Teu rastro em fuga portas abre,
nas quais procuro e pela qual
me vejo certo, embora errado,
cerrado pela vista errante
dum tal querer errático
que toca fundo e queima
e tornas o ato estático.
Por isso fica solva a dúbia...
Porém, ao mundo presa, cede, como
aqui, mas, dentro, cria estância de distâncias.
Amado! Feres desta sala d'alma o âmago
Tu! Imago Dei que cobras mais que posso
sozinho ter de intento d'algo tão excelso:
a Fé. Por isso dás ao choro males d'augura
e faz saber dos erros tudo quanto roba
da vida que dás sempre, pouco, nunca.
Enquanto cravo vivas linhas póstumas,
terreno em que, entre choro e riso, travo
os ares desta infame luta, anseio por Ti,
pois quero certo estar contigo rumo
ao fervo doutra nova conduta.
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Entre pétalas serenadas
Corre fluida de vida,
Do alto, embebidas
De aroma, do amor.
Guardo-as em mim
por ti.
Puras gotas são
As da saudade.
A distância, não as vence
Não contem, mas são contidas
Pela brisa da lembrança, remidas
Pois em meio às nuvens,
crescem...
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Arrefecido olhar,
vago.
Gosto tenue,
meio amargo.
Ela vem,
suporto,
trago
e levo ao longo
do dia a minha cina
da medicina
prescrita.
Os dias passam
iguais sempre.
Desejo ser diferente
desta dor que de mim
persiste inerente
ao esforço de fuga
vencida.
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Ó doce sorriso que brilha em candeia
E me prende torpe sobre as cadeias
Do amor que me espelhas partido
Distante e sem outro meio esvaido
De tudo que me falta sem ti
Senti mais uma vez a sua presença
Que agora me cala e amarga não ter
E os dentes ardentes me sopram a visão
E julgo não suportar, no coração
A vida que me roubaste nesta hora
Perdida.
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Sobe o vapor.
Os olhos nublam
tocados pela umidez.
O corpo, fervente,
doa os movimentos
acelerados e tensiona
as batidas do coração
em cadeia pela timidez.
As gotas caem dançantes
afagando a face rubro em seda
e se chocam com delicadeza
ao beijar a fumaça corpórea
do pecado, neste jogo certo
repleto de curvas sensuais,
atraentes e doces do desejo.
No papel, o sangue
retorna e transcende
o prazer das lágrimas
e do suor em letras.
Dá razão as dores,
embora
o vermelho escorrido
manche o vestido
da impureza
rasteira.
Atronar:
Sobre o lençol fino,
arbóreo e morto,
tormento:
é o papiro a cama,
a pira ardente
de memórias
convulsivas
de desalento,
do prazer esvaído
sem sentido, o grito
do gozo atingido
pela solidão sem rebento.
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Cavei, catei e recolhi cada pedaço.
Isolados, eram ilhas salgadas
agredidas pelas ondas sem fim cristalinas
descidas da encosta masculina,
minha expressão de aço perdida
que sobrou.
Pelegos da ira,
lembranças...
Tambores, ritmos, volta de voltas.
Certa euforia, caminho de alegria
hipnótica.
Um Todo arquipélago de pelejas
infames!
Contagiante...
obsceno, é o transe.
Vitória:"não ames!
Ébrio delirante,
não tenhais pena,
apenas
transe!".
No rastro do gozo esteve,
ficou e deve permanecer
sobre o portal, vazio,
meu alabastro.
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Meu coração goteja lento o amor
Roubando o ar e inspirando palavras
E faz pálida a face sobre a mesa
No papel presa, na alma exitante.
É que me dói olhar este frio espelho
Que tudo comporta e recebe
Das dores as razões herdeiras
Da memória que não se apaga
Os lamentos, filhos doutros momentos
Ultra já passados, reavivados no caderno.
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Dê ré e volte!
Atada... reinicie
Redescubra o que te encobre.
Sejas sincera, diferente da cobra,
e não cobres doutro o amor que
não vingou, pois minguou.
Na luz das noites deitadas
baixo a espuma da cortesia
nublada dum céu evanescente,
faltando o sorriso,
culpado ou inocente,
morrem as estrelas,
como o colchão
dos teus lábios:
vigia dos caninos vitrais,
sem alegria pois voraz --
são os dentes agudos,
famintos a rasgar,
uma e outra vez mais,
a pele
da serpente
decadente.
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"Mas haverá sinais, tipo a minha boca por aí"
Ô sem dente!
Quem sabe
derrepente,
velho e sem
repente,
sem métrica,
mas sensual
viva e consiga
A noite, aquela
Noite,
mirando sem fita
Outro lual.
Bacana, Baca,
o teu
Back-anal.
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Entre, o trevo, dá-se o relevo
Opado e entumecido, distinto
Doutros lastros rachados
Por vezes melados
Que me foram abertos
Após as pernas.
Falta o pudor
Diante de tanta opulência.
Vigorado de lado à lado
Pra trás e pra frente,
Após pouco e muito
Jaz a minha,
A sua,
A nossa...
Pessoa.
Da insistência,
O gozo hermético,
Indeclaradamente abafado
Violentado pra dentro
sem acalento.
O pó é sobra, porém o pólem
O Ar dos Tempos
Transporta,
Além do nada que favorece
A vida que, silenciada,
Não manifesta.
Atronar:
O que é dito é pó, este para,
estanca e o restante
segue além:
o descarte, o que sobra é eterno,
não vibrou estático, nas folhas
doutra prosa
morta.
Por isso escrita. Amém.
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