Quando se vê já foi um dia.
Quando se vê já foi um ano.
Quando se tenta vê também já foi.
Quando já foi eu ainda pensando.
....
Vou passar o tempo
Com ferro de passar
Ajustar seu caimento
Para ficar confortável de usar
....
As vezes de veneta,
o tempo desacelera o compasso.
Como eu passo por isso?
Ter que me ritimar a seu astucioso
e lento passo.
Há certos frios que só
correm pelo peito, porque
o amor percorre os tecidos
da sensibilidade e não há
nada tão palpável ao toque
quanto o território dinâmico do coração. Por isso, aquilo que há
entre este território em seu estado
natural de execução: amando; e
as vidas que o interagem; esses
frios quais chegam a pulsar;
chama-se vulnerabilidade.
06 de outubro de 2026
A vulnerabilidade é um frio que só pulsa no coração em tempos de amor.
A conformação exige quase sempre o consolo da derrota.
O consolo da derrota tratamos como o restante do café que esquecidamente esfriou na xícara.
Então por uma espécie de ímpeto da responsabilidade o tomamos ainda que frio.
Ah! O dia acorda desta forma, incomum
O que deveria ser menos casual do que o dia?
Eu amanheço de tão consequente que vejo-o.
Pássaros nos celebram com cantigas.
Pondo os pensamentos em ordem: que tem de não comum nisto?
Nisto entre os dias e eu…
Se os pássaros estão antepondo?
Ah, dia…
Fecha os olhos sobre mim um instante sem trazer a noite.
O relógio quando bate - e não toca - nocauteia.
E não dormimos - e mal dormimos:
levantamos, é segunda-feira!!
O domingo foi-se embora;
deveria ser o início da semana,
mas normalmente
simboliza um fim - da folga, da curtição.
Chegou a segunda: e já é hora de trabalhar.
Parte o bom homem para a sua alienação habitual,
em busca de dinheiro:
para bens;
para a mulher que diz o amar
(e eu saúdo ao seu amor (para-béns!)!!
Para uma melhor vida.
Assim segue ele, sob nocaute, até o final de semana.
Eu preciso escrever
Preciso escrever
Preciso escrever
Ainda que eu não saiba o quê
Ainda que eu não saiba como
Nem que seja apenas isto
Em que me insisto dizer:
Preciso escrever
Preciso escrever
Preciso escrever
Preciso escrever
Preciso escrever
Será que tem sido o suficiente?
Quando estiver concluído, quem sabe
Eu poderei ver
Aquilo posso prever
Que as vezes um fracasso acabado
Ensina mais que o mais lindo sucesso não terminado
Porquê?
Não sei, não quero saber
Sei do que eu preciso
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
Eu preciso escrever
.
Regue um sentimento até ele desabrochar em verso
Ainda que em solo ruim, se por não ventura em terreno fértil
Vamos! Uma gota a emoção!
Não espera a germinação com a chuva.
Clichê sem ser: deixa a lágrima rolar.