Dizer o que tenho na alma
Só em sussurros o posso fazer.
Se pouco diz o meu olhar, tem calma,
Menos ainda o tenho a dizer.
Este ofício que me exige tanto,
Desde a infância já nasceu comigo.
Cada poema eu molho no pranto
Que repousou no coração amigo.
Buscas, com razão, em mim,
Qualquer motivo de saudade vaga.
Navego no mar da solidão sem fim,
E a minha vida neste mar naufraga.
Vives dizendo que perdi o brilho,
Dizes que a tempo já não tenho cor.
É que me falta, à natureza, um filho,
E uma mulher que me possua amor.
30.08.24
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Estou farto de versos,
De escrever estou cansado,
Não sei que gênio perverso
Me vincou na alma o fardo.
Estou cansado de tudo,
Tudo que ouço e que leio,
Quero deixar meu peito mudo,
Ave sem nenhum gorjeio.
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Morrendo a luz do dia no horizonte
Se ouve a queixa em linda harmonia
Das avezinhas a cantar defronte
Da vaporosa e escurecida fonte
Que corre além da minha fantasia
Cedo se curva o brilho da paisagem
Na praia e acima dos escolhos
Surge alegre luminosa imagem
E é como um anjo pedindo passagem
A lua, que mais parece um olho
Dedilhando acordes na guitarra
Vou afastando a minha solidão
E a tristeza acompanha e narra
Entre o meu canto e o da cigarra
Quem tem mais dor no coração
E vem de noite pela madrugada
A mais sonorosa inspiração
Canta a alma em versos embargada
Antegozando a bela alvorada
Que irrompe no céu com perfeição
No campo em que o orvalho dorme,
Sobre as rosas, folhas, palmeirais
Vai passear em desprazer enorme
A minha alma, pois, disforme,
Tenho no peito muitos ais
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Tendes o olhar frio e o rosto macilento
Que tem os cadáveres, que tem os suicidas,
Que tem as viúvas, as virgens desprotegidas,
O olhar de quem só vê o horror e o sofrimento.
O olhar insone, que o verme purulento
Na podridão procura, e as musas já perdidas
Carregam esse olhar das almas abatidas,
Tendes tudo isso e na alma o abatimento.
Não vês como faz o amigo escaravelho,
O aziago inseto que carrega, sem sorte,
O esterco, o rolando? Esse bicho, meu velho,
De negra carapaça, horrendo qual a morte,
Continua o seu trabalho impuro, e tu, fedelho,
Não buscas no trabalho algo que te conforte
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Sombrio vais em vasta solidão
Entre o vil pensamento torto
Não vê que jaz no peito semimorto
A larva da esperança e da paixão
E se sentes na vida perder a razão
Com o tédio do dia, o desconforto
Eis que é um sentimento morto
Já o amor nesse teu coração
Com o afã dum covarde te enlutas
Se termo a vida não deponhes
Nem coragem reúne pra disputa
Se assim és, que se envergonhe
Pois, até a inglória prostituta,
Amigo, tem mundos com que sonhe
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É já casada a menina
Que amei e quis bem,
Os olhos e a boca fina
Olha e beija outro alguém.
As noites, quando sozinho,
depois da minha leitura,
vou fazer um ou dois versinhos
dentro da noite escura.
Me agarro as imagens,
como quem visa sonhar,
e admiro os campos, as pastagens,
a onda quieta no mar.
Até mesmo vejo o meu amor,
e anseio que Deus lhe cubra a pele nua.
Cuidai-a, senhor!
Não deixai que nos moleste a lua.
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Na tua pele crua e rosa,
de tanto o sol bater em teus pelinhos,
te observo junto as mimosas,
os insetos e os passarinhos.
Assim a natureza te ama,
saudando a tua beleza,
e minha voz te chama
dentro da natureza.
Devo pensar que me ouves, amada,
que morre de amores por minha poesia?
Que rasgue o teu coração a luz deste dia,
se responderes "sim" a troco de nada.
És bonita, és formosa, és rosa...
Mas não te feches entre as mimosas.
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Cala, meu bem,
que tudo sufoca a tua fala,
que o mundo é mais belo quando cala
e a solidão não açoita os teus meninos
Fala, meu bem,
que há beleza em tua fala,
pois tudo é triste quando cala,
e eu sou triste tambem
Porem, entre os homens todos desse mundo,
o infeliz é sempre o mais profundo que se achou no fundo da sua dor
e o mais propenso a alegria é quem entendeu a alma dessa poesia e é capaz de compreender o amor
Fala, meu bem,
que a tua voz estronda o mundo,
porque quem ama é sempre o mais profundo,
e o teu amor é feroz
Mas cala, meu bem,
se nao quiserem ouvir a tua fala
pra nao desperdiçar a tua alma
somente espera a tua vez
Que eu sei que tem um Deus no céu que a tudo vê, e o mal que há nao vai prevalecer, só quem sabe pode ver melhor
Que tudo passará um dia, quem não entendeu, mesmo a fantasia de nossos corpos voltará ao pó
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Acho linda as tuas coxas,
a forma que veste a saia.
Parece-me mais sensual que a palavra.
Por Deus! Meus lábios a recebessem,
com devoto carinho a daria culto.
Deixo os meus olhos por entre as suas coxas
tirarem a fotografia. Lerás esse poema um dia? Saberás que foi feito para ti?
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