Uma ode à melancolia
Eu não quero, e nunca quis, nada. Tudo me cansa, tudo me enfada. Mulheres entrando e saindo do meu quarto com seus rostos ruborizados. Sem amor, sem cabeça encostada no peito, só corpos suados. Poeta, artista, um engravatado, Eu não quero ser nada. Não quero correr na chuva e Nem dançar no assoalho. Não quero ter conversas regadas a álcool, Nem flertar com a garota do outro lado Não quero ter paixões, aspirações, inspirações, Nem apreciar a primavera pela janela do quarto. Não quero ser reconhecido como poeta, escritor, ator, bom amor. Só quero sentar na minha cadeira de balanço e fumar meu cigarro, Enquanto a fumaça, quem sabe, me causa um tumor. Não quero acordar ao lado de uma linda mulher ou ter crianças correndo pela casa, Como eu disse antes, absolutamente tudo me enfada. Não quero bodas de ouro, ou envelhecer ao lado de quem se ama, Eu quero morrer sozinho, Enquanto mancho, com meu sangue, poemas inúteis em cima da cama. Eu não quero que derramem lágrimas lúgubres E nem cortejem minha alma cansada Não quero serenatas fúnebres, Deixo a vida, assim como cheguei; sem nada. Minhas mãos trêmulas já não desejam nada, Até o poema mais fascinante me causa náusea. Meus olhos austeros não anseiam ver o dia, Não há beleza neste mundo que me faça sentir alegria. Só há uma coisa que minha alma anseia; descansar em jazigo escuro e profundo, Onde as larvas frenéticas comerão, nas minhas entranhas, cada átomo morto e imundo.
Queiroz Filho
Fantástico Laura!!!
LAURA
Fantástico são os os seus poemas, incríveis. Mas, obrigada 😊💙
Queiroz Filho
Eu sou teu fã!!! Parabêns! Forte abraço!
Poeta de Palavra
muito bom seus poemas ✌💚
LAURA
os seus é que são maravilhosos
Ricardo Ferreira dos Santos.
magnífico poema 👏👏👏
O vitimista
simplesmente maravilhoso, a forma como se abre, dá oportunidade para outras pessoas assim como eu, se identificarem contigo, muito bom.
LAURA
obrigada 💙