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Mateus

@mtohpoeta · desde 2023

não viva há vida na onde não a vida. mas viva fazendo vida a onde não tem vida.

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Amor

Última carta de amor

Vocês falam delas como quem descreve um objeto, mas há alma nos olhos que fingem indiferença. E a verdade? Eu não quero essa paixão — não porque não a deseje, mas porque não sei mais senti-la. O único amor que carrego… é por mim, e mesmo esse, às vezes, me escapa. Se isso me faz hipócrita, que me julguem. Pois também não sou digno de tamanha beleza que me atravessa como um sol que jamais me aquece. Suas palavras de afeto, tão suaves e sem peso, não passam de sopros — ecoando onde já não há morada. E, por favor, não me digam que ainda há esperança… Meu coração é uma ruína onde já não floresce nenhuma primavera. Eu te amaria com verdade, mas o que tenho a oferecer não basta nem pra mim. E o que falta em mim… não pode ser amado por ti.

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Amor

Intensidade

Ela chegou como quem dança com o vento, intensa, como o primeiro raio na noite quieta, mas em seus olhos, a calma de um céu sem nuvens— uma paz que não se explica, apenas se sente. Sorriso que nasce como aurora em dia frio, capaz de aquecer até o coração mais exausto. É nessa curva dos lábios que mora o milagre: o mundo para, e tudo se torna possível. Sempre alegre, como um girassol que insiste em luz, mesmo quando o céu se cobre de cinza e ausência. Ela carrega a primavera nos gestos, e o verão nas palavras — nunca passa despercebida. Mas há nela algo que vai além do belo: uma força suave, que toca sem ferir, uma intensidade que não sufoca, mas revela — quem a ama aprende a florescer. Ela não pertence a lugar algum, é sol, é vento, é liberdade com perfume de flor. E mesmo que o tempo leve tudo, haverá nela algo eterno: a lembrança de quem um dia foi lar, no olhar de uma tempestade vestida de paz.

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Amor

O talvez por trás do espelho

E só talvez... Talvez eu tenha te amado de verdade. Ou só talvez... me doado demais a alguém que nunca enxergou valor no que eu era. Mas quem sabe — por um breve instante — você tenha, sim, se importado? Pouco importa a tua resposta agora. Porque, desta vez, não serei eu quem estende a mão. E já não existe mais nenhum "e se, talvez...".

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Poema

O caminho do forasteiro

Caminhei... por trilhas desfeitas no silêncio do mundo. Até que o nada me recebeu com braços vazios. Acendi uma fogueira — última chama da esperança — e deitei-me sob o véu frio da noite. As estrelas, cintilantes, me olhavam como memórias esquecidas. Caminhei... e cheguei ao lugar onde os nomes não existem, onde a chuva sussurra segredos, e o vento leva promessas não cumpridas. A tempestade veio — furiosa, como verdades não ditas. Mas caminhei de novo... e retornei ao ponto onde tudo era ausência. O amor, outrora chama viva, se fez brasa e depois cinza. As estrelas perderam seu brilho — como olhos cansados de esperar. A história, cansada de recomeçar, fez do fim o seu próprio início. Caminhei... e agora me pergunto: Para onde vai aquele que já partiu de si mesmo?

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Amor

Trem das 7

Eu estou partido... E, por favor, não me espere, Pois não sei se tal viagem terá volta. Mas antes de partir Para o lado mais escuro do meu coração, Devo dizer qual motivo me levou a tal decisão? Eu sou capaz de reconstruir corações usando o meu, Mas não sei permanecer depois do sacrifício. Eu sou intensidade! Sou vasto como um furacão, Mas também sou o espinho da rosa... Percebi, então, que sempre fui — e serei — Apenas um flashback nas memórias de alguém. Você me trouxe de volta... agradeço, Mas preciso dizer: não sou o mesmo. Pelo menos... não mais com você. E antes de partir, devo lhe confessar: Te amo... E é difícil, porque você se fez intensidade Dentro da intensidade. Tão bela, tão pura... você era felicidade. E eu? Eu sou simplesmente o contrário disso. Estou partindo... Mas deixo com você o melhor de mim. Bom... Meu trem chegou. Au revoir, mon amour.

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Amor

O beija-flor e o girassol 🌻

Certa vez, um jovem beija-flor se encantou por um girassol. Mas era cedo demais… Trazia no peito asas apressadas, Coração de vento, E alma que ainda não sabia pousar. O girassol, firme, dourado, de olhar que seguia o sol, Amava em silêncio, com raízes profundas, Mesmo vendo no beija-flor a brisa de uma paixão que ainda não sabia florir. O tempo — esse jardineiro impiedoso — passou. E o beija-flor, enfim, entendeu: Seu céu era aquele girassol. Seu pouso. Sua luz. Mas, ao voltar, o campo já era outro. O girassol sorria ao lado de uma rosa. E o beija-flor partiu, Com um amor inteiro no peito… E o peso daquilo que só a maturidade ensina: Que às vezes, amar tarde demais É o mesmo que nunca ter amado certo.

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Poema

Fragmentos de mim

Sou a peça ausente de um quebra-cabeça Que nunca foi feito pra mim. Falta-me forma, Ou talvez me sobre dor. Moldei-me ao silêncio dos dias, Desenhei sorrisos onde nasciam cicatrizes, E hoje, no espelho, me encaro Como um estranho vestido de mim mesmo. Perdi tantos pedaços Tentando caber em mundos alheios Que já não sei onde termina a borda E começa o vazio. Sou barco à deriva, Navegando um mar sem nome, Onde bússolas enlouquecem E o horizonte se dissolve como névoa. Já não brinco com os labirintos da alma, Pois cada tentativa de fuga É mais uma faca em minha essência. Procuro os rostos que um dia salvei, Mas não ouço passos na beira do abismo. E se alguém vier, Será que estenderá a mão Ou apenas me empurrará com o peso da ausência? Sou quebra-cabeça feito de sombras, E ninguém quer montar o que não entende.

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Poema

O silêncio da flor

Se me calei, Não foi por dor ou mágoa no peito, Tampouco por tempestade em meu olhar. Me calei porque minhas palavras, Feitas de brisa e não de lâmina, Sabem curar — não ferir. Pois aquilo que não grito ao mundo Eu deixo escorrer em versos, Como quem sangra pétalas no papel. E até a rosa, que um dia repousou em minhas mãos, Ainda exala o perfume daquilo que ficou por dizer.

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Amor

Dois em um só

"Eram como um yin yang" Diziam que não eram dois, mas um só corpo em desalinho, duas metades da mesma ferida, o mesmo perfume no mesmo espinho. Caminhavam como sombra e chama, faca e pele, flor e espinho. O mundo via dois amantes, mas a alma... era só um caminho. Ela tinha nos olhos o abismo, ele, nos lábios, a oração. Ela, um incêndio contido, ele, a faísca da combustão. Não se tocavam — se devoravam. Não se amavam — se reconheciam. E mesmo nas brigas mais frias, as almas nunca partiam. Os velhos diziam com medo: “São como um yin yang perdido... amaldiçoados por se quererem tanto, abençoados por terem se unido.” Onde um chorava, o outro sangrava. Onde um caía, o outro erguia. Viviam como relâmpago e trovão — sempre intensos, nunca em harmonia. Mas havia beleza no caos. No silêncio que os envolvia, em cada olhar de guerra e ternura que os tornava poesia. E assim seguiam, um no outro, mistério que ninguém traduz. Amor que não cabe no mundo, mas que ao mundo, ainda conduz.

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Poesia

Me chame de poesia

Já fui poeta, Quando as palavras fluíam como rios nas veias do tempo, Mas hoje sou a própria poesia, Silenciosa, etérea, escrita nas entrelinhas da ausência. Já fui presença, Brilho de estrela em céu alheio, Hoje sou sombra que se esconde No vão das memórias que o tempo desfaz. Como o sol que se deita no horizonte, Carrego uma beleza que arde em despedida, E com ternura me desfaço Em versos que choram mais do que dizem. Não sou quem lança pedras aos caídos, Sou mãos que costuram dores que não nasceram em mim, E, por tocar feridas abertas, Acabo sangrando por cacos que não quebrei, Por corações onde, sem querer, plantei raiz. Já fui poeta. Hoje, sou a lágrima que escorre do verso, Sou o silêncio entre uma estrofe e outra, Sou o suspiro que resta... Então, se perguntarem quem sou, Não diga meu nome. Me chame de poesia.

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