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𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

@carpe_diem · desde 2024

"𝑰 𝒉𝒂𝒗𝒆 𝒔𝒆𝒓𝒊𝒐𝒖𝒔 𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍 𝒑𝒐𝒆𝒎𝒔." ‱ IG: @ar.anazr ‱ ʟᎇÉȘ ÉŽÂș đŸ«.𝟹𝟣𝟱/đŸ«đŸȘ

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DemĂȘncia

Hoje me perguntaram o por que de eu andar sorrindo sozinha nos Ășltimos dias. Me recusei a admitir que era por pensar em vocĂȘ. Eu nĂŁo sou muito fĂŁ de mentiras. Mas gosto das que dizemos para nĂłs mesmos. DĂĄ uma falsa sensação de controle. Gosto de fingir que estou no controle do que sinto. Mas se o raciocĂ­nio tem uma linha, sinto que jĂĄ perdi esse trem hĂĄ tempos. Partiu como uma bala perdida. E Ă s vezes escuto de longe o som dos trilhos. Talvez por isso eu esteja com um bloqueio criativo. Ou talvez eu sĂł nĂŁo queira escrever e escrever sobre vocĂȘ. Penso que ao escrever sobre algo, vocĂȘ dĂĄ liberdade de aquilo se enraizar em sua vida. NĂŁo escrevo. Assim tenho a falsa sensação de que sua raiz nĂŁo tomou conta de todo o meu ser. Minto, para ter uma falsa sensação de controle. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Queria, por um momento, transformar o cĂ©u em um espelho. Assim, sempre que levasse os olhos atĂ© ele, vocĂȘ se veria. Ainda que por um milĂ©simo de segundo. Mas nĂŁo seria apenas se olhar. Eu sĂł ficaria satisfeita se vocĂȘ se desse a mesma atenção. Se, como de costume, erguesse os olhos ao cĂ©u nĂŁo para admirar o que estĂĄ longe, mas para se perceber. Para se reconhecer, ainda que por um instante. Queria que fizesse de cada traço seu uma constelação. Que entendesse, enfim, que o que hĂĄ em vocĂȘ nĂŁo se encontra em nenhuma outra galĂĄxia Que toda a beleza que vocĂȘ observa lĂĄ em cima, todo o cuidado, todo o encanto, JĂĄ estĂĄ aqui. Eu vejo aqui. Bem perto. Em vocĂȘ. Por dentro e por fora. Da alma ao olhar. NĂŁo sei bem falar sobre essas coisas, Sejam sentimentos ou cĂ©u. Ao meu ver isso jĂĄ soa quase como uma confissĂŁo. Mas se uma estrela cadente cruzasse o cĂ©u agora, esse certamente seria meu pedido: Que um dia vocĂȘ se olhe com os mesmos olhos com que olha para o cĂ©u. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Como um “e se?” que nĂŁo tem coragem de sair pela boca, EntĂŁo me corrĂłi por dentro A dĂșvida certa de que essa semente criou raiz e jĂĄ domina meu peito. NĂŁo estĂĄ mais sob meu controle. É tĂŁo certo que me recuso a confirmar A nomeando dĂșvida. Se me acertassem o peito num tiro preciso, nĂŁo sentiria dor alguma, vocĂȘ a mandou embora. Mas os ramos que insisto em segurar na ilusĂŁo mĂ­nima de controle certamente florescerĂŁo. Tua semente ainda que lĂșdica floriu. Fez do meu interior um jardim. E nĂŁo hĂĄ espaço algum em meu ser que nĂŁo esteja dominado por ele. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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209

Naquela noite escura. NĂŁo tĂŁo escura quanto o vazio que habitava em meu peito. Ergui os olhos ao cĂ©u como quem contempla uma vista pela Ășltima vez. Na intenção de que realmente fosse a Ășltima. O silĂȘncio daquele instante tornava o grito do meu peito ensurdecedor. Gritava. Suplicava. Implorava para que tudo acabasse ali naquela vista final. Eu nĂŁo buscava as estrelas. Mas ainda assim elas me encontraram. E, se fossem cadentes, meu pedido certamente seria que tudo se acabasse, E que aquele momento fosse o Ășltimo. Como se soubessem, como se conhecessem cada cĂ©lula cansada do meu corpo, elas brilharam brilharam como se nĂŁo existisse um amanhĂŁ, como se soubessem que eu jĂĄ nĂŁo lutaria por um amanhĂŁ. Eu as encarei com a mesma intenção a de ser a Ășltima vez. E, entĂŁo, quase como um Ășltimo suspiro, a estranha beleza daquele cĂ©u imenso estranhamente bonito me resgatou do abismo. As estrelas me salvaram. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Ao pĂĄssaro Que, mesmo quando o cĂ©u desaba, insiste em cantar na minha janela. Que traz em seu bico uma semente miĂșda de esperança, como quem acredita que atĂ© a terra mais cansada pode, um dia, voltar a florir. Teu canto tem me salvado. Tua semente Ainda que lĂșdica Faz meu peito acreditar que meu coração, tĂŁo cansado, ainda pode se recompor. A ti entrego o meu prĂłprio canto esse som que escapa nos intervalos do peito e pesa um pouco mais a cada batida. Um coração falho, mas que como um rĂĄdio antigo sĂł sabe tocar vocĂȘ. E em cada nota, em cada eco, Ă© teu nome que se repete. É por teu nome que canto. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Malditos olhos. Olho para eles como quem implora por um Ășltimo sinal de vocĂȘ, mesmo sabendo que nĂŁo vai encontrar. Mas tambĂ©m os evito. Neles mora a culpa que eu tento esquecer e nunca consigo. No brilho desses olhos, me afogo na lembrança dos seus, que um dia brilharam sĂł pra mim. E fui eu quem apagou essa luz. Fui eu com meus motivos, mas ainda assim, quem transformou brilho em choro, esperança em silĂȘncio, amor em ferida. Fui eu. Carrego isso todos os dias. Carrego vocĂȘ como um peso que nĂŁo larga, mas tambĂ©m como uma culpa que nĂŁo cicatriza. Peço, quase como uma alma perdida que implora por salvação, que eu nunca mais cruze com alguĂ©m que tenha um pouco do seu sangue correndo nas veias. Com seus inesquecĂ­veis traços. Com seus inesquecĂ­veis olhos. Com os seus malditos olhos. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Gostaria de te pedir perdĂŁo por ter quebrado suas expectativas. Durante nove meses, vocĂȘ carregou cenĂĄrios imaginĂĄrios com alguĂ©m que, infelizmente, eu nĂŁo fui capaz de ser. Durante nove meses, vocĂȘ carregou sonhos iludidos com meus grandes feitos, aqueles que te encheriam de orgulho. Mas eu nunca consegui realizĂĄ-los. Durante nove meses, vocĂȘ carregou uma semente de esperança de que eu seria alguĂ©m capaz de te dar alegria. E Ă© com pesar que digo, eu nĂŁo fui suficiente para cultivĂĄ-la. Eu nĂŁo sou esse alguĂ©m. Daqui a alguns dias, farĂĄ dezoito anos que vocĂȘ carrega o peso o fardo de me ter contigo. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Me lembro quando eu nĂŁo tinha um por quem. Um porquĂȘ. Vivia por mim ou melhor, existia por mim. Sem hesitação alguma ao pensar no fim. EntĂŁo, te encontrei. Tenho um motivo pra respirar Meu coração bate ao som do teu nome. Meus pulmĂ”es respiram tua voz. Minha mente jĂĄ nĂŁo tem pensamentos ruins vocĂȘ a ocupa a cada milĂ©simo de segundo. Meu bem, te chamo, e talvez pense que Ă© apenas um apelidinho. Meu bem, te chamo, porque Ă© assim que me sinto. É oque vocĂȘ Ă©. meu bem. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Hoje me peguei encarando, por alguns minutos, um covarde. Parecia vazio. Nenhum sinal de vida sequer. Se nĂŁo estivesse bem ali, diante de mim, diria que estava morto. TĂŁo covarde, que as palavras presas na garganta escorriam pelos olhos, encharcando o silĂȘncio. Suas cordas vocais, um nĂł em volta do pescoço, deixando-o entre a vida e a morte. Exalava medo. Sua covardia estava em cada gesto, em cada suspiro. Certamente, sua melhor vista era o fundo do poço. Encarei por mais um tempo. E, como um covarde, coloquei um pano em frente a este espelho. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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Me amou Eu caĂ­, desprezei e neguei. Ainda assim, me amou. Me perdi em mim, e ainda assim, me amou. Abri meu coração a coisas momentĂąneas, mundanas, e ainda assim pude contar com seu eterno amor. Hoje Te peço perdĂŁo que me aceites de volta. O que Ă© contraditĂłrio, pois o Senhor jĂĄ me perdoou. E isso me constrange. Antes mesmo de eu cair, o Senhor jĂĄ havia me perdoado. Mesmo depois de deixar-Te para trĂĄs, esperou-me de braços abertos para voltar para casa. Hoje peço, apesar de saber que Teu amor me recebe com graça, que me aceites. Assopra em meu coração, acendendo uma chama ardente de amor pelo Teu nome. DĂĄ-me de beber da ĂĄgua que me dĂĄ sede da Tua presença. DĂĄ-me fome da graça. Ensina-me a amar como Tu amas amar como Tu me amas. Eu quero ser tocada pela Tua graça. Quero andar contigo. Faz de mim um portador da Tua Palavra, para que ela alcance atravĂ©s de mim muitas pessoas, assim como tem me alcançado. Quero ser instrumento Teu para tocar o coração daqueles que precisam conhecer o Teu nome. Eu sentia falta. E nĂŁo era Tua presença que faltava. Era minha presença em Ti. O Senhor sempre esteve aqui, sempre. Nunca deixou de estar. Bastava eu ver, me abrir. Segurar a Tua mĂŁo que, por tanto tempo, esteve estendida em minha espera. Com essas mĂŁos, toque meu coração e o encha da Tua presença. É o meu maior anseio. AmĂ©m. 𝐁đČ 𝐀𝐧𝐚

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