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ORFEU E EURIDICE

Eu, o filho de Calíope e Apolo Que herdei de meus pais seus encantos, Trazia júbilo a essa terra que hoje assolo Com melancólicas músicas e cantos. O motivo de minha transfiguração Foi a dor, que lacerou meu coração. Flor de Afrodite, minha Eurídice amada Ela, senhora das minhas celebrações, Do meu seguro abraço foi tomada E hoje não há mais poesias ou canções Capazes de aplacar meu choro funesto. Sem ela, fenece em trevas todo o resto. Qual sentido encontraria em viver Se já não sou o homem que fui um dia? Anseio apenas dentro em breve perecer Para rever aquela que levou minha alegria E que lá nos Campos Elísios aspira Mais uma vez, ouvir o canto de minha lira.

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