Sielncio de abismos
Carrego um mundo em minhas costas, um mundo sem som, sem cor, sem rosto. Um peso que não sei dividir, uma dor que não sabe fugir. Há em mim um grito mudo, um eco que só eu ouço. Ele se perde em cavernas escuras, onde ninguém ousa entrar. Queria dizer, queria soltar, mas e se minhas palavras caírem como pedras em um poço seco? E se meu coração exposto for apenas mais uma cicatriz que ninguém quer ver? Já me abri antes, já depositei em mãos alheias minhas verdades frágeis. E elas caíram como vidro, estilhaços que cortei sozinha. Então me fecho, um casulo que não vira borboleta, uma concha que não toca o mar. Mas dentro, o vazio dança, um vazio que é tão pesado, tão feroz, tão meu. Tenho medo, medo de que esse abismo em mim seja grande demais para caber nos ouvidos de quem eu amo. Tenho medo de que, ao me abrir, eu perca tudo, até a mim mesma. E assim, eu sorrio. Meu silêncio é um véu, minha dor, uma sombra discreta. Ninguém precisa saber, ninguém pode saber. Porque amar é arriscar, mas sofrer sozinho é certeza.
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