Fragmentos de mim
Sou a peça ausente de um quebra-cabeça Que nunca foi feito pra mim. Falta-me forma, Ou talvez me sobre dor. Moldei-me ao silêncio dos dias, Desenhei sorrisos onde nasciam cicatrizes, E hoje, no espelho, me encaro Como um estranho vestido de mim mesmo. Perdi tantos pedaços Tentando caber em mundos alheios Que já não sei onde termina a borda E começa o vazio. Sou barco à deriva, Navegando um mar sem nome, Onde bússolas enlouquecem E o horizonte se dissolve como névoa. Já não brinco com os labirintos da alma, Pois cada tentativa de fuga É mais uma faca em minha essência. Procuro os rostos que um dia salvei, Mas não ouço passos na beira do abismo. E se alguém vier, Será que estenderá a mão Ou apenas me empurrará com o peso da ausência? Sou quebra-cabeça feito de sombras, E ninguém quer montar o que não entende.
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