Se o esquecimento é túmulo do amor,
Do sempre ingrato amor desventurado,
Preciso ver meu cérebro esmagado,
Quão em teus dedos, vi, a nossa Flor…
Assim, enfim, em paz e sepultado,
Ocultarei sem culpas; sem rancor,
Meu vasto coração de Adamastor!
Por teu amor minúsculo, pisado…
“E outro poeta, as pálpebras, congela!”
- Furtando a tua pena, assim te exclamo:
Sou eu… Tua criação mais tagarela!…
A flor que olvidaste em meio ao ramo…
Trocando-me por outra bem mais bela!
Que em vez de adeus, não diz, Amor, " te amo!…"
(Queiroz Filho)
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A mais bela das filhas do rei Pélias,
Nestes meus parcos olhos, não investe!...
Pois mais fermosa é, do que as Camélias,
E traz, do Salvador, o Dom celeste!...
Nasçam Helenas, Vênus e Ofélias!
E o Deus Tânatos, d’Héracles, ateste
A força etérea a atar as Parcas velhas…
O mais supremo Amor, és tu, Alceste!
Mas, se invejo a mão do tolo Midas!...
Às preces de tuas palmas, não me uno...
Por nossas reinventadas despedidas,
Culpes os vastos Reinos de Netuno!…
Oh! Hércules só salve as nossas vidas,
Se eu for, de Apolo, o novo falso aluno!...
(Queiroz Filho)
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Ser os teus olhos; ser o teu sorriso;
Ser os teus lábios. ser tua bela pele;
Ser teu Amor; primeiro e indeciso?
Ser hoje, a tal paixão que te repele.
Ser Luz e Forma e Sonho e Poesia,
Em teus vaidosos versos fustigantes!
Ser quem por te amar, te aborrecia,
Só te compondo versos bajulantes;
Ser este imenso sol que desmesuro,
Que é Luz e Graça e Fé e Paz e Vida!
Queiroz, por nossa filha, aqui, te juro,
Ser para o teu passado, a despedida,
É ser pra o teu presente, o teu futuro!
Alma de Lúcia em Laura, infundida…
(Laura Alves Coimbra) Semi-heterônimo de Queiroz Filho
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Se a vida, Maria, nos fosse acalanto,
Se a nossa alegria, de nós, não fugisse...
Verias meus olhos erguidos de encanto,
Se a torre da Paz, em nós, não ruísse...
Teus olhos, teu riso, o teu olhar santo?
Se a minha memória não os extinguisse,
Seriam, de Amor, o meu mais caro Canto,
Se este precipício, pra mim, não sorrisse!...
Cravar a amargura; cessar nosso hino,
Monstruoso destino dos homens sem Paz!
Buscar a ternura em quando eu menino,
Olhar-me assombrado, ao ver Satanás!
Que fazes, Maria?... Que quadro ferino!
No espelho do tempo, de mim, bem atrás?...
(Queiroz Filho)
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Esta carrasca inércia debochada,
Que, para o amor e a vida, me ancóra...
É a vida sem razão, sem luz, sem nada.
É a águia que, as entranhas, me devora!
É o que te fez pra sempre, ir embora...
Restando-me esta casa abandonada.
Sem rumo para o pranto que não chora,
Mas cardos pontiagudos na jornada…
E assim, a falsa paz da decadência,
Resiste por alguns magros segundos,
Pois logo após a dor vem a demência!
E sensação de estar entre os imundos...
Precipício do caos onde a excelência
É descer aos Infernos mais profundos!...
(Queiroz Filho)
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Amar o que restou da tua ausência,
É amar todo o silêncio desta sala...
É ouvir com sábia e rara impaciência,
A emudecida Dor que tudo fala…
O amor só é Amor, se for demência!
Se as cores que o silêncio nos exala,
Bem ao ouvido, forem a evidência:
- A mente é um Duende que propala
Aos doidos: - O Amor, só é Ciência,
Se quando a Razão, veloz trem-bala!
Descarrilhar dos trilhos da prudência,
Vendo esta tartaruga superá-la:
- Coração, tolo ser sem paciência!...
Nuvem doida a flertar com a mandala
Dourada, que em mágica opulência,
É a voz do Amor que em nós, sempre se cala...
(Queiroz Filho)
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E quando a Morte te arrostar solene,
No derradeiro instante de teus Dias...
Reviverás nos Céus, as alegrias;
Vividas em teus Sonhos com Irene!
Falsos beijos; plagiadas fantasias,
D'outro inventado êxtase infrene!
Não mais, oh coração, o Amor, encene!
Só em meus Atos, Ninfa, existias?...
Já basta, Realidade! A vida é Nada!
Negar-te junto a Morte, me consiste...
Razão, assombração desenterrada,
Craves meu Epitáfio em pedra triste:
" Jaz um poeta de Alma ensanguentada...
Se a treva o endoidou, ora o assiste!..."
(Queiroz Filho)
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A minha triste Alma carrancuda,
Não entende que de casa foste embora.
E desde que partiste ela está muda,
Qual carta de Amor jogada fora….
Saudade, excruciante Dor aguda!
Leve à minha Maria, um beijo, agora!
Pois dos seus Anos, hoje, a conta, muda!
Sem se mudar o vivo Amor d'Outrora...
Se enterro o Cadáver duma vida,
Depois de achar em ti, o meu Nirvana!...
Faço da exausta Dor da despedida,
Mais um canto de Luz a ti, Baiana!
E rogo a Deus por tua Aurora erguida
E ao filho de Davi, eu brado Hosana!...
( Queiroz Filho)
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Cá embebido em lágrimas sinceras,
De rosto para o chão, amargurado!
Sentaste lentamente ao meu lado,
Espectro sepulcral; autor das feras
Que berram neste cérebro atado
Lá às Marcianas; Místicas esferas!...
Enquanto, entre cósmicas esperas,
Levo às mãos, meu sonho estraçalhado
Pelas cruéis e atrozes Hienas vis!..
Covardes pestes pútridas; malditas!
Ultrices deste Orfeu mais infeliz!...
Sem meigas Cantilenas inauditas...
Senão, só as mesmas lágrimas servis
Às mágoas d'outras mágoas infinitas!...
(Queiroz Filho)
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Ah! Na festa após o Batizado...
Eu vi um Anjo em uma calça creme!
Dançar risonho no seu treme-treme,
Um batidão de Funk estilizado...
Meu coração que até agora geme
Assim confuso e assaz contrariado!
Fantasiou-me o beijo jamais dado
No dito Anjo sem sua calça creme!...
Embora saiba, o farto disparate
Que é querê-la em mim, por toda Vida!
Mas só seu nome neste peito, bate:
Sensual Ser Margarida! Margarida!...
Que o cálice que engulo, antes, me mate!
Que o teu ativo olhar de Despedida...
(Queiroz Filho)
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