O eco do que foi
Carrego no peito o peso dos anos, marcas de um tempo que não volta, onde cada sorriso era abrigo, e o toque, promessa de eternidade. Deixei tudo naquele amor, como quem abandona o sol ao fim do dia, mas o amanhecer não veio, e agora caminho na penumbra da saudade. Surge alguém, com olhos de esperança, mãos estendidas, prontas para me curar. Mas como se cura o que não quer sarar? Como se planta em solo que já morreu? Não há mais perfume nas flores, nem calor nos abraços que não são os seus. O mundo pode oferecer ternura, mas minha alma só conhece o eco do que foi. Eles dizem: “Deixa o novo entrar”, mas não sabem que meu coração, feito um barco sem rumo, navega apenas no oceano do passado. Ainda ouço sua voz no vento, vejo seu rastro em cada esquina. E mesmo que outros braços me chamem, só o vazio me atende. Então, aqui fico, entre o ontem e o nunca, prisioneira de uma história que acabou, mas que ainda vive em mim, como a última faísca de um fogo que não quer se apagar.
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