Eu estou aqui com as lembranças que ainda tenho de você, lembranças essas muito distantes a ponto de serem distorcidas. Te amei como nunca pude amar, te odiei demais, mas por poucos tempo.
Me dói essa virada de ano, o ano que você me amou, que tocou minha alma, o ano em que nos tivemos, que fomos e vivemos. Esse novo ano vem com o medo, a dor, a saudade.
Te tenho comigo, mas não quero, pq saudade acima de tudo é desespero, é dormência de si, é ausência de sonhos, é fadiga de viver, é dor que se sente na pele, é tormento que come o juízo, é mágoa do que já não existe, é perguntas do que não tem respostas, é insanidade batendo na porta, é mistura de vários não sei é desespero ansiando pela morte.
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Me pergunto quando as dores passarão, quando a sombra do que você foi irá deixar de me perseguir. Eu beijo sua boca, fazemos amor e eu tenho o amor, eu tenho você, mas eu não tenho a mim.
Qual o preço de te ter ao meu lado? As vezes acho que estou curada, mas em noites como essas, me sinto uma tola em estar nessa maldita fase de dor que não sana. Não é justo comigo, não é honorável a dor que senti, não estou sendo justa aquela dor, aquela minha morte e a minha tentativa de renascença, eu não estou sendo justa.
Pego-me pensando na caixa de rosas e cartas da nossa história jogadas fora, as que eu te dizia que daria para nossos filhos lerem um dia. Pego-me pensando no meu diário de palavras de sofrimentos e tentativas de alívios ao longo dos meses quando tudo começou, não as encontro mais.
Nelas lembro-me ter escrito que não importaria de um dia não as mais ler, pois nunca esqueceria o que passei, nenhum detalhe (O sofrimento não se esquece).
De fato, como sofri, como foi injusto o que me fez, que verme você foi, como mudou o que eu era, como eu passei de menina pra mulher em tão pouco tempo...
É nessas noites que o ódio se sobressai ao amor. Seu amor me aniquila, me diminui, me humilha. Eu tenho você, mas não tenho a mim.
Você me mudou, mudou o que poderíamos ser.
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Vejo tu desvaindo de mim, pouco a pouco.
As memórias que eram inúmeras agora são mínimas, teu cheiro não me aparece do nada, cada vez mais esqueço tuas linhas, teus pelos, tuas sardas. Sua voz me aparece bem lá no fundo, de forma que eu não sinta mais o seu timbre em meu peito. Você está indo...
Incrédula e assustada me encontro. Como é o mundo sem amar você? Como é viver sem a esperança de nosso reencontro? Como é enfim viver sem a terrível dor de teu abandono e desprezo? Como é viver sem a missão de te amar desesperadamente? Deixo-te ir para onde quiseres, e encontrarei-me aqui, cada vez mais longe.
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Confesso que disfarço que te chamo, que me questiono teu abandono inusitado, que ainda choro ao lembrar de nós e que não sara, não sara!
Foquei tanto em lutar e lutar que houve momentos que esqueci o porquê de estar lutando.
Então pede a mim perdão, diz pra mim que sente muito, faz eu te humilhar até achar que pagaste por teus erros, faz- me despejar as decepções em tua boca e engole, morre em teu próprio veneno, desfaz esse verme que tu se transformou, renasce! E por fim, lamenta ao ver que teu verme interior arrancou tua pessoa e poesia que lutará incansavelmente a procurar.
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Memórias e sentimentos ausente.
Do que me é feito a matéria depois do trauma? Qual parte de mim foi levada? Qual foi seu custo ? Uma vida inteira sem sensações e calafrios? O custo foi minha vida?.
Esse é o custo de amar verdadeiramente alguém ? Então é assim que as pessoas se sentem? é assim que o mundo atualmente vive, almas desoladas sem nenhuma graça ? Foi assim que se perdeu o riso ?
Aaaah, danem-se! O único benefício de não sentir mais nada é não se importar com mais nada, nem com com opiniões alheias.
Então que eu beba mesmo, que eu fume meu cigarro, que eu beije quantas boca eu quiser, que faça amor com quem me der vontade, que eu grite no meio da madrugada com o peito cheio de incertezas sem se importar com os vizinhos, que eu odeei quem me fez esse embuste, que danem-se.
Que eu faça o que quiser até quando puder, e que essa angústia se desfaça com minhas imaturidades, para que assim, tu não me roubes mais do que já foi roubado.
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Senti-me vazia esses dias, não muito diferente de outros dias, mas o leito onde me acomodara começou a mudar de forma, e tive que desfazer todas minhas raízes e do teu afago para adaptar-me mais uma vez .
Essa manhã, sozinha em casa, necessitava de algo. O meu peito doía, não doído como a morte igualmente antes, mas sim como estava a finalmente dar um passo para algo fora do hábitat natural. E naquela manhã , sem nem mesmo tomar café e com os olhos inchados de ontem a noite, eu dancei.
A música me cativava, os tons vibraram meu corpo, as ondas me fizeram mergulhar pra dentro. Ao fim da música senti uma vontade enorme de tocar meu corpo, minha boca, admirar meus olhos, minhas curvas. Mas como ei de fazer ? Não é meio estúpido se tocar, admirar e confortar a ti mesmo te tocando pra se sentir vivia? Pelo menos nunca ouvi boatos de tais atos.
Mas pra mim foi bobagem, ora, como não poderia tocar meu próprio corpo ? Tinha medo de desbravar meus próprios anjos e demônios.
Então, sem ao menos ver, como se fosse natural, toquei-me enquanto dançava. passeei as mãos pelos cabelos , nos lábios e em meus braços, rodopiava, rodopiava e ao ver já estava sorrindo na mais autêntica felicidade!.
É, na autentica felicidade, pois posso me confiar, porque eu sou eu, eu posso entregar meus medos a mim mesma sem medo de retaliações, eu posso enfim me aventurar no meu mistério.
Mas, incansavelmente no fim de tudo, ao sentar- me na cama senti sua falta e o aperto da falta da tua presença, e tudo voltou a estaca zero. Entretanto não esquecerei de hoje. Nessa manhã fui presenteada como o que posso chamar de escape da minha dor.
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Agora ocorre a misteriosa noite noturna e as lembranças que tento esquecer, mas não sei se quero. É o interno que apavora minha pele, meu interno e infinito eu que encontra-se esquartejado. Por uns momentos sinto medo de minha pessoa, o medo da insustentável superação da carga do meu ser
Sou desviada de coisas realmente válidas e diariamente corrompida das futilidades inventadas para suprir a dor de me ver.
É nessa misteriosa noite que desfruto das piores dores. Não sei sentir, não sei sentir de menos, pois arrancaram meus sonhos, minha essência, minhas vontades.
Andei a procura do doce arranjo e serena do eu que fui, mesmo na problemática da vivência patética diária.
O privilégio de amar deu-me asas sem função, e dessas assas que quebrei as pernas, e foi dessa liberdade que hoje me arranca o sorriso. Instantaneamente, perdi-me.
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Noite essa mais límpida
Carregada com minhas dores
Tua saudade embora me abrace
Não me causa a morte.
Estou à beira de correr nas estrelas e sentir a imensidão que desejo aqui.
Não me falta mais nada, a completude bate à porta e me chama para conhecê-la.
A euforia curiosa, o mundo sem as raízes que me criastes, as asas que arrancadas de mim foram, o cheiro novo, as cores diferentes, tudo que não conheci.As formas das coisas, o meu ser só e não, não homogêneo com tua forma de ser... Bate à porta.
Incansavelmente, estou angustiada.
Tu ainda és eu, sempre, exaustivamente.
Não deixarei ir-me.
Não quero mundo novo, quero nossa constante forma de viver, não quero cores diferentes nem cheiros novos, quero mudar as nossas e sair contigo e mudar os ares. Não quero as asas que me foram arrancadas por teu egoísmo, quero que me ensine a caminhar ao teu lado.
Assim, escolherei o restante do teu amor, que nessa vida derramou a suavidade nas estradas.
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Não me entristece seus defeitos, aqueles que sempre discutíamos a respeito, nem as mágoas por nossos desentendimentos que são ínfimos nesse instante.
Entristece-me a saudade que agora é, o meu íntimo revelado a ti, a doação de minhas emoções, a quebra do nossos sonhos, o afeto incomparável, o amor indestrutível, olhos relutantes, as almas leves.
Eu era sua, acredito que um dia fora meu também, bem lá longe. Sinto-me despida ao ter revelado meus segredos, mostrado minha alma e entregue-me sozinha. Seus olhos eram reais, mas sua boca mentia, sua alma não estava exposta, não tive acesso ao seu íntimo, a você...
Amei sozinha, mas não importava, eu amava por nós dois naqueles momentos. Dilacera-me a injustiça, entristece-me sentir nua hoje ao ter tirado antes minha roupa pra ti. Não importa eu ter me revelado sozinha, mas seria tão bom você ter sido só ... um pouquinho.
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O meu Deus não levou apenas 7 dias para criar este inexplicável mundo, ele tem seus apóstolos planetas ao seu lado e bem mais numerosos que 12
Fez-me ficar cada vez mais pequeno e inútil comparado com seu tamanho, me possuiu por inteiro ao me tornar ser pensante.
Deu-me o cálcio dos meus ossos, a cor de minha pele, o ar dos meus pulmões
Ele nunca ressuscitou, pois nunca morreu
Muito menos condenou, pois nunca foi pequeno.
Ele liberta!
Em nome à ele, à vida, à morte, amém, universo.
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