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_robsings

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Olá, bem vindo(a)! Insta: https://www.instagram.com/_robsings/ Substack: zonasliminares.substack.com

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Poema

A 'paz' mórbida de um destino certo

Tudo é tão incerto, que eu, de tão farto disto, Me pus No encalço das certezas Noite afora Aceitando a prosa De profetas ébrios nos bares, que eu tanto evitava. Notei neles uma coisa que até poderia ser invejada: seus destinos já acertados. As bebidas, As cirroses, Os postes... Similar é o caminho De qualquer viciado Dizemos que estão perdidos, sem norte... Mas eles, em geral, já estão cara a cara com a morte -- Todos os direitos reservados José Roberto dos Santos | @_robsings zonasliminares.substack.com

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Poema

Ecos

O eco enfraquecia, Não que antes tivesse alcançado algo. A pressão da água nos tímpanos Sentencia: é o fim. “Eco! Se afogue junto comigo!” Narciso poderia dizer; Se não fosse Narciso. Ainda assim, Eco se afogou. Já não sabia mais o que ecoar, Já vinha esmaecendo pouco a pouco Nessa sua doação inglória Para o outro, sempre o outro. Agora, Ficou sem o outro para se basear, Morreu desvalida. ... Em matas densas, Ainda é possível ouvi-la. A mais célebre alma penada, Reverberando a voz dos aventureiros, Sempre indigente. Até mesmo após a morte. --- Todos os direitos reservados. José Roberto dos Santos | _robsings https://substack.com/@zonasliminares

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Poema

Martírio

Martírio Era só questão de sumir até a poeira abaixar, deixar o tempo consumir, devorar-se a si mesmo e ainda lhe ajudar a arremessar toda a sua carga do penhasco. Melhor que uma carta de remissão: a fuga, mais o tempo, mais o anonimato precederiam um bom recomeço — barba, cabelos compridos e mais um chapéu para sua ocultação. Você poderia estar agora vivendo tranquilamente na fronteira, no país vizinho, ou em qualquer cidade pequena que lhe servisse de refúgio e esconderijo, casado, criando seus filhos, cuidando do campo, do gado… Mas aqui está você. Como vai você, neste velho e eterno martírio? _robsings

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Vida

Prioridades

​Acho que é melhor eu começar a pensar seriamente em... ​Não sei... ​Em que pé está essa experiência que esgotei... ​A paixão que se queimou. Queimou até onde tinha algo para queimar. Será que havia ali algo mais que eu pudesse aproveitar? ​Quem sabe? E o que importa? ​Será que tudo o que havia para se aprender foi aprendido? ​Se sim, está restando encerrar este ciclo... ​Resolver racionalmente não é o bastante. ​Não sei... ​Às vezes, a âncora não ancora. ​Às vezes, é tão forte essa tendência a divergir que você pensa: "Devo mesmo me preocupar em mudar minha natureza?" ​E, bem, isso é perigoso. ​Para muitos, aqui nasce a desculpa perfeita para simplesmente deixar estar, simplesmente se permitir ser: a fina linha entre um cinismo radical e a pura aceitação de si. ​Digo, talvez certas pessoas nasceram mesmo para serem "casos perdidos". ​Não se dão e não se dariam bem em circunstâncias mais endireitadas, definidas ou bem estabelecidas. ​Habitam as linhas tortas de Deus. ​Deviam, portanto, se adaptar. Se adaptar... Fazer o melhor que se pode com o que se tem. ​Que coisa! Parece que tudo afluiu em autoajuda. ​Um ajuste de parâmetros para o sucesso, uma definição mais clara de prioridades. Só que agora, com um respeito radical para com suas próprias circunstâncias.

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Arte

A tela em branco

Hoje, A tela em branco, Aqui, diante de mim, Me causa, como nunca, Um desconforto que há muito Tinha esquecido. Que relação desproporcional a nossa é! Só eu que me gasto, Só eu que me dou, que me doo. E ela? Só sabe aguardar mais de mim, Parada ali, imóvel. Me garante lá uma satisfaçãozinha, um prazerzinho de nada, Algo que nunca me sacia completamente E me mantém no limbo. Gozo que passa rápido demais, O suficiente só para me manter como escravo. É certo que até gosto dessa escravidão. Me sinto incrível, vigoroso, poderoso Quando nela me derramo, mas também miserável Quando sinto que aquele momento não bastou, Quando sinto não ter sido suficiente. Nessas horas, eu me invoco com ela. Por vezes, eu a cubro com a manta preta da vergonha E me recuso a ficar no mesmo espaço que ela. Mas quanto tempo isso dura? Uma semana foi o meu máximo. No fim, eu volto. Artistas sempre voltam. Paro diante dela outra vez. Parece que quem esteve de castigo era eu. *Todos os direitos reservados. José Roberto dos santos | _robsings https://zonasliminares.substack.com/

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Humanidade

Ano 1

Convencionamos O ano 1 P.C. entre nós. Esse C é de cataclisma E o P é de "pós", tomando o lugar do D da sigla referente à era passada. Isso, apenas para que As próximas gerações não confundissem ainda mais a história que, naquela altura, fora perdida. Todo controle que julgávamos ter nos traíra, e toda sorte de calamidades tomava escalas. Só tínhamos um deserto enorme para desbravar sem um guia preciso como suporte. Relógios desencontrados, calendários desparametrizados... GPSs, então? Inúteis. Perdemos toda ancoragem que tínhamos. Em nossa poluta exosfera, satélites obsoletos ainda orbitam. Na terra, buscamos retirar leite de pedra coletando o lixo que cai do espaço ou consertando as geringonças que ainda nos restaram. Não há sinais vindos do alto. Se estes ainda existem, não os captamos. Tudo o que à nossa volta há é um amontoado de hardwares sem alma alguma. Nada até aqui causou incômodo o suficiente ao grande alinhador do cosmos. Não sei se alguém nos assiste definhar de camarote, mas se há... José Roberto dos Santos | _robsings zonasliminares.substack.com

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Vida

Em cativeiro

Quando aquele coquetel neuroquímico de dopamina, ocitocina, noradrenalina... sequestra a razão, ele se esquece que está preso a uma coleira. A corda é grande o bastante para sua completa locomoção, mas isso apenas dentro do seu cativeiro. Ele nada pode contra quem está do lado de fora do portão. Bota o focinho entre as grades, é o que lhe resta, e espera que quem quer que seja do lado de fora tenha a audácia de estender a mão. O pobre coitado pode nem se empolgar muito. Sua ruína são seus instintos e emoções, mas ele nunca poderá agir de qualquer outra maneira. Como poderia? Então desata a latir e a expelir saliva para todo lado. Expressa sua frustração de modo escandaloso, mas, mesmo assim, ninguém entende sua língua. Acham, na verdade, ele uma fofura, mesmo quando está puto da vida. "Ah, que bom garoto!" "Quer ossinho? Quer?" "Quer a sobra? Quer?" __________________________________ Todos os direitos reservados José Roberto dos Santos | @_robsings zonasliminares.substack.com

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A eterna luta entre o pênis e a razão

A eterna luta entre o pênis e a razão Você quer Se regenerar Ser redimido de algum modo Ganhar um selo de restaurado E dizer: “Graças ao NoFap, sou um homem mudado” E tá tudo ok, continue na busca, Todo homem tem que ter algo que o faça mover Mas não há nada de santo Em sua eterna luta Todos notam que tu só quer uma honradinha pra fu… Seu influencer te apresenta uma luz Mas, junto dela, vem o ruído de um trem Tudo soa aplicável e fácil “Faça por merecer e tenha o seu harém” “Seja como um monge, O mais iluminado entre todos os seres Não jorre leite E ganhe superpoderes” O que tu quer de fato é buceta, mermão E não é capaz de obter de graça Tá tudo bem, não precisa ficar sem graça Muitos estão na mesma situação O triste mesmo é Se abnegar E viver lutando com a libido Na promessa de que isso Lhe garantirá o paraíso Se esse é o seu intuito, meu jovem, Tudo tende a conspirar contra a sua intenção É bom que seja forte na vontade De seguir por essa direção Já que, nessa abstinência toda, As beldades que desfilam pelo seu bairro, De cropped, legging, decotes… Serão como súcubos querendo sua polução à luz do dia E não tem jeito, não É a camisa de Vênus ou a de força É, não tem jeito, não É o seu pênis ou a razão É, não tem jeito, não É molhar o biscoito Ou ficar na mão. Todos os direitos reservados José Roberto dos santos | @_robsings zonasliminares.substack.com.br

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Amor

Um blues ao desmantelo de minhas idealizações

Cheguei a um ponto de não retorno, babe. E por trás do meu olhar, parte de mim ainda quer chegar a um meio-termo; negociar. Sei que não há como, mas, mesmo acordado, ainda sonho em retroceder ou reverter o desmantelo de minhas idealizações. Minhas idealizações. A vida neste cinza é um tanto sem gosto, mas, pela clareza do que de fato é, prefiro-a mil vezes. E, se necessário for, a ela eu retorno. Hmm Meus sonhos contigo sempre foram quentes, e isso me faz vacilar e olhar pro retrovisor. Mas prefiro manter meus pés no chão, ao invés de me perder por uma promessa de amor. _robsings zonasliminares.substack.com

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Mais um domingo recalculando rotas

É um domingo qualquer, quente demais para se atrever a sair a qualquer parte. Me pergunto por que é tão raro assim um clima ameno? É sempre 8 ou 80: frio de matar sem-teto ou calor pra infartar idoso. Tudo que desejo, em dias como esse, é chuva. Até para reivindicar e justificar melhor — para mim mesmo — o fim reflexivo, introspectivo. Mas não importa o quão horroroso seja o clima em um domingo, sempre sentimos que estamos perdendo algo. [...] Quando dou por mim, estou há horas debruçado sobre uma folha sulfite que, dividida em linhas perpendiculares, me guia no escrutínio de minhas crenças. Uma matriz de custo-benefício, basicamente. Funciona assim: eu promovo um diálogo comigo mesmo em quatro quadrantes — o útil e o verdadeiro versus o falso e o prejudicial. O lance é se colocar face a face com tudo que lhe pareça disfuncional. Vou te falar: é bem comum eu bolar coisas assim, maneiras de se depurar aquilo que a maioria de nós nunca vê valor. Em geral, sempre negligenciamos nossa vida interior. O custo-benefício de minhas crenças: como me ajudaram e como me foderam? Quanto me influenciaram? Quando me inflexionaram? É necessário, às vezes, buscar sarna para se coçar ou pelo em ovo — isso é, se o seu objetivo for se livrar de padrões que vivem a se repetir, de novo e de novo. _robsings zonasliminares.substack.com

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