Luto
Fecham-se as cortinas E também os olhos O sono é o luto do corpo Para o dia que pereceu A mente cozinha em fogo baixo Na panela fervente do crâneo E a inebriante fumaça É o luto dos pensamentos meus A torneira salgada dos olhos Vaza e seca o reservatório De um coração sequioso É o luto do próprio eu Pois verso é tudo que o coração bombeia Tudo que sou, tudo que tenho nas veias Mas definho no deserto das horas Enquanto a vida também incendeia De dia, assisto minha morte temporária A noite, me arrasto em agonia pelo sono Padeço em silêncio, e me abandono É o luto da inspiração que se perdeu.
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