PAIXÃO DE ECO
Quando te vi caminhando ali, sozinho Ficou convicto esse meu coração Que deveria, eu, cruzar seu caminho E que me notaria. Essa era a intenção. Pois só assim poderia a ti me apresentar Já que não tinha palavras pra me expressar. Quem dera fosse por causa de tua beleza A ausência delas em minha oratória Se assim fosse estaria feliz, com certeza, Mas a razão é que em minha trajetória Recebi dos deuses uma maldição perversa Que me impede manter qualquer conversa. Apenas o final de todas as frases Sinto, é o máximo que consigo dizer Sobretudo o encanto que consigo trazes Foi suficiente pra fazer-me esquecer Da limitação que me aflige, feroz. Bastou-me ouvir a melodia de tua voz. A luz refletida em teus longos cabelos Cativou a atenção de meus olhos cegamente. "O que fazer para entre meus dedos, tê-los? Como pude amar-te assim, tão loucamente?" Tomei coragem e fui em sua direção Mas o que ouvi despedaçou meu coração. Me rejeitastes, e com tamanha frieza E como se me sobreviesse outro castigo Tuas palavras me afundaram em tristeza, Mas confesso que ainda carreguei comigo O fardo de, em segredo, te amar tanto Ao longo desses meus dias de pranto. E agora choro ao ver-te desfalecido Em meus braços, às margens deste lago. Por ter visto teu próprio reflexo distorcido Como eu, ficaste também apaixonado. Meus dedos frios enfim tocaram o teu cabelo: "Oh, Narciso! Por que tinhas de ser tão belo?!"
Nilza Poetisa
Lindo, lindo. Como sempre o que vc escreve meu amigo. Oh, Narciso! Por que tinhas de ser tão belo? 👏👏👏💙
Poeta Social
Obrigado bem. Feliz que vc gostou 🖤