eu tivesse mais um minuto, te abraçaria com mais intensidade, te beijaria com mais verdade, olharia para o vento no seu cabelo e admiraria seu jeito por inteiro. Talvez você não saiba, mas chorei quando se foi. Naquele dia deixei “nós” para trás, o agora virou depois. Se não derramou uma lágrima por mim, não se culpe — já diz muito sobre nós. Mostra quem errou, quem deixou de sentir, quem se perdeu na própria voz. Pode não parecer, mas eu queria mais, não só seu corpo, mas seu sorriso, sua paz. Dirão que é mentira ou papo de quem engana, mas minha parte eu fiz, não jogue lama. [The anônimo]

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