A tela em branco
Hoje, A tela em branco, Aqui, diante de mim, Me causa, como nunca, Um desconforto que há muito Tinha esquecido. Que relação desproporcional a nossa é! Só eu que me gasto, Só eu que me dou, que me doo. E ela? Só sabe aguardar mais de mim, Parada ali, imóvel. Me garante lá uma satisfaçãozinha, um prazerzinho de nada, Algo que nunca me sacia completamente E me mantém no limbo. Gozo que passa rápido demais, O suficiente só para me manter como escravo. É certo que até gosto dessa escravidão. Me sinto incrível, vigoroso, poderoso Quando nela me derramo, mas também miserável Quando sinto que aquele momento não bastou, Quando sinto não ter sido suficiente. Nessas horas, eu me invoco com ela. Por vezes, eu a cubro com a manta preta da vergonha E me recuso a ficar no mesmo espaço que ela. Mas quanto tempo isso dura? Uma semana foi o meu máximo. No fim, eu volto. Artistas sempre voltam. Paro diante dela outra vez. Parece que quem esteve de castigo era eu. *Todos os direitos reservados. José Roberto dos santos | _robsings https://zonasliminares.substack.com/
emy
Quando se ver incompleta..ela vai acabar te sugado total rs