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Poeta Social

@poetasocial · desde 2020

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Filhos do Inverno

As guerras travadas pela sede de glória Forjaram um guerreiro nunca esquecido. Dita foi por escaldos a insigne história Do filho de Ragnar, por muitos temido. Os invernos criaram Ivar, o Desossado, Nascido no inferno de fogo gelado. Cansado dos frios e brumosos campos Para reinos distantes lançou-se o bravo Onde homens vestiam túnicas e mantos Diferente do traje de guerra escandinavo Que os daneses usavam em suas incursões. Ele estava diante dos reinos saxões. Junto aos guerreiros ávidos por guerras E visando conquistar seu próprio território, Invadiu os portões daquelas ricas terras Pilhando as riquezas com furor predatório. A Inglaterra conheceu Ivar, o Desossado. O homem que profanou seu solo sagrado. Travou tantos combates e tantos ganhou. Sua ferocidade se tornou conhecida Aos olhos de Thor, que os céus atroou Conferindo seu ímpeto ao danês regicida E estremecendo os campos das batalhas Por onde Ivar espraiou suas mortalhas. Ele previa um futuro glorioso ao seu povo E pôde, triunfante, alcançar esse feito Abrindo caminhos naquele mundo novo Para que os filhos do inverno tivessem o direito De não mais lutarem pela sobrevivência E prosperarem ao longo de sua existência. Foi em meio as pugnas que o viking peregrino Provou ser digno do prestígio de Odin. E quando enfim se fez selado seu destino Seu corpo repousou sobre o manto carmesim. Valhalla recebeu Ivar, o Desossado Que foi, de Midgard, pelas Valquírias levado.

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PAIXÃO DE ECO

Quando te vi caminhando ali, sozinho Ficou convicto esse meu coração Que deveria, eu, cruzar seu caminho E que me notaria. Essa era a intenção. Pois só assim poderia a ti me apresentar Já que não tinha palavras pra me expressar. Quem dera fosse por causa de tua beleza A ausência delas em minha oratória Se assim fosse estaria feliz, com certeza, Mas a razão é que em minha trajetória Recebi dos deuses uma maldição perversa Que me impede manter qualquer conversa. Apenas o final de todas as frases Sinto, é o máximo que consigo dizer Sobretudo o encanto que consigo trazes Foi suficiente pra fazer-me esquecer Da limitação que me aflige, feroz. Bastou-me ouvir a melodia de tua voz. A luz refletida em teus longos cabelos Cativou a atenção de meus olhos cegamente. "O que fazer para entre meus dedos, tê-los? Como pude amar-te assim, tão loucamente?" Tomei coragem e fui em sua direção Mas o que ouvi despedaçou meu coração. Me rejeitastes, e com tamanha frieza E como se me sobreviesse outro castigo Tuas palavras me afundaram em tristeza, Mas confesso que ainda carreguei comigo O fardo de, em segredo, te amar tanto Ao longo desses meus dias de pranto. E agora choro ao ver-te desfalecido Em meus braços, às margens deste lago. Por ter visto teu próprio reflexo distorcido Como eu, ficaste também apaixonado. Meus dedos frios enfim tocaram o teu cabelo: "Oh, Narciso! Por que tinhas de ser tão belo?!"

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ORFEU E EURIDICE

Eu, o filho de Calíope e Apolo Que herdei de meus pais seus encantos, Trazia júbilo a essa terra que hoje assolo Com melancólicas músicas e cantos. O motivo de minha transfiguração Foi a dor, que lacerou meu coração. Flor de Afrodite, minha Eurídice amada Ela, senhora das minhas celebrações, Do meu seguro abraço foi tomada E hoje não há mais poesias ou canções Capazes de aplacar meu choro funesto. Sem ela, fenece em trevas todo o resto. Qual sentido encontraria em viver Se já não sou o homem que fui um dia? Anseio apenas dentro em breve perecer Para rever aquela que levou minha alegria E que lá nos Campos Elísios aspira Mais uma vez, ouvir o canto de minha lira.

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EPIMETEU E PANDORA

Ainda que me fosse permitido Voltar àquele exato dia - já ciente - Em que me uni a ti sublimemente, E ainda que me fosse referido A tragédia, qual fui acometido, Não tomaria escolha diferente. Mesmo que me condenem culpado Dos males que assolam este mundo E que eu pereça no abismo mais profundo, Aceitaria este castigo de bom grado E não me apartaria do teu lado Sequer por um único segundo. Se o infortúnio que nos aflige agora Será a ruína de toda a minha criação, Nada do que eu vivi será em vão Pois foi num único momento de outrora: Na primeira vez que beijei a ti, Pandora, É que encontrei minha eterna redenção.

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CEIX E ALCIONE

Não mais vivo sequer breve momento Em que fuja de minha mente o tormento Do saber que já se foram dias tantos, Regados por minhas preces e prantos. Meu rei amado, como dói a tua ausência! Se aos mares entregaste a tua existência E entre as águas firmaste nova morada Nelas, também, tua rainha fará estada. Que me aguarde concórdia ou represália, No submundo ou nos campos da Tessália! Qualquer destino para mim será benquisto Desde que logo me alcance a doce morte Que tão somente será ela, minha sorte Pois apenas ao teu lado é que eu existo.

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POR ELA

Se era por ela, eu não sabia, mas pedia Aos anjos que tão bem me conheciam Que me preservassem a visão, pois a via De forma que os olhos não entendiam. Sim, pude ver na beleza daquele sorriso O dia em que o mundo enfim fez sentido. Vi o cupido com o seu tiro preciso Alvejar o pedaço de meu coração partido. Se era por ela, então o disparo manifesto Fez que esse pedaço se unisse ao resto E o purificasse no fogo dos olhos daquela Que num instante me fez pra sempre dela E se é por ela que agora palpita meu peito Sou abençoado por tê-la visto desse jeito.

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O CANTO DA SEREIA

Foi de noite, quando o pescador navegava Que caiu cegamente naqueles encantos. Uma mulher, de beleza que cativava O atraiu com a melodia de seus cantos. O rapaz perguntou: de onde viestes? E ela se aproximou com fina sutileza. Escamas cobriam sua pele, feito vestes. Seu perfume era como brisa da natureza. Ela o beijou, e o toque de seus lábios frios Acendeu o fogo daquele peito apaixonado Se uniria à ela, quisera ele, perante os rios Se não levasse no coração, tanto pecado. E o pescador caiu de seu velho barquinho Naquelas águas onde afundou sozinho.

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AMANTE DA MEDUSA

Cá estou, defronte essa caverna imensa Cercado de estátuas, ruínas do que eram: Tantos homens ceifados numa sentença E Imóveis no mesmo lugar que estiveram. Ainda que vida já não haja entre os tantos Esperam pelo momento de vislumbrar O que ouviam sobre os místicos encantos Que existem na maldição daquele olhar. E eu, mais um atraído por tanta história Vim tentar dar um fim a esse mistério. -“Ter sua cabeça por troféu. Que glória!” É o que pensava até pisar em seu império Pois agora, fitando os olhos da musa Também desejo ser amante da Medusa.

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Estações

Era Outono quando conheci minha rainha Andando sobre muitas amarelas folhas E em meio aos tantos afazeres e escolhas Minha completa atenção, só ela tinha. Por mais que tentasse em minha poesia Compor os detalhes da sua perfeição, Sua pele vermelha, inda do calor do Verão Era mais bela que tudo que eu conhecia. Capaz de me fazer cruzar todo o inferno E, se preciso, alterar suas composições Tornando as chamas no mais alvo Inverno Afim de que entenda minhas motivações Pois enfrentar prova assim, tão severa Só pelos seus olhos, cor de Primavera.

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Me parece

Depois de tanto tempo, me parece que estou de volta.