Ida (marca)
Vale muito mais a dor de te prender, do que deixar-te livre para conhecer a morte. Ao lavar as mãos após tocar o seu corpo, era como se eu estivesse dando passos para longe de ti, o primeiro passo para viver. Eu não conseguia ver nada; meus olhos estavam cheios d'água. Pegar seu corpo e colocá-lo em meus braços mexia com os meus pulmões, fazendo cada respiração parecer uma batalha enquanto eu chorava. Meu toque sentia sua consciência indo, seus órgãos aos poucos se desligando, mesmo que seus olhos entregassem a memória de si para mim e assinassem a minha alma de certa forma.
Everton Castilho Fernandes 46 anos.
lindo poema adorei
Jack Mayala Seven
O contraste entre prender e liberdade para conhecer a morte logo na abertura já diz tudo sobre o conflito do poema. E os versos finais, com a consciência indo e os órgãos desligando, são de arrepiar pela precisão física da dor.
Jack Mayala Seven
É um dos versos mais reais e dolorosos que já li aqui. Um poema que fica.🫂