Primeira vez vivendo
[Primeira vez vivendo] Será que um dia minha razão ecoará mais que minhas atitudes? Será que um dia meu amor será puro — sem luxúria? Os batimentos do meu coração baterão mais forte que minhas virtudes? Ou, devido à tua ausência, meu casaco já não cheira mais a pluma? É minha primeira vez vivendo, então me perdoe pelos erros. Prometo que, na próxima vida, não irei cometê-los. Sonhei tão grande sendo tão pequeno. Derramei lágrimas só por ti e por ninguém menos. A cada dia que passa, sempre me compreendendo, procurando entender o motivo de ser tão ingênuo. Ontem me chamaram de playboy na minha cara. Perguntei se era sério e por que ele achava. Respondeu-me que era o Mizuno e as roupas de marca. Pensei em rebater, mas ignorei o cara. Pra falar a verdade, é muito fácil julgar alguém. Eu sei, porque julguei um homem no sinal por estar mal vestido, enquanto distribuía um papel apresentando o seu restaurante. E, no meu pensamento, tudo processou: que da rua ele era morador. Mas, afinal, no final dessa história eu me dei muito mal: o “morador” era o dono do restaurante. (Pensei: eu sou um animal.) Depois que minha consciência pesou, chamei esse homem pra conversar. Disse que estava arrependido. Ele perguntou o porquê. Respondi que me sentia errado por, na minha mente, ter julgado você. Ele disse que entendia e me deu um aperto de mão. Eu chorei olhando pra ele, e ele entendeu aquela sensação. Por isso eu sei que julgar é muito fácil. E, pra falar a verdade, pensando agora: não quero ter ódio de ninguém só porque desaprova a minha opinião. Deus sempre viu os dias em que eu trabalhava, desde menorzinho, pra ganhar noventa reais. E hoje meu guarda-roupa se encontra cheio com coisas que lutei e conquistei. Então, se hoje sou chamado de “boy”, eu entendi que meu objetivo finalmente alcancei. — The anônimo
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