Isabela

@isalu · desde 2020

eu tenho medo de possuir um corpo.

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Casulo

Meu casulo é feito de palavras E tingido de canções mal germinadas Verdes notas, jamais colidas E ideias frágeis, quase nunca regadas Casulo indolente e fraterno Mudando faceiro em seu interno Metamorfoses indesejadas Onde minha essência de larva imatura Pelo temor, mal nutrida criatura Reluta ferrenha em não ser libertada Debatendo-se em um dilema e tanto Vou e vivo, ou morrerei ficando Mas até a morte se faz aprazível Para os pobres infelizes que vivem por nada.

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Música

Temer

Ouço o som Do silêncio E é tão bom Poderia ser seguro Tudo em mim, porém É desespero e fogo Sempre assim Constantemente em apuros Todos os carros na rua Rosnam tão ferozes Parecem bravos comigo E com razão Qual é a razão? Cada disco que eu coloco Tempestua em trovoada E a mim não resta nada Se não sobra nem canção Para me consolar... Do quê? Como é que eu vou saber? Minha mente grita em segredo "você está com medo" Mesmo sem ter algo pra temer Vou me consolar por quê? Como é que eu vou saber? Minha mente grita em segredo "você está com medo" Mesmo sem ter algo pra temer Meras lascas Das minhas digitais Cutucando o meu corpo Formas grotescas de horror E as cenas Tão eais e Claras Impossíveis Tenebrosos contos de terror Todos os carros da rua Rosnam tão velozes Parecem bravos comigo E com razão Qual é a razão? Todo o disco que eu coloco Tempestua em trovoada Quanto a mim, não sobra nada Quando falta até canção Para me consolar... Do quê? Como é que eu vou saber? Minha mente grita em segredo "você está com medo" Mesmo sem ter algo para temer Vou me consolar por quê? Como é que eu vou saber? Minha mente grita em segredo " você está com medo " Mesmo sem ter algo para temer Mas eu temo tudo.

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Música

Rasante. Ps: Rasamte é o nome do meu violão

Toda vez que te toco, você me humilha E eu te jogo de canto E você desaponta e aponta todos os meus fracassos Te preciso, e de mim você nunca precisa Eu me afogo em prantos E afago teu corpo com os meus dedos todos em pedaços Escuta tudo o que eu tenho pra dizer Seus timbres sempre acompanham os meus, sem nunca poder escolher Te amo e sei disso, mas não me dedico, apenas te dedilho vez ou outra Você, meu amante e amigo, apático apenas, parado nem nota E eu nunca decifro suas notas Quem é essa gente que tanto nos observa? Qual será a beleza de que tanto eles falam, e parecem entender? Aplaudindo esse amor, dizendo ser adorável Algo quase divino Divino mesmo, foi não desistir de você Que escuta tudo que eu tenho pra dizer Seus timbres sempre acompanham os meus, sem nunca poder escolher Te amo e sei disso, mas não me dedico, apenas te dedilho vez ou outra Você, meu amante e amigo, apático apenas, parado nem nota E eu nunca decifro suas notas.

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Música

Valcinha da solidão

Lá, onde vai o sol ao escurecer De onde a lua sai para se mostrar Vigilante do anoitecer Guardando os perdidos a vagar No olhar Silente do breu Entre o que foi, e o que vai chegar Do mundo que já adormeceu Sem se preocupar Que o escuro é forte e veloz E o que não se pode ver É nojento, ferino e atroz Não se pode entender Que lá Onde vai o sol ao escurecer De onde a lua sai para se mostrar Mora a solidão e o meu ser Indignos de qualquer outro lugar

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E T R O M

Afaguei a morte, e seus cabelos sedosos de escuridão Lhe disse que não conseguia adormecer Mesmo com os olhos tão exaustos Paralisados e abertos Ela rio, me pousando um beijo na testa E me disse que nunca havia nem mesmo piscado. Não há vida mais viva Existência mais perene E essência mais silente Do que a morte.

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Depressão Challenger

Alguém já visitou a depressão Challenger? Foi lá que enchi meu coração de sal E os dedos, fiz de espuma do mar Cristalizando os olhos na salina Enchendo o crâneo de corais Pedras vivas de oceano Muito mais viventes do que eu Naquele abismo de sal, nadei para dentro do breu Era bom, melhor que meu fundo do poço Pude conhecer milhares de criaturas Desconhecidas, assustadoras e incomuns Meus fraternos irmãos pela peculiaridade Moldados habilmente pela escuridão E muito mais felizes do que eu Ali, é bem mais aprazível do que Pasárgada Bem mais habitável que a cabeça E menos insalubre que o coração A quase onze mil metros abaixo Aonde o Everest se afogaria Quase encontrei, meu alento e calmaria Nas violentas massagens da pressão É por isso que sem preâmbulos pergunto Mergulhando com afinco no assunto: Alguém já visitou a depressão Challenger? É lá que moram todas as minhas fantasias É lá que desejo morrer.

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Vazio

Me vou no vórtice dos versos E vagamente me vejo Ou talvez me veja tanto Que é visceral a voz que ouço Do vazio, que como o vento É altivo, e tão vasto Preenchendo os pensamentos Devastados devaneios Vulcões, mais de vinte mil Vastidão em lava de vesúvio Me visitam, sem convite Me convencem, que o vazio Vingativo, me invade Quanto mais tento evitá-lo Me diz 20 vezes ao dia Sem dúvida, de que és a minha verdade.

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Solidão/solitude

O som do silêncio me sai Soturna é a sinestesia De ser simplesmente só Feito o o nosso singelo céu Assim eu também o seria Sentir as sombras suaves Da solitude tão sincera Da sorte que não me sorria

Luto

Fecham-se as cortinas E também os olhos O sono é o luto do corpo Para o dia que pereceu A mente cozinha em fogo baixo Na panela fervente do crâneo E a inebriante fumaça É o luto dos pensamentos meus A torneira salgada dos olhos Vaza e seca o reservatório De um coração sequioso É o luto do próprio eu Pois verso é tudo que o coração bombeia Tudo que sou, tudo que tenho nas veias Mas definho no deserto das horas Enquanto a vida também incendeia De dia, assisto minha morte temporária A noite, me arrasto em agonia pelo sono Padeço em silêncio, e me abandono É o luto da inspiração que se perdeu.

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Quasar

Quase fui um quasar Violento brilho distante Consumindo tudo Que ousasse ser menor Quase fui um quasar O apogeu dos buracos negros Tão real e absurdo Dos males o pior À um planeta inteiro Engolidor de mil terras Praticante do exagero Quase fui um quasar Que de tão afoito, infeliz Com uma fome incessante, assim eu quis Devorar um universo inteiro Consumindo tudo ao redor Tudo que pelo azar, fosse menor Engoli todas as minhas certezas primeiro.

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