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LAURA

@lof013 · desde 2020

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Poema

Sobre nós

Existem três coisas sobre nós que eu não consigo entender: 1. Quando começamos. 2. Como permanecemos. 3. Por que fomos embora.

Poema

Vazio

Pequenos comprimidos de dopamina Atingem meu cérebro como células de agua gotejando dentro de uma piscina. Vazia Sorrio como se fosse o último sorriso, Despejo todas as palavras possíveis, Canso do meu próprio corpo. Em cinco minutos. Tudo acaba em silêncio, Num murmúrio constrangedor, Perguntas sem respostas, Feridas sem dor. Vazio, Como os comprimidos de dopamina. Como as promessas que faço, Como seus olhos decepcionados, De novo.

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Poema

O amor é vaidade

Não é amor, É apenas uma tentativa de fugir da realidade, Porque não pode ser amor O que é somente vaidade. Não que não seja bom, Não que bem não me faça, Mas não é amor, É somente vaidade. Não que eu não sinta tudo o que eu digo, Não que eu não deseje Tudo que eu sinto. Mas não pode ser amor, pois se for, Então, o amor é só isso... é pura vaidade.

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Poema

VAZIO

..... Como o joio que cresce em meio ao trigo, como a erva daninha que sufoca a flor, Este invasor - inóspito - Em minha alma, sorrateiramente, se instalou. Pequena semente venenosa, Que em um dia sombrio germinou, Enroscou-se no âmago do meu ser, E, calmamente, me matou. Sobreviveu ao fim Codependente de mim. Maldito vazio... Preencheu-me, Enfim.

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Efêmero

Refúgio dos Desconsolados

Aqui estamos nós; Amargurados, Desconsolados, Pseudos poetas de egos inflados. Aqui estamos nós; Deitados sobre o pó dos escombros da esperança, aguardando, anciosamente, a morte nos tirar para uma dança. Aqui fomos nós; Massacrados pela vida, impiedosamente. Letárgicos, sinestésicos, dormentes. Sufocados pela agonia do próprio ser, Presos à poesia que nunca conseguimos escrever. Aqui estamos nós; Estúpidos rimadores, Degenerados, Renegados, Sofredores. Perdidos em nosso próprio mundo, Afogados nos nossos próprios vômitos. Rostos Indecifráveis. Atônitos Aqui estamos nós; Loucos incuráveis. Inescrupulosos. Inconsoláveis.

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Poema

Uma ode à melancolia

Eu não quero, e nunca quis, nada. Tudo me cansa, tudo me enfada. Mulheres entrando e saindo do meu quarto com seus rostos ruborizados. Sem amor, sem cabeça encostada no peito, só corpos suados. Poeta, artista, um engravatado, Eu não quero ser nada. Não quero correr na chuva e Nem dançar no assoalho. Não quero ter conversas regadas a álcool, Nem flertar com a garota do outro lado Não quero ter paixões, aspirações, inspirações, Nem apreciar a primavera pela janela do quarto. Não quero ser reconhecido como poeta, escritor, ator, bom amor. Só quero sentar na minha cadeira de balanço e fumar meu cigarro, Enquanto a fumaça, quem sabe, me causa um tumor. Não quero acordar ao lado de uma linda mulher ou ter crianças correndo pela casa, Como eu disse antes, absolutamente tudo me enfada. Não quero bodas de ouro, ou envelhecer ao lado de quem se ama, Eu quero morrer sozinho, Enquanto mancho, com meu sangue, poemas inúteis em cima da cama. Eu não quero que derramem lágrimas lúgubres E nem cortejem minha alma cansada Não quero serenatas fúnebres, Deixo a vida, assim como cheguei; sem nada. Minhas mãos trêmulas já não desejam nada, Até o poema mais fascinante me causa náusea. Meus olhos austeros não anseiam ver o dia, Não há beleza neste mundo que me faça sentir alegria. Só há uma coisa que minha alma anseia; descansar em jazigo escuro e profundo, Onde as larvas frenéticas comerão, nas minhas entranhas, cada átomo morto e imundo.

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Efêmero

Feliz aniversário e rosas mortas pra você

Os dias passaram e o mundo não parou por causa da tua ausência. Embora, sem você, meu corpo pareça estar entrando em falência. O sol ainda faz a sua trajetória eclíptica , e há, como sempre, a translação da lua. Nós fomos separados por um planeta egóico, mas minha estrela ainda orbita ao redor da sua. O seu aniversário é o meu inferno astral. É como eu sempre digo: - A vida é uma vadia. Não lembro nem mesmo do meu nome, mas ainda lembro do teu dia. 13 de fevereiro de mais um ano qualquer, Não sei por onde você anda, mas meu pensamento está onde você estiver. Mais um ano pra conta ou menos um pra contar? Teu número é meu número da sorte, embora seja o mesmo do azar. 13 é um número ímpar, assim como nós dois que nunca soubemos ser um bom par. Só palavras ao vento que escrevo por escrever. Só pra não passar em branco, já que o próximo eu pretendo esquecer. Então, eu só queria dizer que... Desejo-te. Não, não era isso que eu tinha pra dizer.

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Efêmero

Quarta-Feira Cinza

Quarta-feira cinza.. Quase ontem era natal, logo mais será Quarta-feira de cinzas. Cinzas de Deus filho, cinzas de mim, Apenas cinzas. Quarta sem cor. A noite cai tão demente quanto um raio, Lá fora, grilos cantam canções de amor, Enquanto eu, enclausurada nessa cela, a peça da morte ensaio. A vida é ora insípida, ora amarga, São semanas inteiras fadadas a nada. Vazio intenso; quarta-feira sem cor. É verão em Fevereiro, mas aqui dentro não faz calor. Vinte e tantos dias para o fim do mês. A pergunta que sempre fazem: — o que você fez? A resposta sempre é a mesma; a minha mudez. O relógio bate forte demais, E seus ponteiros perfuram minh'alma, "Tic tac-tic tac". Olho pra trás, E vejo que tudo que eu construí foi reduzido à cinzas. Dias, Vida, Quarta-feira; Tudo cinza.

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Drama

A Liberdade e a Solidão - Uma breve conversação

A Liberdade e a Solidão Era um sábado preguiçoso, e eu estava à beira da estrada esperando por meu irmão, quando avistei de longe duas velhas conhecidas, a liberdade e a solidão. Atenta, coloquei-me a ouvir, de ambas, a enfadonha conversação. — Tu não sabes, me confundiram contigo de novo. - disse a solidão. —Ora, que invenção desse povo, entre nós duas há grande distinção. - a Liberdade pareceu não gostar do rumo que a conversa tomava. — Boba, nem tão grande assim, mas uma coisa eu te digo, eu existo sem você, mas você não existe sem mim . - A solidão ria como uma criança indolente. — Pretensiosa, é isso que és, onde já se viu eu depender da tua existência? - a liberdade deu-lhe um empurrão. — Acalma-te, sua velha rabugenta, não foi isso que eu quis dizer, mas pense bem... Já viu um homem que possuindo liberdade, não tenha recaído também sobre ele a solidão? Tu és um presente, eu sou, talvez, a consequência da tua exaustão. — Então, você está dizendo que todo homem que me possua, está também fadado a ti? — Ora, é isso mesmo, se existe homem liberto que não é só, esse eu nunca conheci. - Concluiu a Solidão O resto da conversa eu não ouvi. A liberdade e a solidão, de mãos dadas, atravessaram a ponte, foram ficando cada vez mais pequenas, até que se tornaram apenas dois pontos no horizonte.

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Poema

Uma súplica à felicidade

Certo dia, me senti vazia E apavorada gritei por ajuda, Eu já não sentia o amor, Eu já não sentia a alegria. O doutor disse que aquilo passaria - "talvez seja uma virose, Ou, quem sabe, uma hemorragia". Passado dias, eu ainda nada sentia Eu era apenas como um corpo congelado, Mas, que só se mexia. A senhora analista falou em Falta de Serotonina, Disse que era o mal do século Que eu precisava correr, Tomar pílulas e comer tubérculos. Eu corri tanto, e, ainda, nada sentia, Nem os braços, nem as pernas E nem alegria O pastor disse que o remédio era O Messias Que orar três vezes por dia Me curaria Eu orei três vezes, O dia todo e todo dia, Eu sentia dor no joelho, Mas o amor eu não sentia Um amigo me disse que daquilo entendia, Dizia conhecer algo que com o vazio acabaria "Festa, bebida e muita balinha". Eu saí muitas noites Com gente que nem conhecia Pra lugares legais que não me divertia Minha mãe disse que chá curava tudo Até apatia, "boldo é tiro e queda", Que eu veria. Era tanto chá que eu fervia Tomava, tomava e nada Sentia. Até que decidi que tudo, por si só, Se resolveria Viajei, pintei, escrevi... E nada se resolvia Até que por fim Apostei no tempo, Aliás, dizem que o tempo cura tudo, Até as piores feridas. Ainda hoje Espero deitada.

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