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Aloísio Vilaça

@Aloprof · desde 2020

🇧🇷 Consciente da brevidade da vida, da ilusão do mundo, da corrupção da matéria e da finitude de meu ser, vivo.

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Morte boa

Tantas vezes se morre Depois de se haver nascido Que nem se percebe o quanto Se poderia ter vivido Morre-se quando não se vive Morre-se quando não se ama Morre-se quando não se entrega Cada vez que a vida chama Morre-se um dia atrás do outro Morre-se a cada novo dia Morre-se cada dia um pouco A cada sonho que se adia Morre-se, de manhã, bem cedo Morre-se, à tarde, à noite, também Morre-se até de madrugada Cada vez que o sono vem Morre-se sempre, sem descanso Morre-se muito, sem parar Morre-se até se se descansa Se se para pra pensar Se se está vivo se morre Nada há que se fazer Qualquer um que vive pode Num segundo só, morrer Mas, se se está vivo, ainda Se se quer, ainda, viver Há de se encontrar, na vida Razão até pra se morrer Morre-se, muita vez, sem causa Sem assunto, sem razão Sem valia, sem ideia Sem motivo, sem questão Sem sentido, à vez, se morre Sem se saber o porquê Sem se fazer o que se deve Morre-se apenas por morrer Morte boa, bem morrer Vem ao fim de um bem viver Se se vive bem a vida Nada a morte há de ser Aloísio Vilaça

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Ama!

Acolhe os que a ti vierem ter Perdoa os que, acaso, te ferirem Reparte o que tiveres, com prazer Dá o quanto puderes aos que pedirem Evita magoar quem te magoa Levanta os que, caídos, avistares Alguém que, acaso, te insultar, perdoa Releva quando te decepcionares Se dor maior vier te visitar Se mal cruel vier te importunar Mantém-te firme no teu proceder Recolhe-te ao fundo do teu ser Conjuga, no presente, o verbo amar E torna-te o sujeito, ao conjugar Aloísio Vilaça

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Eu, com o tempo

Eu, com o tempo, fui ficando assim: Meio ausente, mais distante, calado Mais intenso, mais profundo, guardado Menos denso, mais propenso a mim Meio ausente de futuro e passado Mais imerso em tudo que é presente Eu, com o tempo, me encontrei, de repente Menos tenso e sem senso de pecado Já não penso no que pensam de mim Já não sofro quando penso no fim E recuso tanto o mal quanto o bem Já não julgo e nem culpo ninguém Já não caibo nos conceitos de alguém Eu, com o tempo, me tornei assim Aloísio Vilaça

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Sofrer, orar, cantar e sorrir

Haverei de compor um canto novo Hoje que a dor veio me visitar Hei de pronunciar a todo o povo: Grato sou até pelo meu penar Eu irei cantar o meu novo canto E não deixarei a dor me calar Minha oração secará o meu pranto E com gratidão saberei orar Não me esquecerei de agradecer A sorrir, direi: eu já sei sofrer Não pensarei no mal que a dor me faz Não olvidarei os tempos de antanho Quando havia em mim um vigor tamanho E me sobejavam saúde e paz Aloísio Vilaça

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Longa espera

A despeito de tanto sofrimento Fruto de reles condição humana Experimento o contentamento De perceber que de meu ser emana Vida, paz e bem, e de ser capaz De compreender que toda e qualquer dor Que me frequenta o ser é que me faz Merecedor de um tanto mais de amor A extensão que há de divindade Em muito excede a de humanidade No ser que sou, em tudo que há em mim A cada dia, um pouco mais, meu ser Reflete luz; e há de florescer Em mim, a flor do bem, um dia, enfim Aloísio Vilaça

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Nada quero, senão tempo

Nada quero, senão tempo Sei, é pouco o que fiz Vejo que não fui capaz De aliviar sofrimentos E de promover a paz Breve, a vida é curta e rara Parcos são dias e horas Tanto anseio ainda [e quanto!] Por um pouco mais de tempo Pra fazer o que não fiz Quero tanto, e pouco faço Faço pouco, e tanto espero Que tanto nem quero, mais Só o tempo hoje quero Só mais tempo, e nada mais! Aloísio Vilaça

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Procela

Pai amado, amigo meu, querido Meu norte, meu guia, porto e guarida Vós que me dais à existência sentido Vós, que me tendes sustentado a vida Em mar revolto e agitado velejo Parco, meu barco conduz vossa mão Vago, à deriva, ao sabor do ensejo Bem do meu lado navega um irmão: Em águas profundas, vela arriada Barco sem rumo, canoa quebrada Naufrágio certo, cruel tempestade Dai-me, oh, Pai, o dom de poder ser Porto e guarida pra quem fenecer Na procela do mar da eternidade Aloísio Vilaça

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Oração ao Pai de nossos pais

Pai nosso que estais no céu; Pai, querido Ouve nossa voz e nossa oração Atendei, uma vez mais, nosso pedido Que é feito com amor e devoção Vós, Pai, que sempre estais ao nosso lado Com cada um de nós, os filhos teus Abençoai os pais, ó Pai amado A cada pai, ó Pai, filho de Deus A vós, oh Pai, em oracao, pedimos Que o grande amor que nós, por vós, sentimos Possais, vós, sentirdes por nossos pais De quem as vidas, todas, entregamos Em vossas mãos e, com fervor, oramos Pedindo-vos que que lhes concedais paz Aloísio Vilaça

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Prece

Elevo meu pensamento, e reflito Contrito, eu acalmo meu coração Recolho-me, silencio meu grito E fecho meus olhos, em oração De súbito, sinto a Tua presença Que inunda de paz, inteiro, o meu ser Tomado, eu, por emoção imensa Permaneço, prostado, e sem querer Extasiada, minh'alna proclama A todo o universo o Teu Nome Santo Na prece que ecoa, e seca meu pranto Decerto, dirão: é tolo quem clama A um ser que não vê, não ouve e não sente A esses direi: Deus é paciente! Aloísio Vilaça

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