Escritor que era sentia,
A inquietação que íntimo lhe ardia
Como obra que devia dar a luz
Como a Virgem Maria a Jesus.
Um legado expelido à humanidade,
Em razão de encontrar essa verdade,
Fê-lo retirar-se à sagrada quietude
Onde encontraria, do ofício, a virtude.
E longe em cabana tao rústica,
Inspirado, da natureza, a acústica,
Fez tocar a sinfonia das letras
Em seu instrumento de teclas pretas.
A cada "clack" a tinta no papel
E ele num êxtase sentindo-se no céu
Compunha de si mesmo, a sinfonia,
Nas páginas da épica poesia!
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Derrame em mim as tuas queixas
Mas não me deixas, não me deixas
Eu te suporto o coração
Mas não tua solidão.
Existe ausência de nada
E ausência de tudo
Numa o amor te gritou na estrada
Noutra ainda este é mudo.
Ausências com nomes
São quase insuperáveis
Se não te socorres
Entra no rol dos miseráveis.
E nesse rol infeliz
A moda é morrer de amor
Murchando até a raiz
A começar pela flor!
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Ruminando-te em minha mente
Imagino-te tão indecente
E nossa sincronia então começa
Fazer tudo sem que a gente peça.
É pensar e não pensar
Imaginar, agir e não agir
E gozar e não gozar
É sentir sem sentir.
Mas cria em meu corpo
A aura da nossa canção
Em energia absorto
Na platonice da minha paixão.
Sinfonia que não acaba
Notas que não posso tocar
Coração meu desaba
Desejar, sorrir e chorar.
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Aterrorizava-se toda região
Aos crimes de um assassino serial
Procurava-se sem solução
Nomear o autor de tanto mal.
Já era ano e esse ano há meses eram
Em que a angústia havia crescido
Mas quando só semanas tiveram
Muito mais ânimo haviam tido.
Hoje o horror, cansaço e impotência
Mostravam-se em suas faces
Até que uma nova evidência
Faria que o jogo virasse.
De câmera, imagem boa
Mais péssima era, afinal
Talvez a felicidade a toa
Via-se um pé e ponto final.
Mas se um delegado
De anos policial
Ao honrar o seu legado
Decide triunfal...
"Qualquer pista é pista
Vamos, reconheça,
Se só um pé há em vista
Faremos "Cinderela" às avessas"
E saíram pela cidade
E pelas cidades da região
Procurando a paridade
Da evidência que tinham na mão.
E dentre uma e outra negativa
O sentimento era misto
Oravam a Deus em rogativa
Pensavam rir o próprio Cristo.
Mas então como resposta
As suas próprias preces
Eis que coisa mais oposta
Ao que já criam acontece.
Eis que uma moça
Olhou aquela imagem
E disse ter a lembrança
Daquele pé em sua bagagem.
Em suas andanças
Pela cidade e região
Em todas as vizinhanças
Fazendo pé e mão...
Ela sabia com clareza
De quem era aquele pé
E perguntaram " tem certeza?"
E ela disse "Boto fé!"
Causa provável
Mandado e prisão
Exame palpável
De DNA na mão.
O papel corroborou
O que aquele olho viu
Aquele homem, identificou
A manicure da casa cinco mil.
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Tão clichê seria dizer
Das tuas palavras, canto de sereia,
Qual marinheiro entra ao mar,
Pra nunca mais ver a areia.
Todavia quantos e quantos
Todos os dias nessa vida esférica
Não se entregam ao teus encantos
Pra depois ver-te a face cadavérica?
Sob o teu ou outros nomes
Quantas mentes já não fizeram
De tantos corações nobres
Todo mal que lhes quiseram.
Quisera eu a perspicácia
De Ulisses de grande coração
Ao ouvir o canto da desgraça
Amarrar-me forte ao timão.
Chegaria eu em casa, com revezes, sem derrota
Com honras de heroísmo
Não qualquer mais alma torta
Que perdeu-se fácil do juízo.
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Aquele apito agudo
Em meio ao som da noite mudo
Subiu-lhe os nervos em irritação
E decidiu tomar ação.
Já era madrugada
E o som em meio a nada
Já começara cedo, no dia
E inda hora alta persistia.
Fechou atrás de si sem paciência
A própria porta de sua residência
Andou pela rua à luz da lua
Iniciando sua breve procura.
Sabia não poder estar distante
O barulho em seu ouvido, constante
E descobriu breve estar certo
Identificou-o de uma casa, perto.
A frente irritado, chamou
E ninguém reação esboçou
Dirigiu-se à porta dos fundos
Pra entrar naquele outro mundo.
Sua mão na maçaneta a abriu
"Destrancada", foi o que concluiu,
Mas o breu que lá dentro encontrou
Nada mais à sua mente informou.
Sua voz chamou em vezes três
Alguém que respondeu nenhuma vez
Apenas o som agudo insistente
Em compasso e pausa presente.
Tateou à procura de iluminar
E um botão fez a noite brilhar
E o brilho roubou dele o brilho
Viu morta a senhora Castilho.
Levantou olhos observando
A bagunça do lugar, encarnando-o
E o agudo som persistente
No micro-ondas, a caneca presente.
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Acautela, tu que andas aqui, com o reflexo
Do contrário, adiante ficará perplexo
Ao descobrir que tomou por verdade
Um mero esboço de realidade.
Olhos nossos, agora semicerrados
Nada são mais que espelhos posicionados
Aguardando o momento de maturidade
Para se abrirem no caminho da verdade.
Como os olhos à pouca luz acostumados
Recebendo-a de uma vez, cegados
Necessário outro tipo de visão
Para enxergar-se com os olhos da compreensão.
[“12 Porque, agora, vemos por espelho em enigma;
mas, então, veremos face a face; agora,
conheço em parte, mas, então,
conhecerei como também sou conhecido.”
1 Coríntios 13:12 ]
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Transtornadamente em silêncio
Vivendo sob as regras loucas
De um sistema imenso
De lógicas muito poucas.
Obsessivamente pensando
De chuvas a mente invadido
De intrusos passando comando
De consequências se não atendido.
Compulsivamente obedecendo
Checando, lavando, contando,
Corrigindo, apagando, acendendo
E repetidamente movimentando.
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Obs. da autora, se você não passa por essas coisas, pare por favor de falar casualmente que tem toc, banaliza o sofrimento e é um desrespeito.
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Quem tem poder sobre mim?
Quem tem poder sobre meu humor?
São todos um mar de espelhos sem fim
A causar-me um pranto de dor.
As coisas e as situações
São apenas fatos
Que diferentemente das multidões
São completamente matemáticos.
Mas nós seres humanos
Alma, emoções e pensamentos
E por onde andamos
Causamos nossa alegria e tormento.
As coisas são o que são
E nós as tornamos o que vemos
Se imersos olhos em escuridão temos
Que escuridão então veremos!
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Em treva a minha mente anda
E em seguida vem o pranto
mas, coisa pura me abranda
Luz de Maria em seu manto.
#espiritualidade