Comparado ao inexistente
Já pensou que a gente é comparado ao inexistente o tempo todo? Seja pelos próprios pensamentos ou pela mente de outros… que inventam um “eu” perfeito — que nunca existiu. Criam versões minhas que nem eu reconheço, esperam algo que eu nunca prometi, e no fim me medem por algo que não sou… nem nunca fui. Às três da manhã, o tempo desacelera, e o silêncio parece falar mais alto que qualquer voz. É ali que eu me escuto de verdade — quando não sobra ninguém além de nós. Hoje me compararam com um cara que quase não sai do quarto, que vive trancado, no próprio espaço. Mas no fim… é ele que tá ganhando, enquanto eu ainda me perco no mesmo traço. Ele já tem rumo, dinheiro, direção, e eu aqui, às duas da manhã, com um cigarro na mão. Desempregado… tentando entender em qual versão de mim acreditaram Confesso: hoje uma lágrima caiu, mesmo eu fingindo que nada aconteceu. Porque eu escondo até de mim o que, no fundo, nunca morreu. Meu corpo fala, mesmo quando eu nego, mesmo quando eu tento parecer forte. É como se gritasse em silêncio: você ainda sente — só esqueceu de admitir sua própria dor. E quando passo pelas ruas de antes, vejo tudo que deixei escapar, o que eu podia ter sido… e escolhi não continuar. Fico preso em memórias que não voltam, me culpando por escolhas que já foram. Sabendo que não dá pra mudar — mas mesmo assim, meus pensamentos retornam. Cansado durante o dia, vazio por dentro, e à noite eu visto o mesmo disfarce. Um sorriso que engana os outros… e me convence que eu ainda não desmoronei de verdade. Porque no fundo, entre o que eu mostro e o que eu escondo, eu já nem sei qual parte é superficial. Só sei que sigo sendo comparado ao inexistente… e me perdendo pra algo que nunca foi real. |The anônimo.
Vazio_constante
eu adorei o poema de vdd eu aprecio a sua forma de demonstrar as emoções com palavras