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Atronador

@renanalvimti · desde 2023

recomeço

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Imagem & Conduta

Teu rastro em fuga portas abre, nas quais procuro e pela qual me vejo certo, embora errado, cerrado pela vista errante dum tal querer errático que toca fundo e queima e tornas o ato estático. Por isso fica solva a dúbia... Porém, ao mundo presa, cede, como aqui, mas, dentro, cria estância de distâncias. Amado! Feres desta sala d'alma o âmago Tu! Imago Dei que cobras mais que posso sozinho ter de intento d'algo tão excelso: a Fé. Por isso dás ao choro males d'augura e faz saber dos erros tudo quanto roba da vida que dás sempre, pouco, nunca. Enquanto cravo vivas linhas póstumas, terreno em que, entre choro e riso, travo os ares desta infame luta, anseio por Ti, pois quero certo estar contigo rumo ao fervo doutra nova conduta.

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Flores

Entre pétalas serenadas Corre fluida de vida, Do alto, embebidas De aroma, do amor. Guardo-as em mim por ti. Puras gotas são As da saudade. A distância, não as vence Não contem, mas são contidas Pela brisa da lembrança, remidas Pois em meio às nuvens, crescem...

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Pilulas

Arrefecido olhar, vago. Gosto tenue, meio amargo. Ela vem, suporto, trago e levo ao longo do dia a minha cina da medicina prescrita. Os dias passam iguais sempre. Desejo ser diferente desta dor que de mim persiste inerente ao esforço de fuga vencida.

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Amor

Ó doce sorriso que brilha em candeia E me prende torpe sobre as cadeias Do amor que me espelhas partido Distante e sem outro meio esvaido De tudo que me falta sem ti Senti mais uma vez a sua presença Que agora me cala e amarga não ter E os dentes ardentes me sopram a visão E julgo não suportar, no coração A vida que me roubaste nesta hora Perdida.

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Sangue Rubro Fresco

Sobe o vapor. Os olhos nublam tocados pela umidez. O corpo, fervente, doa os movimentos acelerados e tensiona as batidas do coração em cadeia pela timidez. As gotas caem dançantes afagando a face rubro em seda e se chocam com delicadeza ao beijar a fumaça corpórea do pecado, neste jogo certo repleto de curvas sensuais, atraentes e doces do desejo. No papel, o sangue retorna e transcende o prazer das lágrimas e do suor em letras. Dá razão as dores, embora o vermelho escorrido manche o vestido da impureza rasteira. Atronar: Sobre o lençol fino, arbóreo e morto, tormento: é o papiro a cama, a pira ardente de memórias convulsivas de desalento, do prazer esvaído sem sentido, o grito do gozo atingido pela solidão sem rebento.

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Alabastro

Cavei, catei e recolhi cada pedaço. Isolados, eram ilhas salgadas agredidas pelas ondas sem fim cristalinas descidas da encosta masculina, minha expressão de aço perdida que sobrou. Pelegos da ira, lembranças... Tambores, ritmos, volta de voltas. Certa euforia, caminho de alegria hipnótica. Um Todo arquipélago de pelejas infames! Contagiante... obsceno, é o transe. Vitória:"não ames! Ébrio delirante, não tenhais pena, apenas transe!". No rastro do gozo esteve, ficou e deve permanecer sobre o portal, vazio, meu alabastro.

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Pena na mão

Meu coração goteja lento o amor Roubando o ar e inspirando palavras E faz pálida a face sobre a mesa No papel presa, na alma exitante. É que me dói olhar este frio espelho Que tudo comporta e recebe Das dores as razões herdeiras Da memória que não se apaga Os lamentos, filhos doutros momentos Ultra já passados, reavivados no caderno.

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RE-vol-tada

Dê ré e volte! Atada... reinicie Redescubra o que te encobre. Sejas sincera, diferente da cobra, e não cobres doutro o amor que não vingou, pois minguou. Na luz das noites deitadas baixo a espuma da cortesia nublada dum céu evanescente, faltando o sorriso, culpado ou inocente, morrem as estrelas, como o colchão dos teus lábios: vigia dos caninos vitrais, sem alegria pois voraz -- são os dentes agudos, famintos a rasgar, uma e outra vez mais, a pele da serpente decadente.

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Cani baal

"Mas haverá sinais, tipo a minha boca por aí" Ô sem dente! Quem sabe derrepente, velho e sem repente, sem métrica, mas sensual viva e consiga A noite, aquela Noite, mirando sem fita Outro lual. Bacana, Baca, o teu Back-anal.

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Gimnospermia Gnostica

Entre, o trevo, dá-se o relevo Opado e entumecido, distinto Doutros lastros rachados Por vezes melados Que me foram abertos Após as pernas. Falta o pudor Diante de tanta opulência. Vigorado de lado à lado Pra trás e pra frente, Após pouco e muito Jaz a minha, A sua, A nossa... Pessoa. Da insistência, O gozo hermético, Indeclaradamente abafado Violentado pra dentro sem acalento. O pó é sobra, porém o pólem O Ar dos Tempos Transporta, Além do nada que favorece A vida que, silenciada, Não manifesta. Atronar: O que é dito é pó, este para, estanca e o restante segue além: o descarte, o que sobra é eterno, não vibrou estático, nas folhas doutra prosa morta. Por isso escrita. Amém.

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