Hoje me perguntaram
o por que de eu andar
sorrindo sozinha
nos Ășltimos dias.
Me recusei a admitir
que era por pensar em vocĂȘ.
Eu nĂŁo sou muito fĂŁ de mentiras.
Mas gosto das que dizemos
para nĂłs mesmos.
Då uma falsa sensação
de controle.
Gosto de fingir
que estou no controle
do que sinto.
Mas se o raciocĂnio
tem uma linha,
sinto que jĂĄ perdi
esse trem
hĂĄ tempos.
Partiu
como uma bala perdida.
E Ă s vezes escuto de longe
o som dos trilhos.
Talvez por isso
eu esteja com um bloqueio criativo.
Ou talvez
eu sĂł nĂŁo queira
escrever
e escrever
sobre vocĂȘ.
Penso que ao escrever
sobre algo,
vocĂȘ dĂĄ liberdade
de aquilo se enraizar
em sua vida.
NĂŁo escrevo.
Assim tenho
a falsa sensação
de que sua raiz
nĂŁo tomou conta
de todo o meu ser.
Minto,
para ter uma falsa sensação
de controle.
đđČ đđ§đ
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Queria, por um momento,
transformar o céu em um espelho.
Assim, sempre que levasse os olhos atĂ© ele, vocĂȘ se veria.
Ainda que por um milésimo de segundo.
Mas nĂŁo seria apenas se olhar.
Eu sĂł ficaria satisfeita
se vocĂȘ se desse a mesma atenção.
Se, como de costume,
erguesse os olhos ao céu
nĂŁo para admirar o que estĂĄ longe,
mas para se perceber.
Para se reconhecer,
ainda que por um instante.
Queria que fizesse
de cada traço seu
uma constelação.
Que entendesse, enfim,
que o que hĂĄ em vocĂȘ
nĂŁo se encontra
em nenhuma outra galĂĄxia
Que toda a beleza que vocĂȘ observa
lĂĄ em cima,
todo o cuidado,
todo o encanto,
JĂĄ estĂĄ aqui.
Eu vejo aqui.
Bem perto.
Em vocĂȘ.
Por dentro
e por fora.
Da alma
ao olhar.
NĂŁo sei bem falar sobre essas coisas,
Sejam sentimentos ou céu.
Ao meu ver isso jĂĄ soa
quase como uma confissĂŁo.
Mas se uma estrela cadente
cruzasse o céu agora,
esse certamente seria meu pedido:
Que um dia
vocĂȘ se olhe
com os mesmos olhos
com que olha para o céu.
đđČ đđ§đ
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Como um âe se?â
que nĂŁo tem coragem de sair pela boca,
EntĂŁo me corrĂłi por dentro
A dĂșvida certa
de que essa semente criou raiz
e jĂĄ domina meu peito.
NĂŁo estĂĄ mais sob meu controle.
Ă tĂŁo certo
que me recuso a confirmar
A nomeando dĂșvida.
Se me acertassem o peito
num tiro preciso,
nĂŁo sentiria dor alguma,
vocĂȘ a mandou embora.
Mas os ramos
que insisto em segurar
na ilusĂŁo mĂnima de controle
certamente florescerĂŁo.
Tua semente
ainda que lĂșdica
floriu.
Fez do meu interior
um jardim.
E não hå espaço algum em meu ser
que nĂŁo esteja dominado por ele.
đđČ đđ§đ
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Naquela noite escura.
NĂŁo tĂŁo escura quanto o vazio que habitava em meu peito.
Ergui os olhos ao cĂ©u como quem contempla uma vista pela Ășltima vez.
Na intenção de que realmente fosse a Ășltima.
O silĂȘncio daquele instante tornava o grito do meu peito ensurdecedor.
Gritava.
Suplicava.
Implorava para que tudo acabasse ali
naquela vista final.
Eu nĂŁo buscava as estrelas.
Mas ainda assim elas me encontraram.
E, se fossem cadentes,
meu pedido certamente seria que tudo se acabasse,
E que aquele momento fosse o Ășltimo.
Como se soubessem,
como se conhecessem cada célula cansada do meu corpo,
elas brilharam
brilharam como se nĂŁo existisse um amanhĂŁ,
como se soubessem que eu jĂĄ nĂŁo lutaria por um amanhĂŁ.
Eu as encarei com a mesma intenção
a de ser a Ășltima vez.
E, entĂŁo, quase como um Ășltimo suspiro,
a estranha beleza daquele céu imenso
estranhamente bonito
me resgatou do abismo.
As estrelas me salvaram.
đđČ đđ§đ
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Ao pĂĄssaro
Que, mesmo quando o céu desaba,
insiste em cantar na minha janela.
Que traz em seu bico
uma semente miĂșda de esperança,
como quem acredita que até a terra mais cansada
pode, um dia, voltar a florir.
Teu canto tem me salvado.
Tua semente
Ainda que lĂșdica
Faz meu peito acreditar que meu coração, tão cansado,
ainda pode se recompor.
A ti entrego o meu prĂłprio canto
esse som que escapa nos intervalos do peito
e pesa um pouco mais a cada batida.
Um coração falho,
mas que como um rĂĄdio antigo
sĂł sabe tocar vocĂȘ.
E em cada nota, em cada eco,
Ă© teu nome que se repete.
Ă por teu nome que canto.
đđČ đđ§đ
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Malditos olhos.
Olho para eles
como quem implora
por um Ășltimo sinal de vocĂȘ,
mesmo sabendo
que nĂŁo vai encontrar.
Mas também os evito.
Neles mora a culpa
que eu tento esquecer
e nunca consigo.
No brilho desses olhos,
me afogo na lembrança dos seus,
que um dia
brilharam sĂł pra mim.
E fui eu
quem apagou essa luz.
Fui eu
com meus motivos, mas ainda assim,
quem transformou brilho em choro,
esperança em silĂȘncio,
amor em ferida.
Fui eu.
Carrego isso todos os dias.
Carrego vocĂȘ
como um peso que nĂŁo larga,
mas também
como uma culpa que nĂŁo cicatriza.
Peço, quase como uma alma perdida
que implora por salvação,
que eu nunca mais cruze
com alguém que tenha
um pouco do seu sangue
correndo nas veias.
Com seus inesquecĂveis traços.
Com seus inesquecĂveis olhos.
Com os seus malditos olhos.
đđČ đđ§đ
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Gostaria de te pedir perdĂŁo
por ter quebrado suas expectativas.
Durante nove meses,
vocĂȘ carregou cenĂĄrios imaginĂĄrios com alguĂ©m
que, infelizmente,
eu nĂŁo fui capaz de ser.
Durante nove meses,
vocĂȘ carregou sonhos iludidos com meus grandes feitos, aqueles que te encheriam de orgulho.
Mas eu nunca consegui realizĂĄ-los.
Durante nove meses,
vocĂȘ carregou uma semente de esperança de que eu seria alguĂ©m capaz de te dar alegria.
E Ă© com pesar que digo,
eu nĂŁo fui suficiente para cultivĂĄ-la.
Eu não sou esse alguém.
Daqui a alguns dias, farĂĄ dezoito anos que vocĂȘ carrega o peso
o fardo de me ter contigo.
đđČ đđ§đ
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Me lembro quando eu nĂŁo tinha
um por quem.
Um porquĂȘ.
Vivia por mim
ou melhor,
existia por mim.
Sem hesitação alguma
ao pensar no fim.
EntĂŁo, te encontrei.
Tenho um motivo pra respirar
Meu coração bate
ao som do teu nome.
Meus pulmÔes
respiram tua voz.
Minha mente jĂĄ nĂŁo tem
pensamentos ruins
vocĂȘ a ocupa
a cada milésimo de segundo.
Meu bem, te chamo,
e talvez pense
que Ă© apenas um apelidinho.
Meu bem, te chamo,
porque Ă© assim que me sinto.
Ă oque vocĂȘ Ă©.
meu bem.
đđČ đđ§đ
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Hoje me peguei
encarando, por alguns minutos,
um covarde.
Parecia vazio.
Nenhum sinal de vida sequer.
Se nĂŁo estivesse bem ali,
diante de mim,
diria que estava morto.
TĂŁo covarde,
que as palavras presas na garganta
escorriam pelos olhos,
encharcando o silĂȘncio.
Suas cordas vocais,
um nó em volta do pescoço,
deixando-o entre
a vida e a morte.
Exalava medo.
Sua covardia estava
em cada gesto,
em cada suspiro.
Certamente,
sua melhor vista
era o fundo do poço.
Encarei por mais um tempo.
E, como um covarde,
coloquei um pano
em frente a este espelho.
đđČ đđ§đ
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Me amou
Eu caĂ, desprezei e neguei.
Ainda assim, me amou.
Me perdi em mim,
e ainda assim, me amou.
Abri meu coração a coisas momentùneas, mundanas,
e ainda assim pude contar com seu eterno amor.
Hoje Te peço perdão
que me aceites de volta.
O que Ă© contraditĂłrio, pois o Senhor jĂĄ me perdoou.
E isso me constrange.
Antes mesmo de eu cair, o Senhor jĂĄ havia me perdoado.
Mesmo depois de deixar-Te para trĂĄs,
esperou-me de braços abertos para voltar para casa.
Hoje peço, apesar de saber que Teu amor me recebe com graça,
que me aceites.
Assopra em meu coração,
acendendo uma chama ardente de amor pelo Teu nome.
Då-me de beber da ågua que me då sede da Tua presença.
Då-me fome da graça.
Ensina-me a amar como Tu amas
amar como Tu me amas.
Eu quero ser tocada pela Tua graça.
Quero andar contigo.
Faz de mim um portador da Tua Palavra,
para que ela alcance através de mim muitas pessoas,
assim como tem me alcançado.
Quero ser instrumento Teu para tocar o coração
daqueles que precisam conhecer o Teu nome.
Eu sentia falta.
E não era Tua presença que faltava.
Era minha presença em Ti.
O Senhor sempre esteve aqui, sempre.
Nunca deixou de estar.
Bastava eu ver, me abrir.
Segurar a Tua mĂŁo que, por tanto tempo, esteve estendida em minha espera.
Com essas mãos, toque meu coração
e o encha da Tua presença.
Ă o meu maior anseio.
Amém.
đđČ đđ§đ
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