Soneto
Tendes o olhar frio e o rosto macilento Que tem os cadáveres, que tem os suicidas, Que tem as viúvas, as virgens desprotegidas, O olhar de quem só vê o horror e o sofrimento. O olhar insone, que o verme purulento Na podridão procura, e as musas já perdidas Carregam esse olhar das almas abatidas, Tendes tudo isso e na alma o abatimento. Não vês como faz o amigo escaravelho, O aziago inseto que carrega, sem sorte, O esterco, o rolando? Esse bicho, meu velho, De negra carapaça, horrendo qual a morte, Continua o seu trabalho impuro, e tu, fedelho, Não buscas no trabalho algo que te conforte
pihh
O contraste entre o horror e o sofrimento retratado e a busca por conforto é incrível!!
Filho do pacificador da cidade
Obrigado, Nick 💙💙😊
Aloísio Vilaça
Muito bom; parabéns! No trabalho descansam os que nele encontram o conforto e a paz. Deus nos livre do abatimento, da frieza e da fedelhice; amém!
Filho do pacificador da cidade
verdade! Obrigado irmão 😊🤝🤝
Docke Lima (Paula)
E fúnebre e melancólico, mas mas e lindo tanto pela profundidade tanto pela forma que a gente vê as palavras se encaixarem e escoarem num fluxo tão contínuo. Parabéns 👏🏼
Filho do pacificador da cidade
obrigado, Paula, que bom que gostou 😊🙇🙇💙
Nilza Poetisa
Um Augusto dos Anjos perfeito Lembrei dele no soneto
Filho do pacificador da cidade
ah, muito obrigado, Nilza😊😊💙💙🙇