Desabafo (2 anos e 7 meses depois)
Me pergunto quando as dores passarão, quando a sombra do que você foi irá deixar de me perseguir. Eu beijo sua boca, fazemos amor e eu tenho o amor, eu tenho você, mas eu não tenho a mim. Qual o preço de te ter ao meu lado? As vezes acho que estou curada, mas em noites como essas, me sinto uma tola em estar nessa maldita fase de dor que não sana. Não é justo comigo, não é honorável a dor que senti, não estou sendo justa aquela dor, aquela minha morte e a minha tentativa de renascença, eu não estou sendo justa. Pego-me pensando na caixa de rosas e cartas da nossa história jogadas fora, as que eu te dizia que daria para nossos filhos lerem um dia. Pego-me pensando no meu diário de palavras de sofrimentos e tentativas de alívios ao longo dos meses quando tudo começou, não as encontro mais. Nelas lembro-me ter escrito que não importaria de um dia não as mais ler, pois nunca esqueceria o que passei, nenhum detalhe (O sofrimento não se esquece). De fato, como sofri, como foi injusto o que me fez, que verme você foi, como mudou o que eu era, como eu passei de menina pra mulher em tão pouco tempo... É nessas noites que o ódio se sobressai ao amor. Seu amor me aniquila, me diminui, me humilha. Eu tenho você, mas não tenho a mim. Você me mudou, mudou o que poderíamos ser.
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