As guerras travadas pela sede de glória
Forjaram um guerreiro nunca esquecido.
Dita foi por escaldos a insigne história
Do filho de Ragnar, por muitos temido.
Os invernos criaram Ivar, o Desossado,
Nascido no inferno de fogo gelado.
Cansado dos frios e brumosos campos
Para reinos distantes lançou-se o bravo
Onde homens vestiam túnicas e mantos
Diferente do traje de guerra escandinavo
Que os daneses usavam em suas incursões.
Ele estava diante dos reinos saxões.
Junto aos guerreiros ávidos por guerras
E visando conquistar seu próprio território,
Invadiu os portões daquelas ricas terras
Pilhando as riquezas com furor predatório.
A Inglaterra conheceu Ivar, o Desossado.
O homem que profanou seu solo sagrado.
Travou tantos combates e tantos ganhou.
Sua ferocidade se tornou conhecida
Aos olhos de Thor, que os céus atroou
Conferindo seu ímpeto ao danês regicida
E estremecendo os campos das batalhas
Por onde Ivar espraiou suas mortalhas.
Ele previa um futuro glorioso ao seu povo
E pôde, triunfante, alcançar esse feito
Abrindo caminhos naquele mundo novo
Para que os filhos do inverno tivessem o direito
De não mais lutarem pela sobrevivência
E prosperarem ao longo de sua existência.
Foi em meio as pugnas que o viking peregrino
Provou ser digno do prestígio de Odin.
E quando enfim se fez selado seu destino
Seu corpo repousou sobre o manto carmesim.
Valhalla recebeu Ivar, o Desossado
Que foi, de Midgard, pelas Valquírias levado.
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Quando te vi caminhando ali, sozinho
Ficou convicto esse meu coração
Que deveria, eu, cruzar seu caminho
E que me notaria. Essa era a intenção.
Pois só assim poderia a ti me apresentar
Já que não tinha palavras pra me expressar.
Quem dera fosse por causa de tua beleza
A ausência delas em minha oratória
Se assim fosse estaria feliz, com certeza,
Mas a razão é que em minha trajetória
Recebi dos deuses uma maldição perversa
Que me impede manter qualquer conversa.
Apenas o final de todas as frases
Sinto, é o máximo que consigo dizer
Sobretudo o encanto que consigo trazes
Foi suficiente pra fazer-me esquecer
Da limitação que me aflige, feroz.
Bastou-me ouvir a melodia de tua voz.
A luz refletida em teus longos cabelos
Cativou a atenção de meus olhos cegamente.
"O que fazer para entre meus dedos, tê-los?
Como pude amar-te assim, tão loucamente?"
Tomei coragem e fui em sua direção
Mas o que ouvi despedaçou meu coração.
Me rejeitastes, e com tamanha frieza
E como se me sobreviesse outro castigo
Tuas palavras me afundaram em tristeza,
Mas confesso que ainda carreguei comigo
O fardo de, em segredo, te amar tanto
Ao longo desses meus dias de pranto.
E agora choro ao ver-te desfalecido
Em meus braços, às margens deste lago.
Por ter visto teu próprio reflexo distorcido
Como eu, ficaste também apaixonado.
Meus dedos frios enfim tocaram o teu cabelo:
"Oh, Narciso! Por que tinhas de ser tão belo?!"
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Eu, o filho de Calíope e Apolo
Que herdei de meus pais seus encantos,
Trazia júbilo a essa terra que hoje assolo
Com melancólicas músicas e cantos.
O motivo de minha transfiguração
Foi a dor, que lacerou meu coração.
Flor de Afrodite, minha Eurídice amada
Ela, senhora das minhas celebrações,
Do meu seguro abraço foi tomada
E hoje não há mais poesias ou canções
Capazes de aplacar meu choro funesto.
Sem ela, fenece em trevas todo o resto.
Qual sentido encontraria em viver
Se já não sou o homem que fui um dia?
Anseio apenas dentro em breve perecer
Para rever aquela que levou minha alegria
E que lá nos Campos Elísios aspira
Mais uma vez, ouvir o canto de minha lira.
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Ainda que me fosse permitido
Voltar àquele exato dia - já ciente -
Em que me uni a ti sublimemente,
E ainda que me fosse referido
A tragédia, qual fui acometido,
Não tomaria escolha diferente.
Mesmo que me condenem culpado
Dos males que assolam este mundo
E que eu pereça no abismo mais profundo,
Aceitaria este castigo de bom grado
E não me apartaria do teu lado
Sequer por um único segundo.
Se o infortúnio que nos aflige agora
Será a ruína de toda a minha criação,
Nada do que eu vivi será em vão
Pois foi num único momento de outrora:
Na primeira vez que beijei a ti, Pandora,
É que encontrei minha eterna redenção.
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Não mais vivo sequer breve momento
Em que fuja de minha mente o tormento
Do saber que já se foram dias tantos,
Regados por minhas preces e prantos.
Meu rei amado, como dói a tua ausência!
Se aos mares entregaste a tua existência
E entre as águas firmaste nova morada
Nelas, também, tua rainha fará estada.
Que me aguarde concórdia ou represália,
No submundo ou nos campos da Tessália!
Qualquer destino para mim será benquisto
Desde que logo me alcance a doce morte
Que tão somente será ela, minha sorte
Pois apenas ao teu lado é que eu existo.
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Se era por ela, eu não sabia, mas pedia
Aos anjos que tão bem me conheciam
Que me preservassem a visão, pois a via
De forma que os olhos não entendiam.
Sim, pude ver na beleza daquele sorriso
O dia em que o mundo enfim fez sentido.
Vi o cupido com o seu tiro preciso
Alvejar o pedaço de meu coração partido.
Se era por ela, então o disparo manifesto
Fez que esse pedaço se unisse ao resto
E o purificasse no fogo dos olhos daquela
Que num instante me fez pra sempre dela
E se é por ela que agora palpita meu peito
Sou abençoado por tê-la visto desse jeito.
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Foi de noite, quando o pescador navegava
Que caiu cegamente naqueles encantos.
Uma mulher, de beleza que cativava
O atraiu com a melodia de seus cantos.
O rapaz perguntou: de onde viestes?
E ela se aproximou com fina sutileza.
Escamas cobriam sua pele, feito vestes.
Seu perfume era como brisa da natureza.
Ela o beijou, e o toque de seus lábios frios
Acendeu o fogo daquele peito apaixonado
Se uniria à ela, quisera ele, perante os rios
Se não levasse no coração, tanto pecado.
E o pescador caiu de seu velho barquinho
Naquelas águas onde afundou sozinho.
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Cá estou, defronte essa caverna imensa
Cercado de estátuas, ruínas do que eram:
Tantos homens ceifados numa sentença
E Imóveis no mesmo lugar que estiveram.
Ainda que vida já não haja entre os tantos
Esperam pelo momento de vislumbrar
O que ouviam sobre os místicos encantos
Que existem na maldição daquele olhar.
E eu, mais um atraído por tanta história
Vim tentar dar um fim a esse mistério.
-“Ter sua cabeça por troféu. Que glória!”
É o que pensava até pisar em seu império
Pois agora, fitando os olhos da musa
Também desejo ser amante da Medusa.
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Era Outono quando conheci minha rainha
Andando sobre muitas amarelas folhas
E em meio aos tantos afazeres e escolhas
Minha completa atenção, só ela tinha.
Por mais que tentasse em minha poesia
Compor os detalhes da sua perfeição,
Sua pele vermelha, inda do calor do Verão
Era mais bela que tudo que eu conhecia.
Capaz de me fazer cruzar todo o inferno
E, se preciso, alterar suas composições
Tornando as chamas no mais alvo Inverno
Afim de que entenda minhas motivações
Pois enfrentar prova assim, tão severa
Só pelos seus olhos, cor de Primavera.
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Depois de tanto tempo, me parece que estou de volta.