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Karen Coelho☆

@mesqueres · desde 2020

inutilia truncat. [🇧🇷] [🇻🇪]

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À Espera

Anosos males me detêm cativa, E a maré rara traz boas venturas; O fosco lume de manhãs escuras, Extende a minha fútil narrativa... Os ares densos tecem risos breves, Mas rechaçam os atrasos do enfado; No reino azul, pudera eu ter entrado... Eu não teria mesmo mágoas leves. Os prantos vertem pela fina fresta... Deles, não posso sequer servir-me, E prevejo: nestes, morrerei afogada. Findas são as dores, o inverno resta: Anjo soturno surgido: eu devo ir-me, E depois possa versar descansada. Karen Salazar ☆ (Soneto II)

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Amor

Um tempestuoso mar de amor unilateral

Renuis um franco anseio rascante De pronto, uma inquietude impera Nublas as cercanias, em ira sincera Nunca a mim te anuis feito amante Dantes, um coração lasso e inerme mantiveste, errando sempre cativo Mas já negaste teu pendor emotivo Nunca logro em teu apreço ater-me Minh'alma enfermiça enamorou-se dos vales áridos que orlam teu sentir Mal os avistava, e cedo prostrou-se Disseste-me: ímpio é como tu amas E tuas vis malícias finam sem surtir, como é o teu torvo amor em chamas Karen Salazar ☆

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O fardo perene da condenação à lancinante desonra

Estiolas-te, nefando nos quintos Tu, flainando, rente aos plangentes De vestes cinéreas, vês os famintos E dás pancárpias às pravas nubentes Retraído e pávido, em infinda lazeira Iracundo e fátuo, por cá caminhavas Lançando escritos das moças à lareira E rias tu, outrora, mentres lanhavas Tu, ficas, assim, na mácula, eternado E uma escureza cinge a tua parvidade Inda que disponte o Sol, tu não o verás Nesse vasto confim, foste encarcerado Para meramente venerar a vacuidade Tão-só do mediocre e do mal te nutrirás Karen ☆

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Lágrimas

Um Errante

Este romeiro mui falto de esmero Memora uma eviterna trova escrita Repara no amor temporal insincero Esparso à aragem, numa rua estreita Ele, mirando-me preterida nas ruelas Racontou-me, breve: lia-te no perene Tu excisarás as tuas atrozes mazelas E, quiçá, após, o teu lamento serene Mas a vida, deveras, sembra tão rasa Mesmo os perfeitos céus parecem ruir E meu íntimo está a queimar em brasa E tu bem podes o choro me extorquir Karen ☆

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Morte

Noite Costumaz

Esta erma beira-mar, nomeei-a minha Fico eu a fitar o marulho pela ventana E a frieza raia, e tanto a alma me dana Meu riso some: a noite, pois, já vinha Entorno a ginjinha, na miséria noturnal E uma estranha atimia retira-me a paz Esperto-me e rezo, a fé muito me apraz Sucumbe, portanto, o espírito abismal Mesmo a penúria cessando à alvorada À fímbria do outeiro habita a morte Deus, continuai a apartá-la de mim Teima em penar, minha pobre morada E o marasmo me espia do extremo norte Meu Deus, que possas isentar-me do fim Karen ☆

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Amor

Mais Um Poema de Amor

Me apraz partilhar convosco Meu sentido e pobre coração E meu carinho em prostração Não tanto brilha, pois é fosco Meu amor por ti, fosforescente Mas cessa, e queda-se à míngua Mas ficasse a sensação exígua... Teu amor por mim é decadente Conduzias tu as carícias em mim Em razão disto, cá venho compor... Para nunca acatar e preferir o fim Os novos amores vêm se sobrepor Preenchendo-me de ficções, enfim Levando-me até os mares de dor Karen ☆

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Amor

Às Paixões Que Vão e Vêm

Narro um mero amor, e me contento Mas todos os sentimentos se amarelam Excelsa faísca que minhas paixões selam Morosa é, e finda-se em puro lamento Mui bendita me quedo, o Sol é risonho Rente me é o céu, também assim é o mar Mesmo céu que o meu amor vai dizimar Mesmo mar que enxergo em meu sonho Belos campos em que as rosas florescem Da cor das paixões pretéritas: eu as deixei Rezo a Deus, o Senhor, e os anjos descem É que as paixões, por completo, enfaixei E, mesmo assim, todas elas remanescem O quê farei, Senhor, com as que fixei? Karen ☆

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Vida

Rio

Em verdade, a tristura um dia se tornou firme em mim, frequentando os arredores de minha mente. Nos tempos que correm, o desconsolo permanece contornando meu ser, fazendo nascer certo rio. Mirai se o que de cá vos escrevo é de vosso agrado, pois este rio que desce pelo meu rosto é perfeito, e, cedo ou tarde, encontrará o mar Karen ☆

Poesia

A Névoa

Tua venusta luz cresta-me a vista E me vêm as lembranças póstumas Pois caiamos em névoas e brumas Nesta breve aventura empirista Me deixo levar, um riso maquiado E falta-me tanta luz para ver além Tanto quanto meus sonhos valem É o custo do presente enunciado Me é fascinante a incrível pureza De uma mente mansa e insensata É a consciência meninil que desata Os elos criados pela triste nobreza Karen ☆

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