Quase monge
Falo de amor e me vem culpa. Ressentimento. Nada tem cor. Penso se, mesmo com você perto, eu respiraria ou continuaria coberto de areia — sozinho, com sede, no mesmo deserto. Sigo no mesmo caminho. Amor e ódio nas mesmas linhas brancas em cima da mesa. E eu insistindo em péssimas escolhas. Procuro cura como quem cava o próprio chão. No espelho, o homem que me deve. Cobro agora ou deixo que o tempo o leve? Enquanto ele fica, eu te olho de longe. Imagino que te ter por um segundo seria como abraçar uma galáxia inteira. Mas continuo imóvel. Quase monge. Sei que as preces não serão atendidas. E ainda assim, quando teu nome ou tua imagem me vem — não dói. - João Serenário
Ella
O questionamento na sua poesia é o coração dela. Muito bom e marcante.
João Victor Serenário
Sim! Muito obrigado. Fico realmente feliz que tenha gostado!
Dalyson G. Ferreira
"No espelho, o homem que me deve". Que construção interessante! 👏🏻👏🏻
João Victor Serenário
obrigado amigo