encontrando-me
Senti-me vazia esses dias, não muito diferente de outros dias, mas o leito onde me acomodara começou a mudar de forma, e tive que desfazer todas minhas raízes e do teu afago para adaptar-me mais uma vez . Essa manhã, sozinha em casa, necessitava de algo. O meu peito doía, não doído como a morte igualmente antes, mas sim como estava a finalmente dar um passo para algo fora do hábitat natural. E naquela manhã , sem nem mesmo tomar café e com os olhos inchados de ontem a noite, eu dancei. A música me cativava, os tons vibraram meu corpo, as ondas me fizeram mergulhar pra dentro. Ao fim da música senti uma vontade enorme de tocar meu corpo, minha boca, admirar meus olhos, minhas curvas. Mas como ei de fazer ? Não é meio estúpido se tocar, admirar e confortar a ti mesmo te tocando pra se sentir vivia? Pelo menos nunca ouvi boatos de tais atos. Mas pra mim foi bobagem, ora, como não poderia tocar meu próprio corpo ? Tinha medo de desbravar meus próprios anjos e demônios. Então, sem ao menos ver, como se fosse natural, toquei-me enquanto dançava. passeei as mãos pelos cabelos , nos lábios e em meus braços, rodopiava, rodopiava e ao ver já estava sorrindo na mais autêntica felicidade!. É, na autentica felicidade, pois posso me confiar, porque eu sou eu, eu posso entregar meus medos a mim mesma sem medo de retaliações, eu posso enfim me aventurar no meu mistério. Mas, incansavelmente no fim de tudo, ao sentar- me na cama senti sua falta e o aperto da falta da tua presença, e tudo voltou a estaca zero. Entretanto não esquecerei de hoje. Nessa manhã fui presenteada como o que posso chamar de escape da minha dor.
POEMICIDA®
Uau, achei muito interessante, que prazer não é? Parabéns!
poliana cachoeira
Estou tentado me habitar a uma nova fase. Acho que encontrei a forma 🦋
POEMICIDA®
Conhecer o seu corpo e os prazeres que ele proporciona é muito bom Poliana, fico muito feliz por essa sua descoberta fantástica!
Ricardo Ferreira dos Santos.
muito bom, ótimo