aness @satri
Poesia

INTERMITENTE

acho engraçado o modo como sua respiração ofega no tato dos meus dedos, como ao invés de ofuscar, você reluz, acendendo como uma vela que é frágil no início, até a faísca tornar-se chama. engraçado é tu dizer que me odeia, mesmo ocupando os mesmos lençóis que eu buscando de mim, desviar sua visão. sua voz ressoa dos seus lábios impulsivamente, enquanto seu corpo vai cedendo calorosamente, com suas coxas travadas entre si, na luta das suas pernas que se desfazem numa abertura. é irônico o quanto você deseja me afastar, só que seus braços não amolecem o contato, nem quando a melodia de sua voz abafa meus sentidos e as paredes do meu quarto. seus olhos pulsam, seu coração escorre, transbordando a sua vontade negligente que você não quer libertar. vontade essa que te consome sua psiquê, lhe atingindo ao ápice reprimido e choroso. tua suplica se apaga quando tu me imobiliza, sedento agarrando os meus pulsos, deslizando pele a pele num roçar ardiloso, buscando se fundir na minha persona.

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