A Liberdade e a Solidão - Uma breve conversação
A Liberdade e a Solidão Era um sábado preguiçoso, e eu estava à beira da estrada esperando por meu irmão, quando avistei de longe duas velhas conhecidas, a liberdade e a solidão. Atenta, coloquei-me a ouvir, de ambas, a enfadonha conversação. — Tu não sabes, me confundiram contigo de novo. - disse a solidão. —Ora, que invenção desse povo, entre nós duas há grande distinção. - a Liberdade pareceu não gostar do rumo que a conversa tomava. — Boba, nem tão grande assim, mas uma coisa eu te digo, eu existo sem você, mas você não existe sem mim . - A solidão ria como uma criança indolente. — Pretensiosa, é isso que és, onde já se viu eu depender da tua existência? - a liberdade deu-lhe um empurrão. — Acalma-te, sua velha rabugenta, não foi isso que eu quis dizer, mas pense bem... Já viu um homem que possuindo liberdade, não tenha recaído também sobre ele a solidão? Tu és um presente, eu sou, talvez, a consequência da tua exaustão. — Então, você está dizendo que todo homem que me possua, está também fadado a ti? — Ora, é isso mesmo, se existe homem liberto que não é só, esse eu nunca conheci. - Concluiu a Solidão O resto da conversa eu não ouvi. A liberdade e a solidão, de mãos dadas, atravessaram a ponte, foram ficando cada vez mais pequenas, até que se tornaram apenas dois pontos no horizonte.
Poeta de Palavra
muito bom, parabéns. ✌
LAURA
obrigada 😊💙
Ricardo Ferreira dos Santos.
sensacional 👏👏👏👏