acho engraçado o modo como sua respiração ofega no tato dos meus dedos,
como ao invés de ofuscar, você reluz, acendendo como uma vela
que é frágil no início, até a faísca tornar-se chama.
engraçado é tu dizer que me odeia,
mesmo ocupando os mesmos lençóis que eu
buscando de mim, desviar sua visão.
sua voz ressoa dos seus lábios impulsivamente,
enquanto seu corpo vai cedendo calorosamente,
com suas coxas travadas entre si,
na luta das suas pernas que se desfazem numa abertura.
é irônico o quanto você deseja me afastar,
só que seus braços não amolecem o contato,
nem quando a melodia de sua voz abafa meus sentidos e as paredes do meu quarto.
seus olhos pulsam,
seu coração escorre,
transbordando a sua vontade negligente que você não quer libertar.
vontade essa que te consome sua psiquê,
lhe atingindo ao ápice reprimido e choroso.
tua suplica se apaga quando tu me imobiliza, sedento
agarrando os meus pulsos,
deslizando pele a pele num roçar ardiloso,
buscando se fundir na minha persona.
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quando nossos olhos se vêem,
os seus me pedem lentidão.
quando o calor estranho nos vêm ao âmago,
sua íris dilata, implorando pelo rápido.
quando a ardência crava em minhas costas,
entendo que não é pra parar.
sei dos pontos que lhe fazem delirar,
o teu suor e cheiro são minha fragrância entre quatro paredes.
teus lábios nos meus explode meu peito,
como aquele pirulito que explodia em minha boca quando criança.
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E se eu não for o único?
Nem o primeiro?
Posso ser quem sou no momento, mas e se?
E se outros de mim existirem por aí
Numa vastidão multiversal?
E se, em cada passo que não dei
Não me tornei aquele artista?
Ou aquele escritor renomado?
E se, em cada passo dado, tivesse pensado melhor?
Não recusado a presença de pessoas que pudessem me ser impactantes?
Ou que tivesse insistido em outras nas quais perdi?
E se, em outros passos, descobrisse outro de mim?
Talvez um novo nome,
Uma nacionalidade oculta,
Um sotaque,
Uma habilidade,
Uma nova forma de ver o mundo,
De ver as pessoas,
Os animais,
A natureza,
A vida.
Talvez um eu,
Ou uma dezena.
Talvez um eu,
Ou uma centena.
Talvez um eu,
Ou um milhar.
Talvez um eu,
Ou um milhão,
Talvez um bilhão, também.
Nunca sei,
Não vou e nem saberei,
Pois sou singular, não um coletivo.
Mas, quem sabe.
De mim, para milhares de mim.
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