Tropeço em passos que foram tão nossos,
mas vejo que os teus já dançam sem mim.
Mal apagou-se o eco do agora,
e já és passado sem ter um fim.
O tempo mal teve tempo de ir,
mas tu já foste sem hesitar.
Enquanto eu guardo o gosto do vento,
tu bebes promessas noutro lugar.
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Carrego no peito o peso dos anos,
marcas de um tempo que não volta,
onde cada sorriso era abrigo,
e o toque, promessa de eternidade.
Deixei tudo naquele amor,
como quem abandona o sol ao fim do dia,
mas o amanhecer não veio,
e agora caminho na penumbra da saudade.
Surge alguém, com olhos de esperança,
mãos estendidas, prontas para me curar.
Mas como se cura o que não quer sarar?
Como se planta em solo que já morreu?
Não há mais perfume nas flores,
nem calor nos abraços que não são os seus.
O mundo pode oferecer ternura,
mas minha alma só conhece o eco do que foi.
Eles dizem: “Deixa o novo entrar”,
mas não sabem que meu coração,
feito um barco sem rumo,
navega apenas no oceano do passado.
Ainda ouço sua voz no vento,
vejo seu rastro em cada esquina.
E mesmo que outros braços me chamem,
só o vazio me atende.
Então, aqui fico, entre o ontem e o nunca,
prisioneira de uma história que acabou,
mas que ainda vive em mim,
como a última faísca de um fogo que não quer se apagar.
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Criei um reflexo de perfeição,
Um padrão que cabia na sua visão.
Cabelos lisos, pele morena,
Mas era minha alma que a cena encena.
Não foi o corpo, não foi a moldura,
Foi minha essência, minha doçura.
No brilho dos olhos, minha verdade,
Mesmo em diferença, a mesma identidade.
Você viu o que queria enxergar,
Mas era eu que ali vinha a brilhar.
Não há lenda, não há mistério,
Só a força de quem sou, o meu império.
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Entre as sombras do que já fui,
vaga um eco, um grito mudo,
um rosto pálido no espelho,
mas... quem é ele? Quem sou eu?
Os caminhos que desenhei na areia,
se dissolvem sob o peso do tempo,
o futuro, um vulto disforme,
me pergunta o que quero — eu não sei.
A felicidade, será miragem?
Ou um fardo que finjo carregar?
Nesse teatro de sorrisos e dores,
me perco no papel que nunca escolhi.
Há um abismo onde antes havia chão,
um cansaço que cala o desejo,
mas se o fim me chama em segredo,
ainda busco — ao menos — entender o porquê.
E quem sabe, no vazio do não saber,
haja espaço para algo novo nascer.
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Quero o fim de tudo que me invade,
Que o peito se feche, que cesse a saudade.
Sentir é uma faca, um punhal sem perdão,
Prefiro o vazio à prisão da emoção.
Que o amor não me ache, que a dor não insista,
Que a raiva se perca, que a mágoa desista.
Se sentir é viver, prefiro apagar,
Ser só um silêncio, um sopro no ar.
Quero a paz do nada, do escuro total,
Onde não há desejo, nem bem, nem mal.
Ser pedra, ser vento, ser pó no chão,
Livre de tudo que pesa o coração.
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Confiei-te meu peito, meu mundo, meu bem,
Eras tudo, e agora és ninguém.
Fiz de ti meu porto, meu lar, minha luz,
E tu me devolveste uma cruz.
Espalhas palavras que nunca falei,
Desenhas mentiras que jamais serei.
Mas da dor que me deste, renasço maior,
Teu veneno em mim já não causa horror.
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Amar-te é carregar um céu,
um firmamento em fogo,
onde cada estrela queima
só porque brilhas tão forte.
Dei-me inteiro ao teu nome,
à curva dos teus olhos,
ao silêncio das palavras
que nunca precisaste dizer.
Em ti, fiz minha morada,
mas as janelas se fecharam.
As portas gemem ao vento,
mas não ouso sair.
Há um preço em amar demais:
é despovoar o coração,
é ver o mundo em tons de cinza,
quando só tu tens cor.
Nos outros rostos,
não há promessa,
não há refúgio,
não há nada.
E então, aprendi
que o amor exagerado
é um campo sem caminhos,
um horizonte imóvel,
onde tudo é teu
e nada é meu.
Mas sigo,
carregando o céu,
aceitando o fogo,
pois o preço de te amar demais
é o único preço que sei pagar.
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Carrego um mundo em minhas costas,
um mundo sem som, sem cor, sem rosto.
Um peso que não sei dividir,
uma dor que não sabe fugir.
Há em mim um grito mudo,
um eco que só eu ouço.
Ele se perde em cavernas escuras,
onde ninguém ousa entrar.
Queria dizer, queria soltar,
mas e se minhas palavras caírem
como pedras em um poço seco?
E se meu coração exposto
for apenas mais uma cicatriz
que ninguém quer ver?
Já me abri antes,
já depositei em mãos alheias
minhas verdades frágeis.
E elas caíram como vidro,
estilhaços que cortei sozinha.
Então me fecho,
um casulo que não vira borboleta,
uma concha que não toca o mar.
Mas dentro, o vazio dança,
um vazio que é tão pesado,
tão feroz, tão meu.
Tenho medo,
medo de que esse abismo em mim
seja grande demais para caber
nos ouvidos de quem eu amo.
Tenho medo de que, ao me abrir,
eu perca tudo, até a mim mesma.
E assim, eu sorrio.
Meu silêncio é um véu,
minha dor, uma sombra discreta.
Ninguém precisa saber,
ninguém pode saber.
Porque amar é arriscar,
mas sofrer sozinho é certeza.
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Um amor que mentiu, um palco montado,
Promessas vazias, um script ensaiado.
Jurava verdades, mas sobrou engano,
De um conto de fadas, restou desengano.
No fim do caminho, ao partir sem razão,
Culpou-me no mundo, manchou a versão.
Espalhou mentiras, distorceu o que fui,
Como se a verdade não mais lhe cabia.
Mas sigo de pé, com meu nome em respeito,
Quem conhece a essência enxerga o defeito.
Palavras voam, mas o tempo revela,
O que é de mentira nunca se modela.
Que a vida lhe ensine o que não soube dar,
Que aprenda o que é justo, que aprenda a calar.
E quanto a mim, fico firme, sereno,
Pois o amor verdadeiro é sempre terreno.
Do amor que mentiu, fiz minha lição,
Nem sempre se ama quem tem coração.
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Amei-te como se ama um mito,
Te criei em versos, te vesti de brilho,
Te fiz estrela no céu do meu peito,
E te acreditei puro, perfeito.
Te vi com olhos de uma alma cega,
Que pinta o mundo como quer que seja.
Dei-te a cor que nunca tiveste,
E da tua mentira fiz meu estandarte.
Mas o tempo, impiedoso e sincero,
Rasgou o véu do meu sonhar sincero.
Te vi por dentro, o que tanto escondias:
Um coração seco, cheio de mentiras.
Teus sorrisos eram lanças disfarçadas,
Tu'arte de engano, tão bem ensaiada.
Vi que és igual aos outros, nada mais,
Um rosto comum entre tantos mortais.
E assim, o amor que florescia em mim,
Murchou como flor ao vento do fim.
Não és mais mito, nem luz que reluz,
És só uma sombra que o tempo reduz.
Ainda assim, te agradeço o momento,
Pois nos enganos há sempre ensinamento.
E agora, livre do encanto que fingi,
Sigo minha estrada, sem ti, mas em mim.
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