Dois em um só
"Eram como um yin yang" Diziam que não eram dois, mas um só corpo em desalinho, duas metades da mesma ferida, o mesmo perfume no mesmo espinho. Caminhavam como sombra e chama, faca e pele, flor e espinho. O mundo via dois amantes, mas a alma... era só um caminho. Ela tinha nos olhos o abismo, ele, nos lábios, a oração. Ela, um incêndio contido, ele, a faísca da combustão. Não se tocavam — se devoravam. Não se amavam — se reconheciam. E mesmo nas brigas mais frias, as almas nunca partiam. Os velhos diziam com medo: “São como um yin yang perdido... amaldiçoados por se quererem tanto, abençoados por terem se unido.” Onde um chorava, o outro sangrava. Onde um caía, o outro erguia. Viviam como relâmpago e trovão — sempre intensos, nunca em harmonia. Mas havia beleza no caos. No silêncio que os envolvia, em cada olhar de guerra e ternura que os tornava poesia. E assim seguiam, um no outro, mistério que ninguém traduz. Amor que não cabe no mundo, mas que ao mundo, ainda conduz.
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