Meu casulo é feito de palavras
E tingido de canções mal germinadas
Verdes notas, jamais colidas
E ideias frágeis, quase nunca regadas
Casulo indolente e fraterno
Mudando faceiro em seu interno
Metamorfoses indesejadas
Onde minha essência de larva imatura
Pelo temor, mal nutrida criatura
Reluta ferrenha em não ser libertada
Debatendo-se em um dilema e tanto
Vou e vivo, ou morrerei ficando
Mas até a morte se faz aprazível
Para os pobres infelizes que vivem por nada.
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Ouço o som
Do silêncio
E é tão bom
Poderia ser seguro
Tudo em mim, porém
É desespero e fogo
Sempre assim
Constantemente em apuros
Todos os carros na rua
Rosnam tão ferozes
Parecem bravos comigo
E com razão
Qual é a razão?
Cada disco que eu coloco
Tempestua em trovoada
E a mim não resta nada
Se não sobra nem canção
Para me consolar... Do quê?
Como é que eu vou saber?
Minha mente grita em segredo "você está com medo"
Mesmo sem ter algo pra temer
Vou me consolar por quê?
Como é que eu vou saber?
Minha mente grita em segredo "você está com medo"
Mesmo sem ter algo pra temer
Meras lascas
Das minhas digitais
Cutucando o meu corpo
Formas grotescas de horror
E as cenas
Tão eais e Claras
Impossíveis
Tenebrosos contos de terror
Todos os carros da rua
Rosnam tão velozes
Parecem bravos comigo
E com razão
Qual é a razão?
Todo o disco que eu coloco
Tempestua em trovoada
Quanto a mim, não sobra nada
Quando falta até canção
Para me consolar... Do quê?
Como é que eu vou saber?
Minha mente grita em segredo "você está com medo"
Mesmo sem ter algo para temer
Vou me consolar por quê?
Como é que eu vou saber?
Minha mente grita em segredo " você está com medo "
Mesmo sem ter algo para temer
Mas eu temo tudo.
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Toda vez que te toco, você me humilha
E eu te jogo de canto
E você desaponta e aponta todos os meus fracassos
Te preciso, e de mim você nunca precisa
Eu me afogo em prantos
E afago teu corpo com os meus dedos todos em pedaços
Escuta tudo o que eu tenho pra dizer
Seus timbres sempre acompanham os meus, sem nunca poder escolher
Te amo e sei disso, mas não me dedico, apenas te dedilho vez ou outra
Você, meu amante e amigo, apático apenas, parado nem nota
E eu nunca decifro suas notas
Quem é essa gente que tanto nos observa?
Qual será a beleza de que tanto eles falam, e parecem entender?
Aplaudindo esse amor, dizendo ser adorável
Algo quase divino
Divino mesmo, foi não desistir de você
Que escuta tudo que eu tenho pra dizer
Seus timbres sempre acompanham os meus, sem nunca poder escolher
Te amo e sei disso, mas não me dedico, apenas te dedilho vez ou outra
Você, meu amante e amigo, apático apenas, parado nem nota
E eu nunca decifro suas notas.
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Lá, onde vai o sol ao escurecer
De onde a lua sai para se mostrar
Vigilante do anoitecer
Guardando os perdidos a vagar
No olhar Silente do breu
Entre o que foi, e o que vai chegar
Do mundo que já adormeceu
Sem se preocupar
Que o escuro é forte e veloz
E o que não se pode ver
É nojento, ferino e atroz
Não se pode entender
Que lá
Onde vai o sol ao escurecer
De onde a lua sai para se mostrar
Mora a solidão e o meu ser
Indignos de qualquer outro lugar
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Afaguei a morte, e seus cabelos sedosos de escuridão
Lhe disse que não conseguia adormecer
Mesmo com os olhos tão exaustos
Paralisados e abertos
Ela rio, me pousando um beijo na testa
E me disse que nunca havia nem mesmo piscado.
Não há vida mais viva
Existência mais perene
E essência mais silente
Do que a morte.
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Alguém já visitou a depressão Challenger?
Foi lá que enchi meu coração de sal
E os dedos, fiz de espuma do mar
Cristalizando os olhos na salina
Enchendo o crâneo de corais
Pedras vivas de oceano
Muito mais viventes do que eu
Naquele abismo de sal, nadei para dentro do breu
Era bom, melhor que meu fundo do poço
Pude conhecer milhares de criaturas
Desconhecidas, assustadoras e incomuns
Meus fraternos irmãos pela peculiaridade
Moldados habilmente pela escuridão
E muito mais felizes do que eu
Ali, é bem mais aprazível do que Pasárgada
Bem mais habitável que a cabeça
E menos insalubre que o coração
A quase onze mil metros abaixo
Aonde o Everest se afogaria
Quase encontrei, meu alento e calmaria
Nas violentas massagens da pressão
É por isso que sem preâmbulos pergunto
Mergulhando com afinco no assunto:
Alguém já visitou a depressão Challenger?
É lá que moram todas as minhas fantasias
É lá que desejo morrer.
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Me vou no vórtice dos versos
E vagamente me vejo
Ou talvez me veja tanto
Que é visceral a voz que ouço
Do vazio, que como o vento
É altivo, e tão vasto
Preenchendo os pensamentos
Devastados devaneios
Vulcões, mais de vinte mil
Vastidão em lava de vesúvio
Me visitam, sem convite
Me convencem, que o vazio
Vingativo, me invade
Quanto mais tento evitá-lo
Me diz 20 vezes ao dia
Sem dúvida, de que és a minha verdade.
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O som do silêncio me sai
Soturna é a sinestesia
De ser simplesmente só
Feito o o nosso singelo céu
Assim eu também o seria
Sentir as sombras suaves
Da solitude tão sincera
Da sorte que não me sorria
Fecham-se as cortinas
E também os olhos
O sono é o luto do corpo
Para o dia que pereceu
A mente cozinha em fogo baixo
Na panela fervente do crâneo
E a inebriante fumaça
É o luto dos pensamentos meus
A torneira salgada dos olhos
Vaza e seca o reservatório
De um coração sequioso
É o luto do próprio eu
Pois verso é tudo que o coração bombeia
Tudo que sou, tudo que tenho nas veias
Mas definho no deserto das horas
Enquanto a vida também incendeia
De dia, assisto minha morte temporária
A noite, me arrasto em agonia pelo sono
Padeço em silêncio, e me abandono
É o luto da inspiração que se perdeu.
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Quase fui um quasar
Violento brilho distante
Consumindo tudo
Que ousasse ser menor
Quase fui um quasar
O apogeu dos buracos negros
Tão real e absurdo
Dos males o pior
À um planeta inteiro
Engolidor de mil terras
Praticante do exagero
Quase fui um quasar
Que de tão afoito, infeliz
Com uma fome incessante, assim eu quis
Devorar um universo inteiro
Consumindo tudo ao redor
Tudo que pelo azar, fosse menor
Engoli todas as minhas certezas primeiro.
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